O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS) publicou o boletim climático que abrange o período de março a maio de 2026. A projeção, elaborada em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, indica precipitações distribuídas de forma desigual e temperaturas superiores à média histórica em praticamente todo o território sul-mato-grossense.
Segundo a análise, a principal característica do trimestre será a irregularidade das chuvas. Enquanto determinados municípios podem registrar acumulados próximos ao padrão climatológico, outras localidades terão déficit hídrico, com volumes aquém do esperado para a estação. Essa variabilidade impõe desafios diretos ao setor produtivo, sobretudo na etapa final da colheita da soja, no plantio e no desenvolvimento da segunda safra de milho.
Impactos na produção agrícola
Na soja, que estará na fase conclusiva da colheita em grande parte do Estado, a alternância entre chuvas intensas e ausência de precipitação tende a dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, atrasar o cronograma de retirada dos grãos e comprometer a qualidade do produto. Solos encharcados podem prejudicar o tráfego de colheitadeiras, enquanto períodos secos prolongados elevam o risco de perda de umidade do grão, afetando o rendimento por hectare.
Para o milho de segunda safra, cujas operações de semeadura e germinação ocorrerão dentro do mesmo trimestre, o cenário também é considerado delicado. A disponibilidade de água no início do ciclo é decisiva para a formação uniforme de plantas; a falta ou o excesso de chuva em momentos críticos pode diminuir o estande inicial, limitar o enchimento dos grãos e reduzir a produtividade final. A recomendação de técnicos da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MS) é concentrar o plantio em janelas mais seguras, alinhadas às previsões atualizadas do Cemtec/MS.
Temperaturas acima da média
Ao lado da distribuição irregular das precipitações, o boletim registra previsão de temperaturas médias elevadas, principalmente nas horas de maior insolação. Esse quadro intensifica a evapotranspiração das culturas, aumentando a necessidade de água tanto em sistemas de sequeiro quanto em áreas irrigadas. Os produtores que utilizam pivôs ou outros métodos devem reavaliar frequências e lâminas de irrigação para evitar estresse hídrico ou desperdício de recursos.
O calor adicional também favorece a proliferação de pragas e doenças. Condições mais quentes aceleram o ciclo biológico de insetos e patógenos, exigindo monitoramento fitossanitário frequente. A indicação é antecipar vistorias nas lavouras, aplicar defensivos com base em critérios técnicos e respeitar intervalos de segurança. A adoção de práticas integradas, como rotação de áreas e controle biológico, pode reduzir custos e retardar resistências.
Efeitos sobre a pecuária
Na pecuária, o aumento térmico combinado à possível escassez de chuva em algumas regiões tende a reduzir a disponibilidade de pastagens. Com menor oferta de forragem, o consumo de água pelos rebanhos sobe e os gastos com suplementação alimentar crescem. Para mitigar impactos, especialistas sugerem manejar a lotação animal, realizar adubação de pasto com base em análise de solo e garantir fontes hídricas adequadas.
Medidas recomendadas
Para enfrentar o trimestre de maior risco, instituições ligadas ao agronegócio listam um conjunto de ações. Entre elas estão:
• Monitoramento contínuo das condições do tempo e da umidade do solo;
• Planejamento detalhado das janelas de colheita, semeadura e transporte de grãos;
• Ajustes no manejo de irrigação, considerando variações diárias de temperatura e vento;
• Vigilância fitossanitária preventiva e uso racional de defensivos;
• Emprego de práticas conservacionistas, como plantio direto e cobertura do solo, que ajudam a reter umidade e reduzir erosão;
• Consulta frequente aos boletins do Cemtec/MS, de sindicatos rurais e de cooperativas para decisões estratégicas mais precisas.
Projeções sujeitas a atualização
O Cemtec/MS esclarece que todos os cenários são gerados a partir de modelos numéricos e de observações meteorológicas em tempo real. À medida que novas informações são incorporadas, ajustes podem ocorrer, alterando datas de maior ou menor probabilidade de chuva e variações de temperatura. Por isso, a orientação é que produtores, transportadores e demais elos da cadeia acompanhem boletins complementares, minimizando riscos operacionais e econômicos.
Entre março e maio de 2026, Mato Grosso do Sul atravessará um período crítico para o desempenho das principais culturas de grãos e para a atividade pecuária. A conjunção de chuvas irregulares e calor acima do normal requer planejamento minucioso, disciplina no campo e uso intensivo de tecnologia. O alinhamento entre monitoramento climático, manejo agronômico e logística ganha importância estratégica para garantir produtividade e competitividade em um contexto de condições climáticas desafiadoras.








