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Cervo-do-Pantanal é resgatado com sinais de desidratação às margens da BR-262 em Miranda

A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Miranda, município localizado a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande, recebeu um cervo-do-Pantanal que havia sido encontrado por um morador nas proximidades da ponte sobre o Rio Miranda, às margens da rodovia BR-262, na região do povoado do Salobra. O resgate ocorreu após o cidadão perceber que o animal apresentava dificuldade para se locomover e sinais aparentes de fraqueza.

De acordo com informações fornecidas pela PMA, a equipe deslocou-se até o ponto indicado e constatou que se tratava de um espécime de cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), considerado o maior cervídeo da América do Sul e classificado como espécie ameaçada de extinção. No local, os policiais militares avaliaram a condição física do animal e verificaram sintomas compatíveis com desidratação, o que motivou a adoção imediata de cuidados básicos.

O primeiro atendimento incluiu a oferta controlada de água, verificação de temperatura corporal e inspeção visual para identificar eventuais ferimentos externos. Segundo a corporação, não foram observadas lesões graves, porém o estado de letargia indicava a necessidade de intervenção veterinária especializada. Para reduzir o estresse, a equipe utilizou procedimentos padronizados para contenção e transporte, minimizando o contato direto e evitando riscos à integridade do cervo.

Após o resgate e a realização dos protocolos de estabilização, o animal foi encaminhado à base da PMA em Miranda, onde permaneceu em observação temporária. A corporação informou que, na sequência, o cervo será transferido para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), instalado em Campo Grande. No centro, profissionais de medicina veterinária farão exames clínicos, laboratoriais e de imagem, com o objetivo de confirmar o quadro de saúde, definir o tratamento adequado e planejar o processo de reabilitação.

O CRAS é a unidade de referência no Estado para acolhimento e recuperação de animais silvestres resgatados em condições de risco. O protocolo inclui quarentena, alimentação balanceada e acompanhamento comportamental, etapas essenciais para que o cervo-do-Pantanal recupere a condição física necessária antes de uma eventual reintrodução em área segura do bioma.

O cervo-do-Pantanal enfrenta ameaças relacionadas principalmente à perda e fragmentação de habitat, provocadas pelo avanço de atividades agropecuárias e pela expansão urbana em áreas alagáveis. A caça ilegal também permanece entre os fatores de pressão, contribuindo para a redução de populações em diferentes regiões da América do Sul. Em função desses impactos, a espécie integra listas de conservação que exigem monitoramento constante e ações de manejo.

A PMA reforçou orientações ao público sobre procedimentos adequados em casos de encontro com animais silvestres em perigo. A recomendação principal é evitar qualquer forma de manejo direto, o que inclui alimentação não supervisionada, tentativa de transporte ou contenção sem equipamentos apropriados. O órgão ambiental destaca que a manipulação inadequada pode agravar o estado de saúde do animal e representar risco à segurança das pessoas.

Caso seja necessário auxílio, a orientação é acionar imediatamente as autoridades ambientais mais próximas, como a própria Polícia Militar Ambiental, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul ou o Corpo de Bombeiros. As equipes dispõem de treinamento e recursos para garantir atendimento emergencial e transporte seguro aos centros de reabilitação credenciados.

Dados sobre a ocorrência de resgates, como o registrado às margens da BR-262, são inseridos em relatórios periódicos que subsidiam projetos de pesquisa e conservação. As informações coletadas auxiliam na identificação de áreas críticas para atropelamentos, conflitos com atividades humanas e necessidades de reforço em ações de fiscalização e educação ambiental.

Até o momento, o cervo-do-Pantanal resgatado segue em observação clínica, e o quadro de saúde será atualizado após avaliação completa no CRAS. A intenção dos técnicos é restabelecer plenamente as condições físicas do animal, permitindo que, no futuro, ele retorne ao ambiente natural em área protegida, contribuindo para a manutenção de uma população viável da espécie no Pantanal e em ecossistemas associados.

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