A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) deu mais um passo para expandir o atendimento médico à distância. Reuniões técnicas realizadas na Superintendência de Saúde Digital, em Campo Grande, definiram o início de um projeto de teleconsultoria assíncrona na capital, com perspectiva de ampliação para todo o Estado. A iniciativa integra o programa Telessaúde e busca ampliar o acesso da população a especialistas, sobretudo em regiões distantes ou com menor oferta de serviços presenciais.
Os encontros reuniram representantes da própria SES, da Fundação Oswaldo Cruz em Mato Grosso do Sul (Fiocruz/MS), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau). O objetivo principal foi alinhar protocolos e fluxos de atendimento que garantam a integração entre Atenção Primária e especialidades, além de estabelecer um cronograma para implantação gradual do serviço. O grupo debateu questões de infraestrutura tecnológica, capacitação das equipes e critérios clínicos para a triagem dos pacientes.
Para o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, o uso da tecnologia é estratégico em um território extenso como Mato Grosso do Sul, que possui municípios pequenos e população dispersa. Ele destacou que a telemedicina reduz deslocamentos, diminui custos logísticos e otimiza o tempo de resposta do sistema. A avaliação é que, ao aproximar profissionais de diferentes regiões, a rede estadual consegue atuar de forma mais coordenada, com dados compartilhados em tempo real e maior resolutividade nos primeiros níveis de atendimento.
A importância de fortalecer a Atenção Primária foi um dos pontos centrais das discussões. O secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, salientou que um serviço de porta de entrada bem estruturado evita encaminhamentos desnecessários para os centros de referência, contribuindo para aliviar a demanda sobre unidades de média e alta complexidade. Segundo ele, o direcionamento correto do usuário já na unidade básica resulta em menor tempo de espera, maior aproveitamento da capacidade instalada e melhor acompanhamento dos casos crônicos.
A teleconsultoria assíncrona permitirá que profissionais da Atenção Primária encaminhem, por plataforma digital segura, informações clínicas e exames ao especialista, que responderá em prazo previamente definido. O primeiro módulo será na área de endocrinologia, considerando a alta demanda por avaliação de distúrbios metabólicos e hormonais. De acordo com a superintendente de Saúde Digital da SES, Márcia Tomasi, a escolha da especialidade foi baseada na possibilidade de análise remota de exames laboratoriais e no impacto positivo esperado sobre filas de espera. A expansão para outras áreas ocorrerá conforme o avanço da infraestrutura e a adesão das equipes municipais.
A experiência da Universidade Federal de Santa Catarina no Telessaúde Brasil Redes serviu de referência para a construção do projeto sul-mato-grossense. Marcos Maeyama, consultor do Núcleo de Saúde Digital da UFSC, apresentou dados que demonstram redução de filas para consulta presencial, melhoria na qualidade dos encaminhamentos e maior satisfação dos usuários nos estados em que a teleconsultoria já funciona. As ferramentas utilizadas pela universidade foram adaptadas para atender às especificidades demográficas e logísticas de Mato Grosso do Sul, que possui grande parte de seus 79 municípios com população inferior a 20 mil habitantes.
A Fiocruz/MS reforçou seu compromisso com a iniciativa ao oferecer suporte técnico e científico para a capacitação de profissionais e avaliação de resultados. A pesquisadora Milene Dantas explicou que a instituição participará do monitoramento dos indicadores de desempenho, com ênfase na resolutividade das teleconsultorias e na efetividade do cuidado continuado. A meta é produzir evidências que subsidiem decisões de política pública, garantindo sustentabilidade ao modelo de saúde digital implantado.
O projeto será implementado primeiramente em Campo Grande, onde já existe rede de dados compatível e equipes capacitadas, e avançará gradualmente para outros municípios. A expansão dependerá da disponibilidade de conectividade, da adequação de estruturas físicas e da formação de profissionais aptos a operar as plataformas. A expectativa da SES é que, com a integração entre Estado, prefeituras e instituições parceiras, a teleconsultoria reduza o tempo de espera por consulta especializada, democratize o acesso da população a diferentes áreas médicas e fortaleça o cuidado em saúde de forma regionalizada.









