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Governo de Mato Grosso do Sul libera R$ 65 milhões para recuperar 89 km da MS-228 no Pantanal

O Governo de Mato Grosso do Sul autorizou a aplicação de R$ 65,1 milhões em obras de melhoria na rodovia MS-228, no município de Corumbá, região pantaneira do estado. O contrato, firmado entre a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e a empresa RR Ceni Terraplanagem Ltda., prevê a execução de revestimento primário em 89,506 quilômetros da via e o atendimento integral de condicionantes ambientais impostas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

O documento que oficializa a parceria foi assinado em 12 de fevereiro de 2026 pelo diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, e pelo representante da construtora, Rodrigo Ricardo Ceni. Após a emissão da Ordem de Início dos Serviços (OIS), a contratada terá 300 dias corridos para concluir a intervenção. A vigência contratual pode se estender por mais 120 dias, contados a partir do fim do prazo de execução, para a entrega e a conferência de todos os itens previstos.

Intervenção técnica

O projeto se concentra em trechos remanescentes da MS-228 localizados entre dois entroncamentos estratégicos na malha que corta o Pantanal sul-matogrossense. As frentes de trabalho contemplam o segmento do km 45,000 ao km 84,506 — ligação com a MS-184 — e o trecho do km 181,500 ao km 231,500 — conexão com a MS-423. Juntas, essas extensões totalizam 89,506 quilômetros que receberão novo revestimento primário, capaz de aumentar a resistência do leito da estrada, reduzir a formação de atoleiros no período chuvoso e minimizar a poeira na estação seca.

Além da melhoria do pavimento, o contrato inclui a construção de Obras de Arte Especiais (OAE), denominação técnica para estruturas como pontes, viadutos e bueiros de grande porte. Esses elementos são considerados essenciais para assegurar a drenagem adequada, evitar erosões e manter a estabilidade da pista em área sujeita a fortes variações de nível de água durante o ciclo de cheias e vazantes do Pantanal.

Licenciamento ambiental

Por atravessar um dos biomas mais sensíveis do país, a intervenção exigiu licenciamento prévio do Imasul. A Licença Prévia nº 16/2024 estabelece um conjunto de condicionantes que abrangem não apenas os 89,5 quilômetros a serem revitalizados, mas um raio mais amplo de 160,60 quilômetros de infraestrutura rodoviária. Entre as obrigações descritas estão monitoramento de fauna, controle de resíduos, prevenção de assoreamento em cursos d’água e adoção de técnicas que reduzam impactos sobre a vegetação nativa.

A Agesul será responsável pela fiscalização do cumprimento de cada item ambiental, em consonância com as determinações do órgão estadual de meio ambiente. O descumprimento de qualquer condicionante pode implicar sanções administrativas, suspensão das obras e até mesmo o cancelamento da licença.

Financiamento e cronograma

O valor global destinado ao contrato é de R$ 65.142.918,32. Desse total, R$ 1,8 milhão já está empenhado para mobilização de equipamentos, instalação de canteiros e execução das primeiras etapas de terraplenagem. O restante será liberado em parcelas, de acordo com a medição mensal dos serviços realizados e o avanço físico das frentes de trabalho.

Em termos de cronograma, a construtora deverá cumprir metas progressivas estipuladas pela Agesul, que incluem a conclusão do revestimento primário, a implantação das OAEs e a execução de sinalização vertical e horizontal. Qualquer atraso não justificado poderá acarretar aplicação de multas contratuais.

Impacto regional

A MS-228 integra a malha de acesso a fazendas, pousadas e comunidades ribeirinhas do Pantanal de Corumbá. O trecho atendido nesta fase de obras serve ainda como rota de escoamento de gado, insumos agropecuários e produtos turísticos. Com o novo revestimento, o governo estadual espera melhorar a segurança viária, reduzir custos de manutenção de veículos e ampliar a janela de trafegabilidade, especialmente durante o período de chuvas intensas, quando trechos de terra costumam ficar intransitáveis.

O investimento também deve reforçar a conexão com a MS-184 e a MS-423, ampliando a integração logística da região oeste do estado. Segundo a Agesul, a iniciativa se alinha ao plano estadual de infraestrutura rodoviária, que prevê intervenções graduais em vias não pavimentadas de grande relevância econômica e social.

Ao final dos 300 dias de execução e após a conclusão das etapas de verificação técnica, a rodovia remodelada deverá ser entregue com todas as exigências de engenharia e de proteção ambiental cumpridas. A expectativa do governo estadual é que a obra contribua para a dinamização de atividades produtivas no Pantanal, respeitando os parâmetros de conservação definidos pelos órgãos competentes.

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