A Petrobras informou que a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), instalada em Três Lagoas (MS), encontra-se na etapa de contratação dos serviços necessários para concluir a fábrica. Segundo a estatal, a deliberação definitiva sobre a liberação de recursos, que depende da diretoria executiva e do Conselho de Administração, está prevista para ocorrer até o primeiro semestre de 2026. Esse posicionamento confirma a permanência do projeto no planejamento estratégico, mas evidencia que a retomada depende de aval formal das instâncias internas.
O avanço mais recente ocorreu no fim de 2023, quando foram abertos os envelopes dos primeiros pacotes de obras. Ao todo, a companhia estruturou 11 processos licitatórios, recebendo propostas até dezembro. A estratégia de fracionar o empreendimento em lotes busca ampliar a participação de fornecedores, estimular a concorrência e reduzir custos. Entre os pacotes estão drenagem, pavimentação e RACI; prédios administrativos, laboratórios e oficinas; linha de transmissão de 138 kV e subestação de entrada; interligações; sistemas de águas e efluentes; energia; amônia e estocagem; ureia melt e granulação; estocagem e expedição; sistema de manuseio; e automação.
A diretoria da Petrobras avalia que o maior número de participantes por lote fortalece a segurança contratual e o controle de preços. Mesmo com essa organização, o cronograma indica que o fechamento das concorrências deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2026, postergando a etapa de mobilização das contratadas.
Embora a companhia considere possível retomar atividades preliminares ainda em 2026 após a aprovação interna, a reativação física dos canteiros está projetada para 2027. A conclusão da planta, atualmente com 81 % das obras executadas, foi reposicionada para 2029. Há, porém, a possibilidade de entrega em 2028 caso o ritmo das licitações e da execução mantenha regularidade, cenário que a estatal trata com cautela para evitar novos atrasos.
A readequação do calendário decorreu da elevada demanda simultânea por licitações em 2023. Na lista de prioridades, a Petrobras concentrou esforços primeiro na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Projeto Boaventura. A UFN-3 avançou na sequência, mas sem interrupção do processo de análise econômica, que confirmou viabilidade e levou o Conselho de Administração a autorizar a retomada do projeto em outubro passado.
O investimento estimado para finalizar a unidade é de cerca de R$ 3,5 bilhões, montante equivalente a mais de US$ 800 milhões. Esse aporte faz parte do Plano Estratégico 2050 e do Plano de Negócios 2026-2030 da companhia, que direciona US$ 15,8 bilhões a projetos de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes. Além da fábrica sul-mato-grossense, as unidades Fafen-BA, Fafen-SE e Araucária Nitrogenados também recebem recursos para manter ou ampliar a produção.
Iniciada em 2011, a construção da UFN-3 foi interrompida em 2014. A planta foi planejada para produzir, anualmente, 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia. Quando concluída, a instalação deverá atender principalmente os mercados agrícolas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, contribuindo para aumentar a oferta nacional de fertilizantes e reduzir a dependência de importações, ponto considerado estratégico para a segurança alimentar e para a competitividade do agronegócio.
Localizada em área com infraestrutura logística consolidada, a unidade ganha relevância diante da expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste e no Matopiba. A proximidade de grandes polos consumidores tende a diminuir custos de transporte e ampliar a eficiência da cadeia de insumos, fator destacado por entidades do setor.
Com a perspectiva de decisão final até junho de 2026, o projeto volta ao centro das expectativas econômicas de Três Lagoas. Prefeituras, fornecedores locais e sindicatos acompanham o calendário na expectativa de geração de empregos diretos e indiretos, estimados em milhares de vagas durante a fase de obras e na operação plena da planta. A Petrobras, porém, reforça que qualquer movimentação no terreno dependerá do cumprimento das etapas de governança e do sucesso dos processos licitatórios em curso.
Até lá, a estatal seguirá avaliando propostas, negociando condições contratuais e ajustando o escopo técnico dos serviços, com o objetivo de garantir a conclusão dentro dos parâmetros de prazo, custo e segurança estabelecidos em seu plano de negócios.








