Mais de 1,2 milhão de moradores de Mato Grosso do Sul estão com contas em atraso, de acordo com levantamento recente da Serasa. Juntas, as dívidas acumuladas no estado se aproximam de R$ 10 bilhões, montante que reflete a expansão da inadimplência observada em todo o país e reforça o alerta sobre a saúde financeira das famílias sul-mato-grossenses.
O aumento do número de negativados coincide com a pressão que fatores como desemprego, redução de renda e imprevistos de saúde exercem sobre o orçamento doméstico. Conforme a Serasa, as pendências concentram-se principalmente em cartão de crédito, empréstimos bancários e financiamentos, modalidades que costumam apresentar juros elevados quando as parcelas deixam de ser pagas.
Para o educador financeiro Giovani Inocente, o volume de atrasos compromete o acesso ao crédito e afeta a estabilidade das famílias. Ele observa que, à medida que os débitos se acumulam, o consumidor perde margem para financiamentos futuros e vê o orçamento mensal pressionado por encargos e juros.
Renegociação oferece descontos de até 99%
Em resposta ao quadro de endividamento, iniciativas de renegociação, como o Feirão Serasa Limpa Nome, disponibilizam condições especiais que podem reduzir o valor devido em até 99%. A expectativa é que esse tipo de mutirão permita aos inadimplentes retomar o equilíbrio financeiro, remover restrições do CPF e recuperar a capacidade de compra a prazo.
Entretanto, Inocente recomenda cautela antes de aceitar qualquer proposta. Segundo ele, o primeiro passo é avaliar se a nova parcela cabe efetivamente no orçamento mensal. “Reacender um contrato que o consumidor não conseguirá honrar só posterga o problema e gera frustração”, esclarece o especialista. Na prática, a orientação é listar as receitas, discriminar todas as despesas fixas e variáveis e projetar quanto resta disponível para pagar a dívida renegociada até o fim do acordo.
Golpes crescem durante os feirões
O educador financeiro também chama atenção para a incidência de tentativas de fraude em períodos de mutirão. Criminosos costumam se passar por representantes de instituições conhecidas para oferecer supostos descontos. Para evitar prejuízos, a recomendação é utilizar apenas os canais oficiais de atendimento: site e aplicativo da Serasa, WhatsApp verificado ou balcões de atendimento nos Correios. Qualquer abordagem fora desses meios pode indicar risco de golpe.
Passo a passo para reorganizar o orçamento
Para quem pretende regularizar a situação, Inocente sugere uma sequência de ações práticas. A primeira delas é registrar todas as dívidas em atraso, com valores, prazos e instituições credoras. Em seguida, o consumidor deve definir prioridades, começando pelas pendências já negativadas, que impactam diretamente a pontuação de crédito. Depois, é fundamental impedir a criação de novas dívidas até que o orçamento esteja equilibrado.
Outra recomendação é revisar gastos variáveis — como lazer, compras por impulso e serviços pouco utilizados — a fim de gerar folga no caixa doméstico. Caso o corte de despesas não seja suficiente, a busca por renda extra, mesmo que temporária, pode complementar o pagamento das parcelas renegociadas.
Tendência nacional de alta
O cenário sul-mato-grossense segue a tendência nacional de crescimento da inadimplência, impulsionada tanto pelo encarecimento do crédito quanto pela perda de poder aquisitivo da população. Especialistas apontam que, embora os mutirões ofereçam alívio imediato, a solução de longo prazo depende de educação financeira contínua e de políticas que favoreçam emprego e renda estável.
Além de renegociar, manter disciplina fiscal se torna essencial. Planejamento, reserva de emergência e consumo consciente são práticas apontadas por consultores como caminhos para evitar o retorno ao endividamento. Mesmo com condições vantajosas no Feirão Limpa Nome, o pagamento integral das novas parcelas deve permanecer em dia, sob risco de nova negativa.
Segundo os dados atuais da Serasa, o patamar de 1,2 milhão de inadimplentes em Mato Grosso do Sul demonstra que a dificuldade de honrar compromissos financeiros se tornou um problema generalizado no estado. A proximidade dos R$ 10 bilhões em dívidas revela a dimensão do desafio enfrentado por consumidores e instituições na busca por soluções sustentáveis.








