Motoristas de Três Lagoas, cidade do interior de Mato Grosso do Sul, seguem trafegando em alta velocidade mesmo com a presença de centenas de lombadas distribuídas pelo município. A constatação, descrita em editorial do Jornal do Povo que circulou neste sábado (24), reforça a preocupação de autoridades e da população com a segurança viária local.
De acordo com o texto, trechos retilíneos sem valetas ou depressões funcionam como verdadeiras pistas de corrida. Nas primeiras horas do dia, especialmente entre 6h e 7h, o fluxo se intensifica: condutores atrasados tentam recuperar tempo perdido rumo ao trabalho ou à escola, enquanto pais transportam crianças na garupa de bicicletas elétricas cuja segurança é questionada.
A situação não se limita a veículos particulares. Ônibus contratados por fábricas de celulose, que operam em diferentes turnos, também extrapolam frequentemente o limite regulamentar de 40 km/h. Motociclistas, entre eles entregadores remunerados por entrega concluída, completam o quadro de risco ao exceder a velocidade permitida e desafiar a fiscalização.
O resultado diário, segundo o editorial, são acidentes que variam de leves a graves, colocando em xeque a segurança coletiva e sobrecarregando os serviços de saúde. Diante desse cenário, o texto sustenta que a simples orientação já não basta e defende ações repressivas mais contundentes contra motoristas infratores.
Propostas para conter o avanço
Uma das medidas sugeridas é o reforço da estrutura de fiscalização. Além dos radares fixos já instalados, o veículo de comunicação argumenta que o município deveria adquirir equipamentos móveis capazes de registrar infrações em pontos estratégicos ou horários de maior movimento. A alternativa permitiria ampliar a cobertura e reduzir a sensação de impunidade, considerada um dos fatores que estimulam o desrespeito às normas.
O editorial também defende a aplicação de multas e, quando cabível, o recolhimento do veículo como formas de dissuasão. Para o jornal, penalidades que afetem diretamente o bolso do condutor têm potencial de modificar comportamentos de forma mais rápida do que campanhas educativas isoladas. A publicação afirma, contudo, que o objetivo não é criar uma “indústria da multa”, mas preservar vidas e promover um trânsito mais seguro.
Educação versus punição
A discussão sobre limites de velocidade e acidentes em Três Lagoas não é nova. Autoridades locais frequentemente apontam a necessidade de combinar educação no trânsito, melhoria na sinalização e fiscalização efetiva. Entretanto, o editorial avalia que o estágio atual de desrespeito torna indispensável priorizar ações punitivas, ainda que sem abandonar a vertente educativa.
Há indícios, segundo o texto, de “falta de urbanidade” entre condutores, que ignoram regras de circulação e avançam mesmo em áreas de grande fluxo de pedestres. A observação reforça a percepção de que parte dos motoristas compreende as normas, mas opta por descumpri-las diante da baixa probabilidade de ser autuado.
Impacto na mobilidade urbana
O excesso de velocidade afeta não apenas a segurança, mas também a mobilidade. Veículos mais rápidos exigem maior distância de frenagem, aumentam o risco de colisões e contribuem para a sensação de insegurança em vias compartilhadas com ciclistas e pedestres. Em Três Lagoas, esse efeito é amplificado pela utilização de bicicletas elétricas para transporte escolar informal, prática que preocupa especialistas em trânsito.
Outro ponto levantado é o comportamento de ônibus ligados ao setor de celulose, atividade econômica relevante no município. Como precisam cumprir rotas em horários fixos, alguns motoristas aceleram para manter a pontualidade, ampliando o perigo em vias onde o limite é de 40 km/h. O texto sugere que empresas contratantes e órgãos fiscalizadores compartilhem responsabilidades, estabelecendo rotinas mais rígidas de controle de velocidade para esses veículos.
Possíveis próximos passos
Embora não haja anúncio oficial de novas iniciativas, a mensagem central do editorial é um apelo para que órgãos de trânsito reforcem a vigilância e adotem tecnologias que permitam flagrar infratores em tempo real. O jornal avalia que medidas como campanhas educativas, instalação de radares móveis e aplicação de penalidades alinhadas ao código de trânsito podem reduzir a frequência de acidentes no município.
Enquanto isso, o cotidiano da cidade segue marcado por corridas improvisadas nas avenidas, mesmo com dispositivos físicos pensados para moderar a velocidade. A efetividade de novas estratégias dependerá da articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil para transformar as ruas de Três Lagoas em espaços mais seguros para motoristas, ciclistas e pedestres.









