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Três Lagoas registra média de três ocorrências diárias de violência doméstica no início de 2026

A violência doméstica permanece como tema central na agenda de segurança pública de Três Lagoas. Entre os dias 5 e 17 de janeiro de 2026, a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) recebeu 41 boletins de ocorrência relacionados a agressões físicas, ameaças ou violência sexual praticadas contra mulheres, volume que mantém a média de aproximadamente três registros por dia no município.

Os dados consolidados pela autoridade policial reforçam a tendência observada em 2025. No ano passado, foram contabilizadas 1.356 notificações envolvendo diferentes formas de violência doméstica. O número reflete tanto a persistência do problema quanto o aumento da procura pelos canais oficiais de denúncia, impulsionada por campanhas de conscientização e pela expansão dos serviços de apoio às vítimas.

Além do alto total de registros, 84 homens foram presos em 2025 sob suspeita de praticar crimes previstos na Lei Maria da Penha. As prisões decorreram de flagrante, descumprimento de medidas protetivas ou mandados judiciais expedidos a partir das investigações conduzidas pela Polícia Civil. Segundo a DAM, a resposta policial tem buscado reduzir a reincidência e impedir que situações de agressão evoluam para ocorrências mais graves.

Outro indicador que demonstra a gravidade do cenário é a quantidade de pedidos de medidas protetivas de urgência. Ao longo de 2025, a delegacia encaminhou 874 solicitações ao Poder Judiciário, o maior volume já registrado em Três Lagoas para esse tipo de providência. Esses instrumentos legais determinam, por exemplo, o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e o comparecimento obrigatório a audiências, além de outras restrições que variam conforme o caso.

As medidas têm validade imediata após a decisão judicial e são fundamentais para garantir a integridade física e psicológica das mulheres que buscam ajuda. A DAM orienta que, sempre que houver risco iminente, a vítima ou qualquer pessoa que presencie a violência acione a polícia militar pelo telefone 190 ou procure diretamente a unidade policial especializada.

Especialistas em enfrentamento à violência de gênero apontam que a elevação no número de ocorrências está relacionada, em parte, ao aumento da confiança das mulheres nas instituições responsáveis pelo acolhimento e pela investigação. A divulgação massiva de informações sobre direitos, canais de denúncia e rede de apoio tem estimulado mais vítimas a formalizar queixas, rompendo o ciclo de silêncio que costuma envolver esse tipo de crime.

O registro da ocorrência é considerado passo decisivo para viabilizar medidas de proteção e acompanhamento social. Estudos de órgãos de segurança indicam que a formalização da denúncia reduz significativamente o risco de agressões subsequentes e de crimes letais contra a mulher, como o feminicídio. Por esse motivo, profissionais que atuam na área reforçam a importância de buscar ajuda logo nos primeiros sinais de violência.

No âmbito federal, o principal canal para denúncias é o Disque 180. O serviço funciona de forma gratuita e sigilosa, 24 horas por dia, em todo o território nacional. As ligações podem ser feitas de telefones fixos ou celulares e permitem tanto o relato de novas situações de violência quanto o acompanhamento de casos já registrados.

Em Três Lagoas, a vítima também pode comparecer pessoalmente à Delegacia de Atendimento à Mulher para registrar boletim de ocorrência, requisitar exame de corpo de delito, esclarecer dúvidas sobre procedimentos legais e receber orientações sobre serviços de saúde, assistência social e suporte psicológico disponíveis na cidade. A equipe multidisciplinar da unidade oferece encaminhamento ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e a outros órgãos da rede de proteção municipal.

A manutenção de índices elevados de violência doméstica demonstra que o problema segue desafiando as políticas públicas locais. Autoridades de segurança ressaltam que a participação da sociedade é essencial para a identificação rápida de agressores, reforçando a necessidade de denúncias anônimas sempre que houver suspeita de crime. O objetivo é garantir que as vítimas tenham acesso imediato a mecanismos de defesa previstos em lei e a serviços de acompanhamento capazes de interromper a escalada da violência.

A Delegacia de Atendimento à Mulher recomenda que familiares, vizinhos ou quaisquer testemunhas de episódios de agressão façam contato com o Disque 180 ou procurem a delegacia, assegurando que a vítima receba proteção legal e acompanhamento adequado. A orientação vale também para mulheres que ainda não formalizaram queixa: quanto mais cedo a ocorrência for registrada, maiores são as chances de prevenção de novos episódios de violência e de preservação da vida.