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Caminhoneiro inventa sequestro para não pagar dívida de R$ 2,5 mil em boate e acaba detido pela PRF

Um caminhoneiro de 44 anos foi detido na madrugada do último sábado, em Paranaíba (MS), depois de mobilizar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil com um falso relato de sequestro. O objetivo, segundo ele próprio confessou, era escapar do pagamento de uma despesa de R$ 2.500 em uma boate instalada às margens da BR-158.

A ocorrência começou por volta de 1h15, quando o investigador de plantão da Polícia Civil comunicou à PRF que uma transportadora havia informado o possível sequestro de um de seus motoristas. O rastreador do cavalo-trator Scania indicava a última posição do veículo nas proximidades do km 100 da rodovia.

Minutos depois, às 1h30, o Centro de Controle de Operações da Way 112 registrou uma suposta tentativa de assalto no Posto Daniel, com relatos de disparos de arma de fogo. As equipes foram enviadas ao local, mas os funcionários negaram qualquer ocorrência dessa natureza. A checagem inicial já levantou dúvidas sobre a veracidade da denúncia.

Na sequência, os policiais se deslocaram ao Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) localizado no km 100 da BR-158. Ali encontraram o caminhoneiro recebendo atendimento ambulatorial para um corte na cabeça. O conjunto veicular estava estacionado no pátio, atrelado aos dois semirreboques.

A primeira versão do motorista indicava que ele teria sido rendido por homens armados enquanto descansava perto do Posto Trevão. Segundo o relato, os criminosos teriam exigido R$ 2.500 por meio de transferência eletrônica para liberá-lo. A vítima relatou ainda que, durante a fuga, um disparo teria quebrado o vidro da cabine, originando o ferimento.

Levada à Santa Casa de Paranaíba, a vítima recebeu sutura no ferimento antes de ser encaminhada à Delegacia de Polícia Civil. Durante o depoimento, entretanto, o motorista mudou a narrativa e admitiu ter inventado toda a história.

De acordo com a versão verdadeira, o motorista passou parte da noite em uma boate às margens da BR-158. Ao receber a conta de R$ 2.500, discutiu com funcionários sobre o valor e deixou o local sem pagar. Em tentativa de retenção, alguém arremessou uma pedra contra o caminhão, quebrando o vidro lateral e provocando o corte na cabeça do condutor. Para justificar o dano ao patrão e acionar socorro, ele decidiu comunicar um sequestro fictício.

No decorrer das apurações, a PRF encontrou indícios que desmontaram o suposto crime. A chave PIX indicada para o pagamento do “resgate” correspondia ao CPF da proprietária da casa noturna. Além disso, não havia marcas de disparos de arma de fogo no veículo, apenas o impacto de objeto contundente.

Durante a abordagem, o caminhoneiro foi submetido ao teste do etilômetro, que apontou teor alcoólico superior ao permitido pela legislação de trânsito. Por esse motivo, além da falsa comunicação de crime, ele também foi autuado por conduzir veículo sob influência de álcool.

Os órgãos responsáveis registraram as infrações aplicáveis. A PRF lavrou o auto de infração pelo consumo de álcool ao volante, enquanto a Polícia Civil instaurou inquérito pelos crimes de falsa comunicação e eventual prejuízo causado à administração pública pela mobilização indevida de efetivo.

O caminhão foi liberado para a transportadora após as providências de praxe. Já o motorista permaneceu à disposição da Justiça em Paranaíba. Segundo a legislação, a falsa comunicação de crime pode resultar em pena de detenção de um a seis meses ou multa, sem prejuízo de outras responsabilizações cíveis e administrativas.

O caso segue em investigação na Delegacia de Polícia Civil do município. O inquérito deverá apurar se a boate pretende representar criminal ou civilmente contra o condutor pela tentativa de fraude no pagamento da despesa.

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