O Brasil ultrapassou, ainda no decorrer do mês, o volume total de carne bovina exportado em janeiro de 2025. Segundo estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 183,78 mil toneladas foram embarcadas até o momento, superando o resultado integral alcançado no mesmo período do ano passado. O avanço reflete uma elevação de 40,1% na média diária, que passou de 8,2 mil toneladas para 11,5 mil toneladas.
Além do crescimento no volume, os dados indicam melhora consistente nos preços. O valor médio por tonelada exportada aumentou 10,9%, de US$ 5.028,7 em janeiro de 2025 para US$ 5.576,8 em 2026. Com a combinação de preços mais altos e maior quantidade embarcada, a receita cambial apresentou salto de 55,4%, alcançando US$ 1,024 bilhão, frente aos US$ 906,8 milhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
Especialistas da cadeia pecuária apontam múltiplos vetores para o desempenho positivo. A indústria frigorífica brasileira ajustou de forma estratégica sua pauta de vendas externas em resposta a barreiras comerciais e salvaguardas impostas por grandes compradores, como China e México. Paralelamente, o quadro de oferta global segue limitado, ainda que distante de uma situação de escassez. Esse contexto permite que o produto brasileiro conquiste preços superiores e amplie a participação nos principais destinos internacionais.
A logística eficiente e a capacidade produtiva dos frigoríficos têm sido decisivas para atender a demanda externa de maneira ágil. O crescimento da média diária embarcada reflete planejamento preciso, cumprimento de prazos e robustez operacional, fatores considerados essenciais para manter a competitividade em um mercado cada vez mais exigente quanto a qualidade sanitária e regularidade de abastecimento.
O desempenho nacional encontra eco em estados de forte vocação pecuária, com destaque para Mato Grosso do Sul. Informações da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado mostram que, de janeiro a agosto de 2025, as exportações de carne bovina fresca representaram 15,07% do total vendido ao exterior, percentual equivalente a US$ 1,09 bilhão dentro de um montante geral de US$ 7,24 bilhões. Na comparação com igual período de 2024, o incremento do segmento foi de 43,7%.
Esse ritmo de crescimento também se refletiu no saldo externo estadual. No primeiro quadrimestre de 2025, o produto foi um dos principais responsáveis pelo superávit comercial de US$ 2,46 bilhões. O resultado fortalece a relevância econômica da cadeia bovina para a balança regional e evidencia a importância de políticas que preservem a competitividade do setor.
O avanço no preço médio reforça o posicionamento do país como fornecedor de carne bovina de maior valor agregado. Cortes premium têm sido cada vez mais demandados por mercados que remuneram melhor atributos como conformidade sanitária, rastreabilidade e sustentabilidade. Com a sustentação de patamares remuneradores, frigoríficos e pecuaristas encontram ambiente favorável para novos investimentos em genética, nutrição e tecnologia de processamento.
Analistas avaliam que, no curto prazo, a trajetória de preços deve permanecer firme, apoiada pela oferta global ajustada e pela recuperação gradual do consumo em importantes economias. Entretanto, alertam para a necessidade de monitoramento constante de possíveis mudanças nas políticas comerciais de países importadores, que podem influenciar o ritmo de embarques e o nível de remuneração aos produtores brasileiros.
Para o primeiro trimestre de 2026, a perspectiva é de continuidade da expansão das vendas externas, sustentada pela combinação de demanda sólida em mercados tradicionais e pela abertura de novas praças. Caso as condições de mercado se mantenham, o setor projeta incremento adicional na receita, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial e para a geração de renda nas principais regiões produtoras do país.









