O movimento Fevereiro Roxo e Laranja, inserido no calendário nacional de saúde, reforça ao longo de todo o mês a necessidade de ampliar a informação sobre enfermidades crônicas sem cura definitiva – entre elas Alzheimer, lúpus, fibromialgia e leucemia. A iniciativa tem como foco principal alertar a população para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, medidas que podem garantir melhor qualidade de vida, maior autonomia e mais dignidade aos pacientes.
Embora abranja distintas condições, a campanha dedica atenção especial ao Alzheimer, reconhecido como a causa mais frequente de demência no processo de envelhecimento. Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete gradativamente funções cerebrais responsáveis por memória, linguagem e comportamento. Com a evolução do quadro, atividades cotidianas simples, como se alimentar ou realizar tarefas domésticas, passam a demandar auxílio constante. No Brasil, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre em estágios avançados, o que limita estratégias de contenção dos sintomas.
Especialistas destacam que identificar o Alzheimer nas fases iniciais possibilita retardar a progressão dos sintomas, preservar funções cognitivas por mais tempo e permitir que o próprio paciente participe das decisões sobre seus cuidados. Estimativas mencionadas por neurologistas indicam que 45 % dos casos estão relacionados a fatores de risco modificáveis ao longo da vida. Entre eles, o colesterol elevado, que favorece alterações vasculares cerebrais, e o isolamento social, que reduz a estimulação cognitiva necessária para manter o cérebro ativo.
Manter níveis saudáveis de colesterol, cultivar vínculos sociais e estimular o cérebro com atividades intelectuais configuram, portanto, estratégias relevantes de proteção. A orientação ganha reforço de recomendações oficiais do Ministério da Saúde, que apontam hábitos como leitura regular, aprendizado contínuo, participação em jogos cognitivos, prática sistemática de exercícios físicos, exposição solar adequada e redução do sedentarismo como formas de diminuir a probabilidade de desenvolvimento de demências no futuro.
O debate sobre prevenção também avançou na esfera legislativa de Mato Grosso do Sul. Tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 8/2025, de autoria da deputada Gleice Jane, que propõe a criação da Política Estadual de Prevenção e Cuidado às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências. A proposta estabelece ações multidisciplinares de orientação nutricional, incentivo à adoção de hábitos saudáveis e programas educativos voltados tanto a pacientes quanto a familiares e cuidadores. Caso aprovada, a política deverá ser executada pelo Poder Público em parceria com a sociedade civil, prevendo acompanhamento especializado e campanhas permanentes de esclarecimento.
Além do Alzheimer, o Fevereiro Roxo lembra a necessidade de vigilância sobre lúpus e fibromialgia, enfermidades crônicas que também afetam a qualidade de vida dos indivíduos. O lúpus, caracterizado por desequilíbrio no sistema imunológico, pode comprometer articulações, pele e órgãos internos, enquanto a fibromialgia provoca dor generalizada e fadiga persistente. A cor laranja da campanha, por sua vez, chama a atenção para a leucemia, tipo de câncer que se origina na medula óssea e exige diagnóstico imediato para ampliar as chances de sucesso no tratamento.
Ao reunir diferentes frentes de prevenção e cuidado, o Fevereiro Roxo e Laranja consolida a mensagem de que informação qualificada, exames de rotina, adoção de comportamentos saudáveis e políticas públicas estruturadas são ferramentas fundamentais no enfrentamento de doenças crônicas sem cura. Em um cenário de envelhecimento acelerado da população brasileira, iniciativas de conscientização e investimentos em atenção básica ganham relevância crescente dentro da agenda de saúde pública.








