Três pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira, 25, em Mato Grosso do Sul, durante a segunda fase da Operação Couraça. A ação, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em apoio à Polícia Civil de Minas Gerais, cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça mineira contra integrantes de um grupo investigado por fraudes digitais.
Os alvos detidos no estado são uma mulher de 35 anos, localizada em São Gabriel do Oeste, e dois homens, de 33 e 28 anos, capturados em Campo Grande. Eles são apontados como participantes diretos do esquema que atuava em diferentes modalidades de estelionato pela internet, com ramificações em vários estados.
Estrutura interestadual
De acordo com as investigações, a quadrilha é formada por ao menos 24 integrantes já identificados e indiciados. O inquérito conduzido pela Polícia Civil de Minas Gerais indica que o grupo operava de forma estruturada, distribuindo funções entre seus membros para ampliar a capacidade de aplicação dos golpes e dificultar o rastreamento do dinheiro obtido ilicitamente.
Até o momento, os policiais estimam que aproximadamente R$ 9,1 milhões tenham sido movimentados pelos suspeitos. Para ocultar a origem criminosa dos valores, as quantias eram rapidamente pulverizadas em diversas contas bancárias, caracterizando indícios de lavagem de dinheiro.
Modus operandi dos golpes
A organização criminosa atuava em mais de uma frente de estelionato digital. Uma das práticas frequentes era a emissão de boletos bancários falsos. As vítimas recebiam documentos aparentemente legítimos, pagavam as cobranças e só descobriam o golpe quando o débito efetivo não era quitado na instituição original.
Outro método identificado foi a clonagem de anúncios de venda de veículos em plataformas eletrônicas. Os criminosos copiavam anúncios verdadeiros, alteravam dados de contato e intermediavam negociações, induzindo compradores a transferir valores que jamais chegavam ao vendedor real.
Também foi observado o golpe do falso resgate de pontos de cartão de crédito. Nessa modalidade, as vítimas eram abordadas com links que prometiam a conversão de pontos em benefícios. Ao acessar o endereço, instalavam sem perceber aplicativos que permitiam acesso remoto ao celular. Com o dispositivo sob controle, o grupo realizava transferências bancárias e pagamentos imediatos em nome do titular, minimizando o tempo para detecção das fraudes pelos bancos.
Fases da operação
A primeira etapa da Operação Couraça, deflagrada anteriormente em Minas Gerais, já havia resultado na prisão de parte dos investigados e na coleta de provas sobre a estrutura financeira do grupo. Na segunda fase, o objetivo principal foi cumprir mandados fora do território mineiro, ampliando o cerco contra suspeitos que haviam se deslocado para outros estados.
Em Mato Grosso do Sul, os agentes cumpriram simultaneamente ordens judiciais de prisão preventiva e de busca em endereços residenciais. Equipamentos eletrônicos, documentos e comprovantes de transações financeiras foram apreendidos para subsidiar a continuidade das investigações.
Próximos passos judiciais
Concluídas as diligências iniciais, os três detidos em Mato Grosso do Sul passaram pelos procedimentos de praxe na delegacia responsável e permaneceram à disposição do Poder Judiciário de Minas Gerais. Conforme a legislação, eles deverão participar de audiências de custódia nos próximos dias, quando a Justiça avaliará a manutenção das prisões.
As autoridades reforçam que as investigações prosseguem para identificar possíveis novos beneficiários dos recursos desviados e localizar eventuais valores ainda não rastreados. Também está em análise a participação de outros envolvidos em estados distintos, dada a amplitude das fraudes.
A Polícia Civil ressalta que, embora parte do grupo já esteja presa, o levantamento de provas documentais e o exame de dispositivos eletrônicos apreendidos serão determinantes para o aprofundamento das acusações de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, em conformidade com a legislação que resguarda o andamento do processo. Até a conclusão definitiva do inquérito, eventuais vítimas adicionais podem procurar as delegacias especializadas para registrar ocorrência e colaborar com informações que auxiliem na quantificação completa dos prejuízos.
Com a deflagração da Operação Couraça 2 em diferentes pontos do país, as polícias civis de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais reforçam ações conjuntas no combate a crimes cibernéticos e à circulação de recursos de origem ilícita entre contas bancárias, medida considerada essencial para minimizar novos golpes e possibilitar a recuperação de parte dos valores desviados.









