O sul-mato-grossense Yeltsin Jacques passou a integrar o Guinness World Records 2026 depois de estabelecer a melhor marca mundial dos 1.500 metros na classe T11 durante os Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024. O corredor cruzou a linha de chegada em 3min55s82, superando o tempo que ele mesmo havia registrado três anos antes, em Tóquio, quando marcou 3min57s60.
Com o resultado, o brasileiro garantiu o bicampeonato paralímpico na distância e tornou-se oficialmente recordista mundial da prova para atletas com deficiência visual total. A confirmação do feito pelo livro dos recordes representa mais um capítulo na trajetória de duas décadas do paratleta, natural de Campo Grande, que soma agora quatro medalhas em Jogos Paralímpicos.
Desempenho decisivo na capital francesa
A final dos 1.500 metros T11 em Paris foi marcada por ritmo intenso desde o início. Yeltsin manteve posição estratégica nas duas primeiras voltas e assumiu a liderança na terceira, momento em que abriu vantagem suficiente para administrar o desgaste até a reta final. A estratégia, executada em sintonia com o atleta-guia Guilherme Ademilson, evitou disputas diretas nos metros derradeiros e assegurou a quebra do recorde anterior.
Além do ouro e do novo tempo de referência, Yeltsin conquistou a medalha de bronze nos 5.000 metros T11. O pódio da prova mais longa ganhou dimensão especial porque o corredor chegou a Paris lidando com uma lesão e uma virose, fatores que comprometeram parte de sua preparação. Mesmo assim, manteve a confiança no desempenho na distância mais curta, o que se confirmou na pista do Estádio Charléty.
Evolução de marcas e conquistas
A marca de 3min55s82 representa redução de 1s78 em relação ao recorde firmado nos Jogos de Tóquio 2020, quando Yeltsin já havia escrito seu nome na história do atletismo paralímpico brasileiro ao garantir dois ouros — 5.000 m e 1.500 m —, a última delas responsável pela centésima medalha de ouro do Brasil em Paralimpíadas.
Com o resultado em Paris, o atleta alcança o bicampeonato na prova e reforça a posição do Brasil no cenário paralímpico. Atualmente, o país é apontado como a quinta principal potência dos Jogos, reflexo de investimentos em estrutura, programas de base e desenvolvimento de guias especializados.
Papel do atleta-guia
Responsável pela condução e pelo ritmo da prova, Guilherme Ademilson destacou a importância da comunicação precisa durante os 1.500 metros. Segundo ele, a curta duração da prova exige que cada decisão seja tomada sem margem de erro. O planejamento de quatro anos priorizou ajustes de cadência, sinalização na curva e distribuição de energia, pontos que se alinharam na final parisiense.
Na classe T11, atletas competem vendados e dependem integralmente da orientação do guia, conectado por uma corda de aproximadamente 30 centímetros. Qualquer descompasso pode gerar perda de segundos decisivos ou até desclassificação. A execução bem-sucedida do plano A, como definiu Guilherme, foi essencial para que o recorde mundial fosse alcançado.
Reconhecimento prolongado
A inclusão no Guinness World Records consolida o nome de Yeltsin Jacques em um registro internacional de feitos esportivos. Para o corredor, o reconhecimento simboliza a recompensa por 20 anos de treinamento contínuo e serve de estímulo para novos objetivos. Ele ressalta, ainda, o orgulho de levar o nome de Mato Grosso do Sul a um palco global.
No histórico do corredor constam agora quatro medalhas paralímpicas — três ouros e um bronze — além de recordes que reforçam sua posição entre os principais atletas da classe T11. O resultado obtido em Paris, homologado pela entidade mundial responsável por estatísticas de recordes, eleva o patamar pessoal do atleta e contribui para o prestígio do atletismo paralímpico brasileiro.
Com calendário internacional em andamento, Yeltsin concentra-se na manutenção da forma física e na prevenção de lesões, pontos considerados cruciais para defender o título nos próximos campeonatos mundiais e para voltar à Paralimpíada de Los Angeles, em 2028. O recorde obtido na capital francesa passa a ser a marca a ser batida por futuros competidores, enquanto o brasileiro segue trabalhando para reduzir ainda mais o próprio tempo.









