Um morador de 84 anos de Eldorado, município de Mato Grosso do Sul, registrou na delegacia um prejuízo de R$ 10 mil depois de atender a uma ligação que se passou por atendimento de uma cooperativa de crédito. A fraude, enquadrada como estelionato contra idoso, foi cometida por uma mulher que utilizou argumentos técnicos para induzir a vítima a realizar procedimentos no aplicativo bancário.
De acordo com o boletim de ocorrência, a chamada partiu de um número com prefixo 19, origem comum na região de Campinas (SP). A interlocutora afirmou representar a instituição financeira onde o idoso mantém conta e disse ter detectado uma “tentativa de compra suspeita” que precisaria ser bloqueada imediatamente. Sob a justificativa de impedir prejuízos maiores, solicitou dados pessoais e orientou a execução de comandos no aplicativo, incluindo o reconhecimento facial.
Convencido de que estava em contato com a central oficial, o idoso forneceu as informações solicitadas e seguiu cada passo indicado pela suposta funcionária. Esse tipo de abordagem, segundo a Polícia Civil, é frequente em fraudes telefônicas: o criminoso cria sensação de urgência, oferece solução rápida e conduz a própria vítima a autorizar movimentações financeiras.
Após encerrar a ligação, o idoso desconfiou do procedimento e acessou novamente a conta pelo aplicativo. Nesse momento, constatou uma transferência de R$ 10 mil para a conta de um destinatário que não conhece, identificado apenas pelo nome de um homem. Abalado, ele procurou o filho, que recomendou o registro imediato de ocorrência.
No documento policial, a infração foi classificada como estelionato contra idoso, crime que possui agravante em razão da vulnerabilidade da vítima. A investigação buscará rastrear o caminho do dinheiro transferido e identificar a pessoa que fez a ligação. As autoridades destacam que, embora a chamada tenha partido de um prefixo específico, golpistas costumam utilizar números de diferentes localidades para dificultar o rastreamento.
A Polícia Civil ressalta que nenhum banco ou cooperativa de crédito solicita senhas, tokens ou reconhecimento facial por telefone. Procedimentos de segurança são realizados exclusivamente em canais oficiais, e sempre mediante iniciativa do cliente ou dentro do aplicativo sem intervenção de terceiros. O órgão recomenda que qualquer contato recebido com alegações de compra não reconhecida, bloqueio de conta ou necessidade de atualização cadastral seja verificado diretamente com o banco, utilizando os números fornecidos no cartão ou no site oficial.
Especialistas em segurança digital alertam que criminosos coletam informações básicas sobre a vítima — como nome completo, CPF e instituição onde mantém conta — para conferir legitimidade ao discurso. Durante a conversa, utilizam termos técnicos, mencionam supostos protocolos e mantêm postura segura, estratégias que aumentam a confiança do interlocutor.
No caso registrado em Eldorado, o uso do reconhecimento facial foi determinante para efetivar a fraude. Orientado a fazer a leitura biométrica como parte do “bloqueio”, o idoso na prática autorizou a transação de transferência. Segundo peritos, esse método dispensa a digitação de senhas e acelera o acesso do golpista à conta.
A polícia recomenda que familiares acompanhem com regularidade movimentações bancárias de parentes idosos e conversem sobre práticas de prevenção. Entre as orientações, estão: não fornecer dados pessoais por telefone, não clicar em links recebidos por mensagens, desconfiar de solicitações de urgência e, em caso de dúvida, encerrar a ligação e ligar novamente para o canal oficial.
Caso o cliente perceba movimentação suspeita, a orientação é contatar imediatamente a instituição financeira, solicitar bloqueio das transações e registrar boletim de ocorrência. Essas providências são essenciais para viabilizar as investigações e aumentar as chances de recuperação dos valores.
O episódio em Eldorado se soma a outros registrados no estado, demonstrando a evolução dos golpes que visam principalmente o público idoso. A Polícia Civil afirma que segue monitorando denúncias e intensificará ações de conscientização, além de reiterar que qualquer informação que possa levar à identificação dos responsáveis pode ser encaminhada de forma anônima.
Até a conclusão das investigações, o idoso permanece aguardando retorno da cooperativa sobre eventuais ressarcimentos. Não há, por enquanto, informações sobre bloqueio de contas ou recuperação parcial do montante desviado.









