Um caso de raiva em animal de produção foi confirmado na zona rural situada entre os municípios de Coxim e Rio Verde, no norte de Mato Grosso do Sul. A detecção da doença levou órgãos de defesa sanitária e produtores locais a intensificarem medidas de prevenção para reduzir o risco de disseminação.
Sinal de alerta para propriedades da região
Após a confirmação laboratorial, equipes da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) visitaram propriedades vizinhas para comunicar o ocorrido e repassar orientações. O aviso destaca a necessidade de manter o calendário de vacinação contra raiva em dia e de monitorar atentamente o comportamento dos animais. Qualquer alteração deve ser reportada imediatamente às autoridades veterinárias.
A raiva é considerada uma zoonose grave, com letalidade próxima a 100% depois que os sinais clínicos se instalam. Quando atinge rebanhos, traz prejuízos econômicos e ameaça a saúde pública, já que o vírus também pode ser transmitido a seres humanos.
Sintomas que exigem atenção
Os técnicos listaram sinais clínicos que costumam aparecer em bovinos e outros animais de produção infectados:
- Isolamento em relação ao restante do rebanho
- Perda de apetite
- Dificuldade ou incapacidade de caminhar
- Andar cambaleante ou postura anormal
- Alterações neurológicas, como salivação excessiva e agressividade
- Morte em poucos dias após o início dos sintomas
Ao identificar qualquer um desses sinais, a recomendação é não tocar no animal suspeito, isolar a área e acionar imediatamente a defesa sanitária. A manipulação sem equipamentos adequados pode representar risco direto à saúde do produtor e de seus funcionários.
Origem da infecção e manejo de morcegos
De acordo com a fiscal estadual agropecuária Lorrana Reis Vieira, a principal forma de transmissão na região é a mordida de morcegos hematófagos, popularmente conhecidos como morcegos-vampiro. Esses animais se alimentam de sangue e, ao perfurarem a pele do gado, podem inocular o vírus.
A fiscal alerta que práticas inadequadas, como a destruição improvisada de abrigos de morcegos, podem agravar a situação. A perturbação dos refúgios força o deslocamento dos morcegos para outras áreas, ampliando o risco de contágio. “O controle dos abrigos deve ser realizado somente por equipes treinadas, com métodos específicos e produtos autorizados”, reforçou.
Produtores que identificarem a presença de colônias devem entrar em contato com a Iagro ou outra autoridade sanitária competente, evitando qualquer intervenção direta. O manejo correto inclui a aplicação de pasta anticoagulante em morcegos capturados, além do monitoramento das cavernas e ocos de árvores utilizados como dormitório pelas colônias.
Serviço gratuito e sem penalidades
Diante de casos suspeitos, o produtor não sofre multas, interdições ou outros tipos de penalidade ao comunicar a ocorrência. O atendimento oferecido pelas equipes estaduais engloba:
- Coleta de material para diagnóstico laboratorial
- Orientação técnica sobre vacinação de reforço e isolamento de animais
- Monitoramento sanitário do restante do rebanho
- Ações de controle de morcegos hematófagos, quando necessário
Todos esses procedimentos são custeados pelo poder público, não gerando despesas adicionais para o proprietário.
Vacinação continua obrigatória
A vacinação antirrábica de bovinos e equídeos é obrigatória em Mato Grosso do Sul, devendo ser reforçada anualmente ou conforme calendário definido pelo serviço veterinário oficial. Animais recém-adquiridos ou provenientes de áreas sem histórico de vacinação devem ser imunizados antes de serem introduzidos no rebanho.
Veterinários recomendam guardar notas fiscais e comprovações de compra da vacina, bem como registrar a data de aplicação. Esses documentos podem ser exigidos em eventuais fiscalizações e servem para comprovar a adoção das medidas preventivas.
Impacto econômico e orientações finais
Um único foco de raiva pode provocar perdas significativas, já que o animal infectado morre rapidamente e os companheiros de pasto precisam de reforço vacinal imediato. Além disso, o abate de emergência, exigido em determinadas situações, ocasiona descarte de carcaças e custos adicionais para descarte adequado.
Para evitar que a doença se espalhe, especialistas recomendam:
- Manter cobertura vacinal de 100% do rebanho
- Observar animais diariamente, sobretudo no período noturno, quando ocorrem ataques de morcegos
- Instalar e conservar telas ou cortinas de PVC em currais e abrigos que dificultem a entrada dos morcegos
- Adotar boas práticas de higiene e manejo no descarte de carcaças
- Registrar e informar imediatamente qualquer morte súbita ou nevrológica
A confirmação do foco entre Coxim e Rio Verde reforça a importância da vigilância permanente. Com vacinação em dia, identificação rápida dos sintomas e apoio das autoridades sanitárias, os produtores têm condições de reduzir o impacto econômico e preservar a saúde humana e animal na região.









