Nos dias 30 e 31 de janeiro de 2026, Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense, será palco do Fórum Estadual dos Pontos de Cultura. O encontro ocorrerá na sede do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano e é organizado pela Secretaria Estadual de Cultura em parceria com o Ministério da Cultura. A proposta é fortalecer a rede de Pontos e Pontões de Cultura de Mato Grosso do Sul, articulando iniciativas em torno da justiça climática, tema central dos debates.
O evento integra o calendário preparatório para o V Fórum Nacional de Pontos de Cultura e para a 6ª Teia Nacional da Cultura Viva. Durante os dois dias, gestores públicos, produtores culturais, artistas e representantes de movimentos sociais participarão de mesas institucionais, grupos de trabalho, plenárias deliberativas e oficinas artísticas. A programação inclui ainda dinâmicas de grupo, feira criativa, rodas de debate e um cortejo cultural que encerrará as atividades.
Objetivos principais
Entre as metas definidas pela organização estão o fortalecimento da rede estadual de cultura, a integração de políticas públicas nos âmbitos municipal, estadual e federal e a consolidação da gestão compartilhada. Os organizadores pretendem, ainda, dar visibilidade à Política Estadual de Cultura Viva, considerada estratégica para promover a cultura como vetor de transformação social e ambiental.
Os debates serão orientados por três eixos temáticos:
- Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos dez anos – discussão sobre formação, circulação e preservação da memória das culturas populares.
- Governança da Política Nacional de Cultura Viva – criação e expansão de comissões, conselhos e fóruns de participação social.
- Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística – incentivo à economia solidária e adoção de protocolos verdes que conciliem produção cultural e preservação ambiental.
Programação detalhada
O primeiro dia será dedicado a mesas de abertura, apresentações institucionais e início dos grupos de trabalho temáticos. À noite, atividades artísticas apresentarão manifestações tradicionais do Pantanal, evidenciando a relação entre cultura e meio ambiente. No segundo dia, ocorrerão plenárias deliberativas para aprovação de propostas a serem levadas ao fórum nacional, além da feira criativa com produtos artesanais e exposições interativas. O cortejo cultural pelas ruas do centro histórico de Corumbá encerrará o encontro.
Além de discutir a elaboração de diretrizes para os próximos anos, os participantes avaliarão experiências de economia solidária e sustentabilidade artística já em curso no estado. Segundo a diretoria organizadora, a intenção é alinhar iniciativas locais às metas federais de redução de impactos ambientais, estimulando o uso de materiais recicláveis, gestão de resíduos e eficiência energética em projetos culturais.
Articulação institucional
Para viabilizar o fórum, a Secretaria Estadual de Cultura conta com apoio da Prefeitura de Corumbá, da Prefeitura de Ladário, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Programa Nacional dos Comitês de Cultura. A correalização será feita pelos Pontões e Pontos de Cultura cadastrados, responsáveis por mobilizar agentes culturais em todas as regiões do estado.
A organização destaca que o evento funcionará como espaço de pactuação entre poder público e sociedade civil. Representantes de povos originários, comunidades quilombolas, grupos de tradição folclórica e coletivos urbanos terão voz nos grupos de trabalho, onde poderão propor encaminhamentos para políticas de fomento, formação técnica, circulação de obras e preservação do patrimônio imaterial.
Justiça climática em foco
O tema da justiça climática permeia toda a programação. Painéis específicos abordarão impactos das mudanças climáticas sobre populações tradicionais do Pantanal e o papel da cultura na mitigação de riscos ambientais. Projetos locais que associam arte, educação ambiental e geração de renda serão apresentados como referência para outras regiões.
Segundo a coordenação, a escolha de Corumbá como sede se relaciona com a relevância ambiental e cultural do bioma pantaneiro. A cidade sedia diversos Pontos de Cultura voltados à música, dança, artes visuais e patrimônio histórico, consolidando-se como polo de experimentação de práticas sustentáveis.
O Fórum Estadual dos Pontos de Cultura pretende, ao final, produzir um relatório com propostas e diretrizes que servirão de subsídio para o V Fórum Nacional e para a 6ª Teia Nacional da Cultura Viva. As recomendações devem incluir mecanismos de financiamento, estratégias de formação continuada, ações de inclusão digital e metas de redução de impacto ambiental para a cadeia produtiva cultural.









