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BNDES aprova R$ 350 milhões para Rumo expandir transporte ferroviário de biocombustíveis no Centro-Oeste

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) autorizou financiamento de R$ 350 milhões à Rumo Logística para ampliar a capacidade de escoamento de biocombustíveis na Malha Norte, ferrovia que atende os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os recursos, oriundos do Fundo Clima — mecanismo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima administrado pelo banco — serão aplicados na compra de seis locomotivas híbridas e de pelo menos 160 vagões-tanque destinados, sobretudo, ao transporte de etanol de milho produzido na região Centro-Oeste.

Segundo a operadora, a incorporação dos novos equipamentos adicionará 928 mil metros cúbicos à capacidade anual de movimentação de biocombustíveis, incremento que corresponde a 32% em relação ao volume previsto para 2024. O reforço na frota permitirá substituir parte do transporte rodoviário pela ferrovia, opção que apresenta menor emissão de gases de efeito estufa por tonelada-quilômetro útil.

As locomotivas escolhidas utilizam tecnologia híbrida que combina um motor a combustão interna, como o diesel, a um sistema elétrico alimentado por baterias ou por geradores. Esse arranjo possibilita que o motor de combustão opere em regime eficiente para produzir energia ou gerar tração direta, enquanto o módulo elétrico complementa a potência e armazena eletricidade recuperada nas frenagens regenerativas. Com isso, a composição reduz picos de consumo e apresenta melhor desempenho energético quando comparada a locomotivas exclusivamente a diesel.

Estudo apresentado à instituição financeira estima que a adoção das locomotivas híbridas, somada à transferência de cargas atualmente transportadas por caminhões, gerará redução de 62,3 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. A comparação considera que o modal ferroviário emite, em média, um oitavo do volume de CO₂ associado ao modal rodoviário para a mesma quantidade de carga transportada na mesma distância.

A Malha Norte é o principal corredor ferroviário da Rumo na região Centro-Oeste, conectando polos produtores de grãos e biocombustíveis às rotas logísticas do Sudeste. O aumento da capacidade dedicado ao etanol de milho tem como objetivo atender a demanda de usinas em operação e apoiar a futura planta da Atvos em Costa Rica (MS), prevista para entrar em funcionamento nos próximos anos. A companhia avalia que a expansão fortalecerá a integração da cadeia produtiva regional, ampliará a oferta de serviços aos clientes e contribuirá para a consolidação do modal ferroviário como alternativa de baixo carbono.

O financiamento faz parte da linha de crédito do Fundo Clima voltada a projetos que resultem em mitigação de emissões ou adaptação às mudanças climáticas. As condições do programa incluem prazos e taxas diferenciados, com avaliação de critérios ambientais para aprovação. A autorização ao projeto da Rumo reforça a estratégia do BNDES de apoiar iniciativas que associem desenvolvimento econômico à transição para uma matriz logística mais sustentável.

Maior operadora privada de ferrovias do país, a Rumo administra mais de 13 mil quilômetros de trilhos distribuídos por seis malhas, emprega cerca de 8 mil colaboradores e mantém frota de 1.200 locomotivas e 33 mil vagões. A companhia opera ainda seis terminais portuários e dez terminais de transbordo. No mercado de capitais, integra o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, referência global em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), e compõe a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), que reúne empresas brasileiras com compromissos reconhecidos na área.

Com os novos ativos financiados, a empresa planeja iniciar a operação das locomotivas híbridas e dos vagões-tanque de forma escalonada, à medida que forem entregues pelos fabricantes. A expectativa é que as primeiras composições entrem em serviço ainda em 2025, permitindo ganhos de eficiência no deslocamento do etanol entre as usinas do Centro-Oeste e as bases de distribuição no Sudeste.

De acordo com o BNDES, o acompanhamento do projeto incluirá indicadores de desempenho ambiental para verificar a efetiva redução das emissões e a contribuição para as metas nacionais de descarbonização do setor de transportes.