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Poluição do ar em Campo Grande cai drasticamente em 2025 após aumento das chuvas e redução de queimadas

O monitoramento anual realizado pela Estação de Qualidade do Ar da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) indica melhora expressiva nos indicadores de poluição atmosférica em Campo Grande ao longo de 2025. Conforme o relatório divulgado pela equipe coordenada pelo professor Widinei Alves Fernandes, a capital sul-matogrossense registrou apenas quatro dias com qualidade do ar classificada como moderada, todos dentro do primeiro nível de alerta. Em nenhum momento do ano os índices avançaram para as faixas de risco mais elevadas.

O quadro contrasta com o cenário observado em 2024. Naquele ano, a estação contabilizou 51 dias com algum grau de poluição: 28 foram enquadrados como moderados, 12 considerados ruins, 10 avaliados como muito ruins e, pela primeira vez, houve um dia com classificação péssima. A comparação aponta redução superior a 90 % na quantidade de dias críticos.

Principais poluentes monitorados

O estudo concentra-se sobretudo no material particulado fino (PM2,5), constituído por partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e associado a doenças respiratórias e cardiovasculares. Também são acompanhados os níveis de material particulado grosso (PM10), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2).

Segundo o professor Widinei, duas elevações diárias na concentração de poluentes são observadas de forma recorrente: por volta das 7h e das 18h, horários que coincidem com o maior fluxo de veículos nas vias próximas ao campus da UFMS. Esses picos reforçam a influência do trânsito urbano sobre a qualidade do ar na região.

Influência das condições climáticas

O relatório atribui a melhora verificada em 2025 ao aumento significativo do volume de precipitações. De janeiro a dezembro, foram registrados cerca de 1.980 milímetros de chuva, quase o dobro dos 947 milímetros computados em 2024. A maior umidade reduziu a ocorrência de queimadas e favoreceu a dispersão de partículas suspensas na atmosfera.

Os dados do sistema de monitoramento de focos de calor apontam queda acentuada no número de incêndios florestais e agrícolas em Mato Grosso do Sul: aproximadamente 1.800 registros em 2025 contra cerca de 13 mil no ano anterior. A redução das queimadas diminuiu a emissão de fumaça e outros poluentes, contribuindo de forma decisiva para o declínio dos índices de material particulado.

Período seco continua crítico

Apesar da melhora geral, o estudo ressalta que o intervalo entre junho e outubro permanece como fase de maior vulnerabilidade. A combinação de chuvas escassas, umidade relativa baixa e aumento das queimadas regionais tende a elevar temporariamente as concentrações de poluentes. A UFMS alerta que a manutenção de políticas de prevenção a incêndios e controles de emissão veicular continua essencial para evitar novos episódios de ar degradado.

Impacto na saúde pública

Crianças, idosos e pessoas com enfermidades respiratórias preexistentes são os primeiros a manifestar sintomas quando a qualidade do ar atinge o patamar moderado. Em níveis mais elevados, especialistas recomendam a suspensão de atividades físicas ao ar livre e a permanência em ambientes fechados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a poluição atmosférica esteja associada a mais de 4 milhões de mortes prematuras por ano em todo o planeta, reforçando a importância de políticas de mitigação.

Medidas sugeridas

Entre as ações consideradas fundamentais pelo coordenador da estação estão o combate efetivo às queimadas urbanas, a redução do uso excessivo de veículos motorizados e a ampliação de campanhas de conscientização sobre os impactos da poluição do ar. O relatório também destaca a necessidade de manutenção e expansão da rede de monitoramento para que a população tenha acesso a informações em tempo real, possibilitando medidas preventivas em dias de maior concentração de poluentes.

Com a combinação de chuvas acima da média, diminuição de incêndios e vigilância constante dos índices de qualidade do ar, Campo Grande encerrou 2025 com o melhor resultado da série histórica iniciada pela UFMS. A tendência, porém, depende da continuidade de ações integradas entre órgãos ambientais, setor de transporte, produtores rurais e comunidade para que os avanços registrados sejam mantidos nos próximos anos.

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