Letícia Couto, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), conquistou o primeiro lugar na categoria Estímulo do 2º Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A premiação, que será entregue em 5 de março na sede do CNPq, em Brasília, coloca Mato Grosso do Sul em destaque no cenário científico nacional ao reconhecer o trabalho da docente na área de Ciências da Vida.
Disputado por 684 pesquisadoras de todo o país, o prêmio foi dividido em quatro categorias voltadas ao fortalecimento da participação feminina na pesquisa. Na categoria Estímulo, destinada a cientistas que concluíram o doutorado a partir de 2010, Letícia Couto foi a vencedora em Ciências da Vida. A premiação é resultado de uma iniciativa que reúne o CNPq e parceiros nacionais e internacionais comprometidos com diversidade, equidade e valorização da produção científica liderada por mulheres.
Docente do Instituto de Biociências da UFMS, a pesquisadora coordena o Laboratório de Ecologia, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal. O grupo de pesquisa orienta-se para a restauração, a intervenção e a conservação dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, considerados estratégicos do ponto de vista ambiental e especialmente relevantes para o território sul-mato-grossense. Entre as linhas de investigação desenvolvidas no laboratório estão o monitoramento de áreas degradadas, a recuperação de paisagens após atividades antrópicas e a avaliação de indicadores de resiliência ecológica.
Ao saber do resultado, Letícia Couto destacou a relevância de um reconhecimento nacional concedido por um órgão de fomento à pesquisa. Segundo a professora, a premiação reforça a visibilidade das cientistas brasileiras, valoriza parcerias estabelecidas em diversos projetos e serve de incentivo a jovens estudantes que desejam seguir carreira na ciência. A docente também ressaltou que o prêmio amplia a representatividade feminina em disciplinas historicamente marcadas por desigualdade de gênero.
O Prêmio Mulheres e Ciência foi criado para aumentar a presença de pesquisadoras em todas as áreas do conhecimento, estimular a liderança feminina em projetos de alto impacto e disseminar referências de sucesso no meio acadêmico. Nesta segunda edição, o concurso recebeu inscrições de todas as regiões do Brasil. Cada candidata precisou encaminhar documentação comprobatória de produção científica, projetos recentes, participação em redes de pesquisa e ações de divulgação. Os trabalhos foram avaliados por comissões formadas por especialistas de diferentes instituições de ensino e pesquisa.
Além da categoria Estímulo, o prêmio contempla as categorias Destaque Júnior, Destaque Sênior e Meninas na Ciência. As vencedoras recebem certificado, troféu e apoio financeiro para a continuidade das pesquisas. A valorização de trajetórias femininas integra a estratégia do CNPq de promover inclusão e diversidade nos programas de fomento, em consonância com políticas públicas nacionais e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Na UFMS, a conquista de Letícia Couto é vista como reflexo do crescimento da produção científica local e do fortalecimento de grupos de pesquisa dedicados a temas ambientais. A universidade tem ampliado investimentos em infraestrutura laboratorial, bolsas de iniciação científica e internacionalização de projetos, o que favorece a participação de docentes e discentes em editais competitivos. O reconhecimento concedido pelo CNPq, portanto, reforça a relevância das pesquisas realizadas no estado e a contribuição da instituição para debates sobre conservação de ecossistemas.
Os resultados obtidos no Laboratório de Ecologia da UFMS envolvem cooperação com organizações governamentais, empresas e comunidades que atuam nas regiões do Pantanal e do Cerrado. Entre as atividades desenvolvidas estão campanhas de coleta de dados em campo, formação de redes de monitoramento e capacitação de moradores locais em práticas sustentáveis. Os projetos já resultaram em publicações em revistas científicas, manuais de boas práticas e recomendações para políticas de manejo ambiental.
A cerimônia de 5 de março reunirá as vencedoras das quatro categorias, representantes do CNPq e autoridades ligadas à ciência, tecnologia e inovação. Na ocasião, serão apresentados dados sobre a participação feminina na pesquisa brasileira e iniciativas para reduzir barreiras de acesso. Para Mato Grosso do Sul, a presença da professora Letícia Couto no evento simboliza o avanço das instituições regionais no campo científico e evidencia o potencial de impacto dos estudos desenvolvidos na UFMS.
Com a premiação, Letícia Couto passa a integrar um grupo de pesquisadoras que se tornaram referência nacional em suas áreas de atuação. A expectativa da docente é que o reconhecimento funcione como catalisador de novos financiamentos e colaborações, ampliando a capacidade de o laboratório contribuir para a recuperação de ecossistemas e a formação de profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, a visibilidade alcançada reforça a mensagem de que a diversidade de gênero é elemento essencial para a qualidade e a inovação na ciência brasileira.








