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Mato Grosso do Sul antecipa ações e amplia estrutura para enfrentar incêndios florestais até 2026

A Secretaria de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul iniciaram, ainda no período de chuvas, a preparação da Operação Pantanal 2026, voltada ao combate de incêndios florestais no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica do Estado. O planejamento inclui manutenção preventiva de equipamentos, formação de novas equipes, investimento em tecnologias de monitoramento e reativação de bases estratégicas em áreas consideradas de maior risco.

A antecipação das ações ocorre antes da fase mais seca, quando a incidência de focos de calor costuma aumentar. Para 2026, projeções meteorológicas indicam maior probabilidade de eventos severos em razão da influência do fenômeno El Niño, responsável por elevar temperaturas médias e provocar irregularidade nas chuvas. Esses fatores ampliam a vulnerabilidade da vegetação e dificultam o controle do fogo.

Equipamentos revisados e tecnologia embarcada

Toda a frota utilizada nas operações – composta por caminhonetes, caminhões-tanque, embarcações e aeronaves – passa por revisão mecânica e atualização de sistemas de comunicação. Entre os equipamentos recém-incorporados estão drones com sensores térmicos capazes de identificar pontos de calor em áreas de difícil acesso. As imagens geradas auxiliam no direcionamento das equipes em terra e na definição de rotas de aeronaves de lançamento de água ou retardante.

Os drones também funcionam como ferramenta de vigilância preventiva, permitindo varreduras periódicas em regiões remotas. Quando um foco é detectado, a informação é enviada em tempo real para o centro de operações em Campo Grande, que aciona a base avançada mais próxima. Segundo a Diretoria de Proteção Ambiental, o objetivo é reduzir o tempo médio de resposta e impedir que chamas atinjam grandes proporções.

Bases avançadas em pontos estratégicos

O plano prevê a instalação ou reativação de postos fixos em áreas historicamente críticas, como as margens do rio Paraguai, na região de Corumbá, trechos da Serra da Bodoquena e proximidades do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. Cada base contará com equipes de prontidão, viaturas próprias para terreno alagado e kits de combate inicial ao fogo. A presença permanente de efetivo nessas localidades busca evitar deslocamentos longos a partir da capital ou de cidades-polo.

Além das estruturas físicas, estão sendo firmados acordos logísticos com proprietários rurais para o uso de pistas de pouso privadas por helicópteros de abastecimento rápido. O compartilhamento de recursos pretende agilizar operações aéreas em áreas afastadas dos aeroportos convencionais.

Formação de brigadas comunitárias

Outra frente de trabalho é a criação de brigadas em fazendas e assentamentos. Produtores, trabalhadores rurais e moradores das comunidades recebem capacitação sobre técnicas de prevenção, construção de aceiros e primeiros procedimentos de combate. A orientação inclui o uso correto de equipamentos de proteção individual e o acionamento imediato das autoridades em situações fora de controle. Com isso, o Estado busca ampliar a rede de vigilância e distribuir a responsabilidade pelo primeiro atendimento.

A iniciativa também abrange treinamentos específicos para guias de turismo e funcionários de pousadas localizadas dentro de unidades de conservação. Esses profissionais costumam ser os primeiros a perceber alterações no ambiente e podem fornecer informação precisa às equipes de resgate.

Queimas controladas em unidades de conservação

Para diminuir o volume de material combustível acumulado, a operação programou queimas prescritas em duas áreas protegidas: o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e o Parque das Nascentes do Rio Taquari. A técnica, realizada sob condições climáticas favoráveis e acompanhamento de especialistas, cria faixas de vegetação menos densa que funcionam como barreiras contra incêndios de grande extensão. O método já é adotado em outros biomas brasileiros e, segundo os responsáveis, apresenta bons resultados na redução da intensidade das chamas durante a estação seca.

Resultados e desafios recentes

No início deste ano, focos de incêndio alcançaram pontos próximos ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, à Serra da Bodoquena e ao município de Corumbá após um período prolongado de estiagem. A experiência reforçou a necessidade de preparação prévia, pois parte das equipes e dos equipamentos ainda estava em revisão quando as ocorrências começaram. Com a implementação dos novos protocolos, a expectativa é que situações semelhantes sejam atendidas com maior agilidade a partir de 2024 e, principalmente, durante o pico previsto para 2026.

De acordo com a coordenação da operação, o acompanhamento meteorológico será contínuo. Informações de satélite, estações automáticas e dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia serão reunidos em um painel atualizado diariamente. O monitoramento permitirá a emissão de alertas regionais, possibilitando ajustes rápidos nas escalas de plantão e nos deslocamentos das equipes.

Perspectivas para 2026

A Operação Pantanal 2026 atuará de forma integrada com órgãos federais, secretarias estaduais e prefeituras. O planejamento considera a expansão da malha de comunicação via rádio digital, a contratação temporária de brigadistas sazonais e a realização de exercícios simulados no início de cada período seco. A alocação de recursos financeiros está prevista no orçamento estadual, com complementação de verbas provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Com a junção de preparação técnica, participação comunitária e uso intensivo de tecnologia, o governo de Mato Grosso do Sul espera mitigar os impactos ambientais e econômicos dos incêndios florestais que historicamente afetam o Pantanal e os demais biomas do Estado. A fase atual concentra esforços na consolidação dessa estrutura, para que, até 2026, o sistema de resposta esteja totalmente operacional e capaz de atuar de forma preventiva e eficaz em todo o território sul-mato-grossense.

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