Três Lagoas iniciou 2026 com um cenário de violência doméstica que mantém autoridades e rede de proteção em estado de alerta. Entre 1º de janeiro e 14 de fevereiro, a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) registrou 135 ocorrências envolvendo agressões, ameaças e outras formas de violência contra mulheres no município. O volume supera o observado no mesmo período do ano anterior e reforça a importância de denunciar cada episódio de forma imediata.
Somente em janeiro foram formalizadas 102 denúncias, o que corresponde a uma média de três registros por dia. Nos primeiros 14 dias de fevereiro, outras 33 ocorrências entraram nas estatísticas, configurando ritmo aproximado de duas denúncias diárias. Os dados confirmam a continuidade de um problema estrutural que, segundo a Polícia Civil, exige respostas rápidas para interromper ciclos de agressão e evitar consequências mais graves.
O comparativo com 2025 evidencia a elevação no número de casos. No ano passado, foram 98 registros em janeiro e 82 até o fim de fevereiro. Embora os dados atuais considerem metade do mês, o total acumulado já ultrapassa o patamar de 12 meses antes, indicando tendência de crescimento. As autoridades salientam que o aumento também reflete maior procura por ajuda, resultado de campanhas que orientam as vítimas sobre seus direitos e os serviços de apoio disponíveis.
Ao longo de todo o ano de 2025, Três Lagoas contabilizou 1.064 ocorrências de violência doméstica. Entre os registros estão agressões físicas, violência psicológica, ameaças e crimes de natureza sexual praticados no âmbito familiar ou de relacionamento íntimo. O número, considerado elevado, norteou a intensificação de operações policiais, atividades preventivas e ações de conscientização em escolas, unidades de saúde e espaços comunitários.
Além do total de denúncias, o volume de prisões relacionadas a esses crimes também chama a atenção. Em 2025, 84 homens foram detidos sob suspeita de violência doméstica. De acordo com a Polícia Civil, o trabalho investigativo, aliado a flagrantes e ao cumprimento de mandados judiciais, tem sido decisivo para garantir a segurança das vítimas e coibir a reincidência dos agressores. A detenção rápida, ressaltam os agentes, contribui para afastar o autor do convívio familiar e reduzir o risco de escalada da violência.
O crescimento simultâneo dos pedidos de medidas protetivas de urgência reforça a gravidade do quadro. No ano passado, 874 solicitações foram aceitas pelo Judiciário, o maior total já registrado na cidade. Previstas na Lei Maria da Penha, essas determinações podem incluir o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e a suspensão do porte de arma, entre outras restrições. As medidas são consideradas fundamentais para impedir novos episódios de violência enquanto o inquérito policial e o processo judicial tramitam.
Especialistas que atuam no atendimento a mulheres em situação de violência apontam dois fatores principais para a elevação das estatísticas: a persistência do problema na esfera doméstica e a ampliação das vias de denúncia. Campanhas informativas em rádio, televisão e redes sociais, somadas a palestras em bairros e escolas, têm auxiliado no reconhecimento dos sinais de abuso e estimulado vítimas e testemunhas a procurar ajuda. Segundo a DAM, a divulgação constante do Disque 180 – canal nacional que funciona 24 horas por dia – torna o acesso ao serviço mais simples e sigiloso, contribuindo para o crescimento das notificações oficiais.
O protocolo de atendimento à vítima em Três Lagoas envolve acolhimento imediato, registro de boletim de ocorrência, avaliação de risco e encaminhamento para a rede de serviços municipais, que inclui assistência social, atendimento psicológico e orientação jurídica. Quando necessário, a polícia aciona patrulhas especializadas para garantir o cumprimento de medidas protetivas e reforça o monitoramento dos casos considerados críticos.
Para as autoridades de segurança pública, o enfrentamento da violência doméstica depende de três eixos principais: denúncia rápida, proteção eficaz e responsabilização do agressor. A orientação permanece a mesma: ao primeiro sinal de violência, a vítima ou qualquer pessoa que presencie o crime deve buscar ajuda. O Disque 180 recebe ligações gratuitas e anônimas de qualquer lugar do país, enquanto a Delegacia de Atendimento à Mulher de Três Lagoas mantém plantão permanente para formalizar ocorrências.
O poder público local afirma que continuará investindo em campanhas de conscientização, capacitação de servidores e integração entre órgãos da rede de proteção. Entidades da sociedade civil também reforçam a necessidade de participação comunitária, destacando que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma questão de saúde pública que afeta toda a coletividade.
Com o indicador de 135 casos em apenas 45 dias, o município reforça o apelo para que a população denuncie cada episódio de violência. O objetivo é ampliar a cobertura de proteção às mulheres, evitar que situações de risco avancem para crimes mais graves e trabalhar pela redução progressiva desses números ao longo de 2026.








