Dourados (MS) — Uma ação da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Dourados resultou, na manhã desta terça-feira (27), na prisão de um homem de 22 anos e na apreensão de um adolescente de 17, suspeitos de participar de um ataque com disparos de arma de fogo contra uma residência localizada na Vila Cachoeirinha. A ofensiva ocorreu na noite de domingo (25), às 23h37, e foi registrada inicialmente na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) da cidade.
De acordo com o boletim de ocorrência, o morador do imóvel relatou aos policiais que dormia ao lado da esposa quando ouviu o estilhaçar de uma vidraça. Em seguida, escutou dois disparos de arma de fogo vindos do lado de fora da casa. O casal não foi atingido, mas danos materiais foram constatados no local. Minutos antes dos tiros, câmeras de segurança instaladas nas proximidades captaram imagens de dois indivíduos arremessando pedras contra portas e janelas, além de proferirem ameaças verbais à família.
O depoimento do proprietário apontou ainda que aquela não foi a primeira ocorrência envolvendo atos de violência contra o mesmo endereço. Segundo o registro, ele havia comparecido à delegacia em data anterior para denunciar situação semelhante, também caracterizada por depredação e intimidações. A reincidência, segundo a Polícia Civil, reforçou a necessidade de rápida identificação dos suspeitos, em razão do risco potencial para os moradores.
Após analisar os vídeos coletados no entorno da casa e confrontar as informações com registros anteriores, investigadores da 1ª Delegacia conseguiram reconhecer os possíveis autores. O trabalho de inteligência indicou que ambos costumavam circular na região conhecida como favela Campina Verde, área próxima ao local do atentado. Com base nesses dados, equipes se deslocaram para o endereço na manhã desta terça e localizaram os dois jovens.
O homem de 22 anos foi preso em flagrante e encaminhado à unidade policial, onde prestou depoimento. Já o adolescente, por ter menos de 18 anos, foi apreendido e encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Infância, Juventude e Idoso (Deaiji), conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil informou que, durante a abordagem, não foram encontrados armamentos nem munições, mas declarou que as investigações prosseguem para tentar localizar a arma utilizada no crime.
Testemunhas ouvidas pelos agentes confirmaram a ocorrência dos disparos e a presença dos dois suspeitos nas imediações da casa atacada. A polícia trabalha agora para esclarecer a motivação do atentado, se houve participação de terceiros e se existe relação com outras ocorrências registradas no mesmo bairro. Peritos criminais estiveram na residência para coletar vestígios, como projéteis e marcas de impacto, que serão submetidos a exames balísticos.
O delegado responsável pelo inquérito afirmou que o caso é tratado como tentativa de homicídio e disparo de arma de fogo em via pública, somados aos crimes de dano qualificado e ameaça. No âmbito da Justiça comum, o homem preso pode responder pelos artigos correspondentes do Código Penal. O adolescente deverá ser apresentado ao Ministério Público, que avaliará a aplicação de medidas socioeducativas conforme a gravidade dos atos infracionais atribuídos a ele.
Além das diligências no campo, a Polícia Civil solicitou à concessionária de energia o envio de dados sobre possíveis oscilações no momento dos disparos, a fim de verificar se as pedras ou os tiros atingiram a fiação. A medida busca identificar riscos adicionais à vizinhança e prevenir novas ocorrências de violência no local.
Moradores da Vila Cachoeirinha relataram preocupação com a sequência de episódios violentos registrados recentemente no bairro. Contudo, a corporação reforçou que mantém patrulhamento ostensivo na área e pediu à população que repasse informações que possam contribuir para o esclarecimento total do caso. Denúncias anônimas podem ser feitas tanto pelo telefone 190, da Polícia Militar, quanto pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil.
Os autos de prisão em flagrante e de apreensão do adolescente foram encaminhados ao Poder Judiciário ainda na tarde de terça-feira. A expectativa é de que o adulto participe de audiência de custódia nas próximas 24 horas, enquanto o menor deverá ser submetido a audiência de apresentação no mesmo período. Ambos continuam à disposição da Justiça.
A investigação permanece em curso para reunir provas complementares, localizar a arma empregada e confirmar ou descartar eventuais conexões com outras ocorrências semelhantes registradas em Dourados. Até a conclusão do inquérito, novas diligências poderão ser realizadas, incluindo oitiva de novas testemunhas e análises periciais adicionais.









