O calendário de 2026 reservará uma série de folgas prolongadas para a população de Três Lagoas e de todo o país. Com datas comemorativas nacionais e municipais coincidindo com quintas ou terças-feiras, muitos trabalhadores terão a possibilidade de emendar fins de semana, prática que costuma movimentar o turismo e o comércio. No entanto, a perspectiva de um ano composto por 22 feriados e pontos facultativos no município acende um alerta entre gestores: manter o funcionamento da máquina pública e assegurar a oferta ininterrupta de serviços essenciais exigirá organização adicional.
O receio principal é o impacto sobre prazos administrativos, atendimento ao cidadão e execução de políticas públicas. Repartições fechadas em sequência tendem a retardar a análise de processos, a liberação de documentos e a prestação de serviços considerados básicos, como saúde e segurança. Esse cenário se torna ainda mais sensível em períodos eleitorais, quando procedimentos legais, repasses orçamentários e cumprimento de metas já correm contra um cronograma reduzido.
Durante visita a Três Lagoas na condição de governador em exercício de Mato Grosso do Sul, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, reconheceu o desafio que o calendário impõe. Ele destacou a importância de manter diálogo contínuo com prefeitos e outras autoridades para alinhar medidas capazes de evitar prejuízos à população. Segundo o dirigente, a orientação é direcionar esforços ao “trabalho pelo trabalho”, priorizando a entrega de resultados independentemente do período de campanha que se aproxima.
A despeito de 2026 ser um ano com eleições majoritárias, Barbosinha afirmou que a agenda administrativa não será pautada por interesses eleitorais. Em entrevista concedida ao Grupo RCN, o vice-governador declarou estar à disposição de seu partido para disputar cargos caso seja convocado, mas ressaltou que a atual programação se concentra na eficiência da gestão pública. Ele acrescentou que caminhar ao lado do governador Eduardo Riedel integra a estratégia política, sem prejuízo às atividades cotidianas do Estado.
No âmbito municipal, o número elevado de feriados cria um cenário considerado atípico. Além dos feriados nacionais, o calendário de Três Lagoas inclui datas locais e pontos facultativos, totalizando 22 dias de paralisação ou funcionamento parcial. Para o servidor público, isso significa mais ocasiões de descanso. Para a administração, representa a necessidade de mapear setores críticos, reorganizar escalas de plantão e garantir que repartições estratégicas não interrompam completamente as atividades.
Serviços de saúde, por exemplo, costumam operar em regime de plantão nos feriados, o que demanda reforço de equipes e logística específica de insumos. Já a segurança pública precisa manter patrulhamento contínuo, ajustando efetivos para cobrir a ausência de parte do contingente. Na área de educação, as redes de ensino planejam a reposição de aulas ou a reconfiguração dos calendários escolares, de modo a cumprir a carga horária mínima exigida por lei.
A experiência de anos anteriores indica que a declaração de ponto facultativo em dias intercalados pode gerar filas, sobrecarga de sistemas e atrasos na retomada de serviços quando as repartições reabrem. Em 2026, a concentração de feriados às segundas ou sextas-feiras tende a intensificar esse efeito. Gestores estaduais e municipais avaliam que a antecedência no planejamento será decisiva para minimizar contratempos, especialmente em um período em que o eleitorado também demandará ações de transparência e prestação de contas.
Outro aspecto em debate diz respeito ao setor privado, que acompanha de perto a definição de feriados e facultativos. Embora muitas empresas sigam calendários próprios, a paralisação do serviço público pode reverberar sobre atividades que dependem de licenças, fiscalizações ou emissão de documentos. O reflexo nas cadeias produtivas reforça a necessidade de diálogo entre governo e iniciativa privada, a fim de alinhar expectativas e evitar gargalos que prejudiquem contratos ou investimentos.
Com pouco menos de dois anos até o início do calendário de 2026, o Executivo estadual e a prefeitura de Três Lagoas concentram-se na elaboração de protocolos que garantam a manutenção dos serviços essenciais. A meta é equilibrar o direito ao descanso dos servidores com a continuidade dos atendimentos, prevenindo acúmulo de processos e assegurando que a rotina do cidadão não seja impactada negativamente pelos intervalos prolongados. A definição antecipada de escalas de trabalho, a adoção de sistemas digitais e o reforço de canais de atendimento remoto estão entre as alternativas em estudo para enfrentar o desafio imposto pelo elevado número de feriados e pontos facultativos.








