O valor do metro cúbico empilhado de eucalipto clonal, medido em metro estéreo (mst), subiu 30,6% em Mato Grosso do Sul no intervalo de um ano, refletindo a forte procura da indústria de celulose instalada no estado.
Levantamento do Departamento Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) aponta que o preço médio, considerando a modalidade “árvore em pé com casca”, passou de R$ 137,47 em novembro de 2024 para R$ 179,46 em novembro de 2025. Os dados integram o boletim Casa Rural – Florestas Plantadas, divulgado em janeiro.
A pesquisa coletou informações junto a sete empresas que atuam em segmentos distintos da cadeia florestal, tanto compradoras quanto vendedoras de madeira. As consultas se concentraram nas regiões de Campo Grande e Três Lagoas, áreas responsáveis por expressiva parcela da produção de eucalipto no estado.
De acordo com o boletim, a valorização do mst vem sendo registrada de forma consistente em diversos municípios sul-mato-grossenses. O fator predominante é o incremento contínuo da demanda por madeira destinada à fabricação de celulose, insumo fundamental para a produção de papéis e derivados.
O documento também destaca que projetos de expansão industrial devem sustentar o ritmo atual de consumo. Entre eles, a construção de uma nova fábrica de celulose da Bracell, em Bataguassu, é apontada como um elemento que tende a manter o mercado aquecido nos próximos anos.
Com 1,89 milhão de hectares ocupados por florestas de eucalipto, distribuídos em 74 municípios, Mato Grosso do Sul consolidou um expressivo parque florestal. A maior concentração de plantios situa-se na faixa leste do território, região onde se formou o denominado “cluster da celulose”, caracterizado pela proximidade entre áreas de cultivo e unidades industriais.
Dados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA) detalham a divisão da área plantada. Ribas do Rio Pardo lidera o ranking estadual, reunindo 26,8% dos cultivos, o equivalente a cerca de 506,5 mil hectares. Em seguida aparecem Três Lagoas, com 19,2% (aproximadamente 362,8 mil hectares), e Água Clara, que responde por 10,5% (cerca de 198,4 mil hectares).
A demanda por madeira de eucalipto para celulose tem gerado efeito direto sobre o preço da matéria-prima, que se mantém em trajetória de alta mesmo diante de oscilações em outros segmentos do agronegócio. A oferta, por sua vez, é condicionada ao ciclo de crescimento das árvores, o que reduz a possibilidade de ajuste rápido da produção frente à expansão do consumo.
O cenário monitorado pela Famasul indica que a combinação de novos investimentos industriais com a atual estrutura de plantios sustenta perspectivas de continuidade na valorização do mst. Entretanto, o boletim ressalta que o mercado permanece suscetível a fatores como custos de produção, logística e variações cambiais, que podem influenciar tanto a rentabilidade do produtor quanto a competitividade das empresas processadoras.
Enquanto isso, municípios que compõem o cluster da celulose mantêm políticas voltadas à expansão de plantios e à atração de novos empreendimentos, reforçando o papel do setor florestal na economia estadual. A evolução da demanda e dos preços seguirá sendo monitorada pelos agentes da cadeia, que acompanham indicadores de oferta de madeira, andamento de obras industriais e tendências do mercado global de celulose.









