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Cooperação pericial entre Brasil e Paraguai ganha novo impulso em Mato Grosso do Sul

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul recebeu, em Campo Grande, uma comitiva da Polícia Nacional do Paraguai para definir mecanismos que ampliem a integração pericial ao longo da fronteira entre os dois países. A visita ocorreu na sede do órgão estadual e reuniu representantes de ambos os governos, que avaliaram necessidades estruturais, desafios operacionais e impactos da futura Rota Bioceânica sobre a segurança pública regional.

Do lado paraguaio, participaram a comissária-geral Zunilda Ramona Escobar, diretora da Direção de Criminalística da Polícia Nacional, o chefe interino do Departamento de Criminalística de Amambay, Luis Carlos Espínola, o responsável pela Divisão de Identificação Humana, Lucio González, e o chefe de Gabinete do Departamento de Balística Forense, Héctor Barrios. Pela instituição sul-matogrossense, a recepção foi conduzida pelo coordenador-geral de Perícias, perito criminal Nelson Fermino Junior, acompanhado do coordenador-adjunto de Perícias, perito médico-legista Carlos Idelmar de Campos Barbosa, do diretor do Instituto de Criminalística, Emerson Lopes do Reis, e do assessor especial da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para assuntos da Rota Bioceânica, Luiz Alexandre Gomes da Silva.

Durante a reunião, as autoridades compararam as realidades estruturais das duas polícias científicas, mapearam gargalos logísticos e estabeleceram prioridades para atuação conjunta. O grupo destacou que a abertura do corredor rodoviário ligando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile tende a ampliar a circulação de pessoas, cargas e veículos na faixa de fronteira, exigindo respostas mais rápidas das equipes forenses em situações com repercussão transnacional.

Segundo os presentes, a transformação estratégica na dinâmica regional torna indispensável um modelo de trabalho orientado por planejamento, inteligência e cooperação internacional. Nesse contexto, o reforço das estruturas periciais nos municípios que integram o traçado da Rota Bioceânica foi apontado como medida essencial para garantir atendimento célere a ocorrências de natureza criminal ou acidental.

O encontro incluiu o compartilhamento de experiências recentes em perícias realizadas na Linha Internacional, especialmente em casos que envolveram cidadãos paraguaios em território brasileiro ou vítimas brasileiras em solo paraguaio. As equipes enfatizaram a necessidade de ampliar o intercâmbio de informações qualificadas, padronizar fluxos de trabalho e adotar protocolos compatíveis que permitam a comparação de resultados laboratoriais sem perda de tempo ou divergências metodológicas.

Outro tema em pauta foi a formalização de instrumentos de cooperação técnica, como memorandos de entendimento, destinados a conferir maior segurança jurídica e previsibilidade às ações conjuntas. As autoridades consideram que acordos documentados permitirão mobilizar recursos humanos e materiais de forma mais ágil, além de facilitar a troca de dados balísticos, perfis genéticos e registros de identificação humana.

Ao analisarem o cenário futuro, os representantes concordaram que a integração logística regional pode aumentar a complexidade dos crimes transfronteiriços, incluindo tráfico de drogas, contrabando de armas e delitos ambientais. Para enfrentar esse quadro, os peritos defenderam a criação de equipes mistas, treinamentos periódicos e investimentos em tecnologia compatível entre os dois sistemas de criminalística.

Dentro da estratégia estadual de fortalecer as relações internacionais na área de segurança pública, a Sejusp vem promovendo uma agenda de encontros bilaterais com forças policiais de países vizinhos. A visita da delegação paraguaia insere-se nesse esforço, que busca preparar as instituições para um cenário de maior integração econômica e social na região centro-sul do continente.

Como resultado imediato, ficou acordado que técnicos de Campo Grande e de Assunção elaborarão um cronograma de reuniões temáticas para detalhar procedimentos em balística forense, identificação humana e perícia em locais de crime. Também serão avaliadas possibilidades de capacitação compartilhada, com alternância de turmas nos laboratórios de ambos os lados da fronteira.

Ao final da agenda, os participantes reiteraram o compromisso de manter canais de comunicação abertos e de priorizar respostas integradas a ocorrências que ultrapassem limites territoriais. A expectativa é que as medidas definidas se convertam em protocolos operacionais até a plena operacionalização da Rota Bioceânica, reforçando a capacidade de investigação científica e a segurança de quem vive ou circula na linha que separa — e conecta — Brasil e Paraguai.

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