O Programa Cinturão Ortopédico, criado para ampliar o atendimento de urgência em ortopedia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul, registrou 1.983 procedimentos entre junho e dezembro de 2025. O balanço, que cobre sete meses de funcionamento, indica a consolidação de uma rede regionalizada de suporte a traumas ortopédicos no interior do Estado.
As intervenções foram realizadas em municípios considerados polos, com destaque para Aquidauana, Coxim, Ribas do Rio Pardo, Sidrolândia, Maracaju e Bataguassu. Dessas cidades, Aquidauana concentrou o maior número de atendimentos durante todo o período analisado, reforçando sua posição estratégica no fluxo de assistência. As unidades instaladas nos polos recebem pacientes de diversas regiões, reduzindo o tempo de deslocamento e a pressão sobre hospitais de maior porte.
O levantamento oficial mostra que a demanda cresceu em ritmo constante no segundo semestre. A partir de agosto, o volume de atendimentos passou a subir de forma mais acentuada, movimento atribuído à consolidação do fluxo regional e ao aumento da capacidade instalada. A expansão do serviço resultou na absorção de casos que, anteriormente, exigiam remoção para centros urbanos distantes, dificultando o acesso rápido a cirurgias e imobilizações.
O perfil dos atendimentos confirma a prevalência de traumas decorrentes de acidentes e quedas. Entre os diagnósticos mais frequentes estão a fratura da extremidade distal do rádio (220 registros) e a fratura da clavícula (151). Também aparecem na lista fraturas de outros dedos (123), fratura do perônio ou fíbula (72), fraturas do punho e da mão não especificadas (71), fraturas de ossos do metacarpo (66), fratura da extremidade superior do úmero (57), fratura da extremidade distal da tíbia (48), fratura de ossos do metatarso (47) e luxação da articulação do ombro (44). Esses dados evidenciam a demanda por intervenções imediatas para prevenir sequelas, principalmente em membros superiores e inferiores.
Além dos municípios onde o serviço está instalado, o programa recebe solicitações de diversas localidades. Miranda lidera o ranking de encaminhamentos, com 218 pedidos, seguida por Coxim (169), Nioaque (130), Maracaju (129), Bonito (109) e Bodoquena (96). A lista inclui ainda outras cidades que acionam o sistema conforme a necessidade, ampliando a cobertura do Cinturão Ortopédico e garantindo resposta mais rápida em casos de urgência.
O funcionamento do programa baseia-se em uma estratégia de descentralização. Os polos recebem pacientes para avaliação, exames de imagem, procedimentos cirúrgicos de menor complexidade e acompanhamento pós-operatório imediato. Quando necessário, os casos são regulados para hospitais de maior capacidade, mas o objetivo principal é resolver a maior parte das ocorrências no próprio território de origem. Essa dinâmica contribui para reduzir custos de transporte, evitar superlotação em unidades terciárias e agilizar o retorno do paciente à rotina.
Segundo a coordenação do Cinturão Ortopédico, a implantação do modelo regional responde a uma demanda histórica dos municípios sul-mato-grossenses, que enfrentavam dificuldade no acesso a especialistas em ortopedia. Com a organização em rede, profissionais capacitados e equipamentos adequados passaram a estar disponíveis mais próximos da população, possibilitando intervenções rápidas em fraturas, luxações e lesões ligamentares.
Ainda de acordo com o levantamento, a maior procura pelo serviço ocorreu entre agosto e novembro, fase em que o número de atendimentos cresceu mês a mês. A estabilização do fluxo de pacientes e a ampliação da oferta de agendamentos eletivos para revisão de cirurgias também contribuíram para a regularidade do atendimento. Embora o foco seja a urgência, os hospitais participantes mantêm retaguarda para acompanhamento pós-operatório, garantindo continuidade do cuidado.
O Cinturão Ortopédico integra a política estadual de saúde que busca reorganizar a rede de urgência e emergência. Ao concentrar casos ortopédicos em polos regionais, o programa diminui o tempo de espera por procedimentos cirúrgicos e melhora o prognóstico de pacientes que sofrem traumas. A meta para os próximos meses é manter o ritmo de expansão, absorvendo demanda de municípios que ainda encaminham pacientes para longas distâncias. A previsão é que o serviço fortaleça ainda mais a assistência descentralizada, reduzindo o impacto de acidentes e quedas na qualidade de vida dos moradores de Mato Grosso do Sul.








