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Quaresma eleva procura por pescados e mantém preços estáveis em Três Lagoas

O início da quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, já provoca reflexos diretos no comércio de pescado em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A tradição religiosa de substituir a carne vermelha por peixe durante esse intervalo faz as vendas crescerem de forma imediata, especialmente às sextas-feiras e na Semana Santa, quando a procura atinge o pico anual.

Nas peixarias do município, a movimentação aumentou assim que o calendário litúrgico mudou. Proprietário de um dos estabelecimentos mais antigos da cidade, o comerciante Roberto Itiro observa que a demanda “automaticamente salta” assim que a quaresma tem início. Ele aponta tilápia, pintado e pacu como os líderes de venda, seguidos por piapara, salmão e bacalhau, mas reforça que os moradores continuam dando preferência a espécies de rio.

Mesmo com a intensificação do fluxo de clientes, os preços permanecem inalterados em relação ao ano passado. Conforme Itiro, manter o custo ao consumidor é uma estratégia para fidelizar o público e evitar qualquer percepção de alta sazonal. Nos balcões de sua peixaria, o quilo da posta de pintado segue cotado a R$ 69,90, enquanto o filé de tilápia continua a R$ 67,90, valores idênticos aos praticados em 2023.

O comerciante relata que, para não haver ruptura de estoque, foi feita uma compra antecipada maior do que nos demais meses do ano. Segundo ele, a reposição é planejada para garantir oferta regular até o Domingo de Páscoa, período em que a procura atinge o auge. A adoção desse planejamento logístico, afirma, assegura aos consumidores que não faltará produto nem será necessário reajustar valores de última hora.

Outro fator que deve contribuir para ampliar o volume disponível é a liberação da pesca, prevista para o início de março. A autorização oficial permitirá aos pescadores profissionais e amadores retomar a captura em rios da região, aumentando a oferta de peixes frescos nas próximas semanas. A retomada costuma alinhar-se ao pico da quaresma, reforçando o abastecimento justamente quando a procura mais cresce.

No bairro Jupiá, a comerciante Beth Rodrigues trabalha com a venda de pescado há mais de quatro décadas e confirma que o período quaresmal é o mais intenso para o setor. Ela relata expectativa positiva para a abertura da temporada de pesca, pois o marido é quem garante parte do suprimento oferecido pela família. De acordo com Beth, as vendas começam a subir logo após o carnaval e aceleram à medida que se aproxima a Semana Santa.

Os preços praticados por Beth também repetem a tabela de 2023. Em sua residência, que funciona como ponto de venda, o quilo do pintado é comercializado a R$ 39,50; o pacu inteiro sai por R$ 28; a costelinha, corte bastante procurado para fritura, é oferecida a R$ 38; já o filé de tilápia, um dos itens mais demandados, custa R$ 45. Segundo ela, a manutenção de valores ajuda a atrair clientes fiéis que procuram produto de qualidade sem oscilação de preço.

Embora salmão e bacalhau estejam entre as alternativas disponíveis, o mercado local continua dominado por espécies de água doce. Tilápia, pintado e pacu figuram como escolhas tradicionais para preparação assada, frita ou cozida, tanto em refeições familiares quanto em eventos religiosos previstos para a Semana Santa. A piapara aparece como opção para quem procura um peixe de rio menos exposto a variações de preço, mantendo estabilidade similar à dos itens mais populares.

Comércio e consumidores compartilharem a percepção de que a quaresma solidifica a importância cultural do pescado em Três Lagoas. Para os vendedores, o período concentra o melhor faturamento do ano; para os compradores, representa a oportunidade de cumprir preceitos religiosos sem impacto sobre o orçamento doméstico. A combinação de estoque reforçado, preços estáveis e tradição reforça a expectativa de que o mercado mantenha ritmo aquecido até o fim da Semana Santa.

Em meio a esse cenário, comerciantes acompanham de perto o cronograma de liberação da pesca para ajustar volumes de compra e evitar sobras após a Páscoa. A experiência de anos anteriores indica que, encerrada a quaresma, a demanda volta a níveis regulares. A intenção, portanto, é calibrar estoques de forma precisa, garantindo oferta adequada quando o consumo estiver mais alto e evitando excedentes que possam perder qualidade ou valor no período seguinte.

Até lá, peixarias e vendedores autônomos apostam no impulso proporcionado pela fé e pelo costume local para consolidar vendas. A expectativa comum entre os empresários do ramo é de que os próximos dias confirmem o comportamento histórico: crescimento constante até a Semana Santa, estabilidade de preços e renovação do hábito de consumir peixe como parte essencial das celebrações religiosas.

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