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Cuidados simples evitam otite, insolação e diarreia nas férias de verão infantis

As altas temperaturas registradas nos últimos meses têm reforçado o alerta para as chamadas doenças de verão, que aparecem com mais frequência nos consultórios pediátricos e podem transformar as férias das crianças em motivo de preocupação para as famílias. De acordo com o pediatra José Augusto Morila Guerra, que atua há quase cinco décadas, otite, insolação — frequentemente acompanhada de desidratação — e diarreia figuram entre os principais atendimentos nesse período.

Otite: água acumulada favorece infecções

A otite lidera a lista de ocorrências citadas pelo especialista. Durante as férias, é comum que crianças passem horas em piscinas, rios ou no mar. O contato prolongado com a água facilita a entrada de umidade no ouvido externo, criando ambiente favorável à proliferação de bactérias. Segundo Guerra, o tratamento costuma ser simples, mas a dor pode ser intensa e afastar a criança das atividades por vários dias.

Esse foi o caso da professora Brunna Rocha, cuja filha Manuela precisou de dez dias de antibiótico após desenvolver infecção de ouvido. “Ela adora mergulhar; quando reclamou de dor, procurei atendimento imediatamente”, relatou a mãe. Para reduzir o risco da doença, o médico indica secar cuidadosamente os ouvidos após cada banho ou mergulho e procurar avaliação profissional se o desconforto persistir.

Insolação e desidratação: exposição solar em horários inadequados

O segundo grupo de problemas apontado pelo pediatra envolve insolação e desidratação, condições diretamente ligadas à exposição intensa ao sol. Guerra observa que muitas crianças passam grande parte do dia ao ar livre e, não raro, em horários de radiação mais forte. Ao fim do dia, podem apresentar febre, mal-estar e sinais de perda de líquidos.

Para prevenir essas ocorrências, o especialista recomenda:

  • Evitar atividades sob o sol entre 10h e 16h;
  • Reforçar o uso de protetor solar, reaplicando-o conforme a orientação do fabricante;
  • Oferecer água em intervalos curtos, mesmo que a criança não peça;
  • Substituir sucos industrializados por água, água de coco ou sucos naturais sem adição de açúcar.

A hidratação contínua, somada a períodos de descanso em locais sombreados, ajuda a impedir a elevação excessiva da temperatura corporal. Nos casos em que surgem sintomas como tontura, cefaleia, pele quente ou sensação de fraqueza, o ideal é buscar assistência médica para avaliação e reposição de líquidos.

Diarreia: cuidado redobrado com a alimentação

Com o clima quente, alimentos perecíveis perdem a qualidade com maior rapidez, o que eleva o risco de infecções gastrointestinais. A diarreia ocupa, segundo Guerra, a terceira posição entre as queixas mais comuns nos atendimentos pediátricos durante o verão. O quadro pode incluir vômitos, cólicas e, em algumas situações, levar à desidratação.

Para reduzir as chances de contaminação, o pediatra sugere:

  • Manter alimentos refrigerados até o momento de consumo;
  • Evitar pratos pesados ou com molhos à base de maionese em ambientes externos;
  • Lavar frutas e verduras em água corrente antes do preparo ou ingestão;
  • Priorizar refeições leves, ricas em frutas, legumes e proteínas de fácil digestão.

Se a criança apresentar diarreia, a orientação inicial é oferecer água, soro de reidratação oral ou água de coco em pequenas quantidades e com frequência. Persistindo os sintomas ou surgindo sinais de desidratação — como diminuição do volume urinário ou boca seca —, é necessário procurar atendimento profissional.

Planejamento e prevenção preservam o período de descanso

As férias escolares costumam ser programadas com antecedência pelas famílias, mas a inclusão de medidas preventivas no planejamento pode evitar imprevistos. O pediatra enfatiza que, apesar de serem frequentes, as doenças de verão podem ser evitadas com cuidados simples, envolvendo hidratação constante, proteção solar, higiene alimentar e atenção aos primeiros sinais de desconforto.

O acompanhamento em tempo adequado reduz complicações e garante que crianças e responsáveis possam desfrutar do período de descanso sem interrupções. A adoção diária desses cuidados, segundo o especialista, é suficiente para manter a saúde dos pequenos e evitar visitas inesperadas ao pronto-atendimento.

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