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Terceiro caso de raiva em morcegos neste ano acende alerta em Campo Grande

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande confirmou, nesta sexta-feira (20), o terceiro episódio de raiva em morcegos registrado em 2024. A detecção foi feita pela Gerência de Controle de Zoonoses (GCZ) após análises laboratoriais de três animais coletados nos bairros Vivendas do Bosque, Centro e Santa Fé.

Os exemplares foram localizados por moradores que perceberam comportamento atípico, como dificuldade de voo e permanência no solo durante o dia. Conforme o protocolo municipal, toda ocorrência envolvendo morcego em condição anormal é tratada como suspeita. Equipes da GCZ realizaram o recolhimento e encaminharam as amostras ao laboratório de referência, que identificou a presença do vírus da raiva em cada um dos espécimes.

Com a nova confirmação, as autoridades sanitárias reforçam a orientação para que a população não manipule esses animais, mesmo em situações que aparentem inofensividade. Segundo a equipe técnica, a maioria das espécies que vivem na cidade alimenta-se de frutos e insetos, comportamento que normalmente não coloca em risco cães, gatos ou pessoas. Ainda assim, esses mamíferos podem hospedar o vírus e transmiti-lo por mordidas ou arranhões.

A chefe do Serviço de Controle da Raiva e Outras Zoonoses, Maria Aparecida Conche, explica que o vírus se aloja em glândulas salivares e pode atingir rapidamente o sistema nervoso central de diferentes mamíferos. Por isso, qualquer contato direto é considerado situação de exposição. Em casos desse tipo, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde com atendimento ininterrupto para avaliação e possível início do esquema antirrábico pós-exposição.

Para reduzir o risco de disseminação, a Sesau destaca a importância da vacinação anual de cães e gatos. Animais domésticos devidamente imunizados funcionam como barreira sanitária entre a fauna silvestre e o ambiente urbano. Além das campanhas itinerantes realizadas nos bairros ao longo do ano, a vacina está disponível, sem custo, no Centro de Controle de Zoonoses, localizado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga. O serviço atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 21h, e aos fins de semana e feriados, das 6h às 22h.

Ao avistar um morcego caído ou voando em horários incomuns, a população deve tomar medidas simples de contenção: não tocar no animal, manter crianças e pets afastados, isolar o local e acionar a GCZ. Durante o horário de expediente, o contato pode ser feito pelos telefones do serviço; fora desse período, a orientação é cobrir o animal com um recipiente invertido ou caixa, se possível, e solicitar o recolhimento assim que a equipe retomar o atendimento.

Dados da Gerência de Controle de Zoonoses indicam que a ocorrência de raiva em morcegos costuma manter padrão estável no município, mas cada confirmação exige monitoramento rigoroso. O órgão realiza vistorias nos arredores onde o animal positivo foi encontrado para mapear outros possíveis focos e orientar moradores sobre cuidados adicionais. Nessas ações, os profissionais verificam a situação vacinal de cães e gatos, distribuem material informativo e recolhem morcegos que apresentem sinais de comprometimento neurológico.

O protocolo sanitário municipal prevê notificação imediata ao Ministério da Saúde para integração ao sistema nacional de vigilância da raiva. As informações consolidadas subsidiam políticas públicas de controle, como campanhas de imunização animal e atividades educativas em escolas e unidades básicas de saúde.

Embora a doença esteja controlada em cães e gatos no Brasil, a circulação do vírus em morcegos mantém a necessidade de vigilância permanente. A raiva é letal em praticamente 100% dos casos sintomáticos, tanto em humanos quanto em outros mamíferos. O tratamento profilático pós-exposição, quando iniciado em tempo adequado, é eficaz, mas depende da rápida identificação do contato.

Com o terceiro caso confirmado em 2024, a Sesau reforça que denúncias de morcegos em situação incomum são essenciais para o sucesso das ações de controle. O órgão orienta a comunidade a seguir rigorosamente as recomendações oficiais e manter a carteira de vacinação de animais de estimação atualizada. Dessa forma, é possível interromper a cadeia de transmissão do vírus e preservar a saúde coletiva.

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