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Preço do bezerro em Mato Grosso do Sul atinge R$ 15,37 por quilo e supera marca histórica

O mercado de reposição bovina em Mato Grosso do Sul registrou novo marco de preços nesta semana. De acordo com dados da Agrifatto, o bezerro de 6,5 arrobas alcançou R$ 15,37 por quilo, superando em termos nominais o último pico observado em fevereiro de 2021, quando o valor chegou a R$ 17,74 por quilo antes de recuar. O resultado coloca o Estado novamente em posição de referência para a pecuária de corte nacional.

O avanço atual consolida um período de aproximadamente 15 meses de valorização contínua na maior parte das praças produtoras sul-matogrossenses. Desde o início desse ciclo, o movimento foi sustentado por oferta restrita de animais prontos para reposição e por demanda firme de criadores, recriadores e terminadores que buscam equilibrar lotes diante da perspectiva de preços resilientes para o boi gordo.

Segundo a Agrifatto, a elevação do preço do bezerro ocorre de forma relativamente homogênea entre as principais regiões pecuárias do Estado, sinalizando equilíbrio entre os fatores que determinam o mercado. A combinação de menor disponibilidade de animais jovens, intensificação das exportações de carne bovina e manutenção do consumo interno exerce pressão altista sobre a categoria de reposição.

Os fundamentos apontados pelos analistas indicam que há espaço para continuidade da firmeza observada. Considerando a inflação projetada para os próximos meses, a consultoria estima potencial adicional de valorização de 13,4%. Caso esse percentual se confirme, o bezerro sul-matogrossense poderia ser negociado em torno de R$ 20,30 por quilo em valores nominais, estabelecendo novo patamar de referência nacional.

Para os produtores dedicados à fase de cria, o cenário atual representa ganho direto de rentabilidade. Com preços mais altos, esses pecuaristas reforçam o poder de negociação junto a compradores, ampliam margens e dispõem de recursos para investimentos estruturais. Entre as principais ações citadas estão a recuperação de pastagens, melhoria no manejo nutricional das matrizes e adoção de tecnologias que elevem a taxa de prenhez e o peso à desmama.

A recomposição financeira na base da cadeia incentiva ainda decisões de longo prazo. Produtores avaliam a possibilidade de ampliar rebanhos, adiar vendas estratégicas para períodos de maior escassez e diversificar sistemas produtivos, medidas vistas como essenciais para manter competitividade em um ambiente de preços elevados mas sujeito a oscilações sazonais.

Por outro lado, recriadores e engordadores enfrentam desafios adicionais diante do aumento dos custos de reposição. Com desembolsos maiores para a compra de bezerros, esses segmentos precisam fortalecer o planejamento financeiro, ajustando densidade animal, duração do confinamento ou suplementação a pasto para preservar margens. As decisões passam a depender de projeções sobre o valor futuro do boi gordo, das despesas com alimentação e da eficiência do ganho de peso.

Nesse contexto, especialistas recomendam análise detalhada do custo total por arroba produzida e acompanhamento constante do mercado futuro. A gestão de risco, por meio de contratos de venda antecipada ou travas de preços, ganha relevância para reduzir a exposição a eventual queda nas cotações do boi terminado.

O novo recorde de preços sinaliza que o ciclo de reposição no Estado ingressa em fase marcada por maior capitalização dos criadores e necessidade de ajustes na recria e na terminação. A expectativa do setor é que a firmeza se mantenha no curto prazo, mas com atenção redobrada a fatores como clima, custo dos insumos e ritmo das exportações de carne bovina, elementos que podem alterar a trajetória de preços.

Além dos impactos diretos sobre a lucratividade dos pecuaristas, a valorização do bezerro reforça o papel da atividade como vetor econômico em Mato Grosso do Sul. O aumento das cotações estimula investimentos em infraestrutura rural, incentiva a contratação de mão de obra especializada e movimenta a cadeia de suprimentos, consolidando o Estado como um dos principais pólos de produção de bezerros do país.

Para os agentes do mercado, o desafio central nos próximos meses será equilibrar rentabilidade e sustentabilidade ao longo de todo o ciclo pecuário. A tomada de decisões estratégicas, fundamentada em informações de mercado e em gestão eficiente dos recursos, permanece como condição indispensável para enfrentar potenciais oscilações e aproveitar as oportunidades criadas pelo atual patamar de preços.

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