Dois registros de estelionato virtual feitos em um intervalo de 24 horas na Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba, Mato Grosso do Sul, expõem estratégias sofisticadas de golpistas que se passam por funcionários bancários e delegados. As vítimas, uma viúva de 53 anos e um idoso de 61, perderam juntas cerca de R$ 88 mil.
Viúva transfere R$ 73 mil ao acreditar em falsa investigação bancária
Na segunda-feira, por volta do meio-dia, a mulher recebeu ligação de uma suposta funcionária do Banco do Brasil que alertou sobre uma invasão em sua conta. A interlocutora afirmou que o banco, em conjunto com a polícia, acompanhava o caso e que um delegado entraria em contato para prosseguir com a “investigação”.
Em seguida, a vítima atendeu a uma videochamada originada de um número fixo com DDD 51, do Rio Grande do Sul. Na tela surgiu um homem que se apresentou como delegado Rodrigo Oliveira. Durante todo o contato, a suposta funcionária manteve a câmera desligada, exibindo apenas a logomarca do banco, enquanto o falso delegado enviava áudios para reforçar a narrativa de operação policial.
Convencida de que auxiliava autoridades, a mulher foi orientada a acessar o aplicativo do banco, aumentar o limite do cartão de crédito e realizar transferências para “contas seguras”. Compras no cartão somaram R$ 86 mil. Um TED de R$ 64 mil foi liquidado, enquanto outro, de R$ 135 mil, não foi concluído por falta de saldo. Em instituição diferente, ainda foi executado um PIX de R$ 9,3 mil. Depois de conferir os extratos, ela calculou prejuízo final de aproximadamente R$ 73 mil.
A vítima relatou não ter fornecido senhas. Suspeita, porém, que os criminosos tenham obtido acesso remoto às informações durante a videochamada.
Idoso perde R$ 15 mil em extorsão após receber fotos íntimas
Na terça-feira, um homem de 61 anos compareceu à delegacia para denunciar golpe iniciado no WhatsApp. Ele recebeu imagens de uma mulher nua enviadas por número também com DDD 51. A remetente se identificou como Brenda Gomes, manteve breve conversa, enviou novas fotos e encerrou o contato.
Logo depois, o idoso passou a receber ligações de um homem que se apresentou como delegado Borba, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, responsável por investigações de pornografia infantil. O suposto policial acusou a vítima de crime, alegou possuir mandado de prisão preventiva e enviou documento forjado.
Sob ameaça de detenção e exposição pública, o homem recebeu diversas chaves PIX e transferiu cerca de R$ 15 mil. Os golpistas exigiram quantia adicional de R$ 7 mil, mas a vítima desconfiou, buscou orientação jurídica e registrou boletim de ocorrência. Para efetuar os pagamentos, ele precisou pedir dinheiro emprestado a amigos e familiares.
Orientação das autoridades
Os dois casos reforçam alertas da Polícia Civil e de instituições financeiras:
- bancos não solicitam transferências para “contas de segurança” nem aumento emergencial de limite para testes;
- delegados não fazem contato telefônico para exigir pagamentos ou evitar prisão;
- nenhuma operação legítima pede confirmação de códigos recebidos por SMS ou dados sensíveis durante ligações ou videochamadas.
Em situações de suspeita, a recomendação é encerrar imediatamente o contato, procurar a agência bancária pelos canais oficiais ou comparecer à delegacia mais próxima. Também é indicado nunca efetuar transferências ou fornecer informações pessoais sob pressão.
Os inquéritos foram instaurados na Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba, que apura a origem dos números com DDD 51 e busca identificar os integrantes da quadrilha envolvida nos estelionatos virtuais.








