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Eficiência econômica e gestão de pessoas pautam estratégias de crescimento no agronegócio sul-mato-grossense

Amaury Pekelman, presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul) e integrante da diretoria estratégica da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), afirmou que a eficiência econômica constitui a principal diretriz para a expansão sustentável de empresas do agronegócio e da indústria no Estado. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Massa FM, em Campo Grande.

Segundo o dirigente, adotar decisões acertadas sobre custos, capital e pessoas é crucial para ampliar resultados e reduzir riscos em um ambiente competitivo sujeito a oscilações de preços no mercado global. Ele defendeu que a combinação desses fatores determina a capacidade de as organizações se posicionarem diante das variações de demanda e das cotações internacionais de commodities.

Pekelman destacou três pilares para alcançar eficiência: controle rigoroso de despesas, gestão adequada de recursos financeiros e valorização do quadro funcional. Na avaliação dele, a atenção ao capital humano é determinante para ganhos de produtividade. “Quando as pessoas trabalham satisfeitas, devidamente recompensadas e engajadas com as metas diárias, a empresa tende a apresentar melhores indicadores”, afirmou.

O presidente da Biosul ressaltou que o monitoramento permanente de custos fixos e variáveis define a viabilidade de qualquer operação, com ênfase no agronegócio, setor em que a produtividade influencia diretamente a margem de lucro. Ele observou que, sem identificar onde é possível intervir para reduzir despesas, o produtor não consegue gerar resultados consistentes nem sustentar o negócio em períodos de retração.

Durante a entrevista, Pekelman lembrou que a produtividade ainda representa desafio significativo para o Brasil quando comparada a potências como Japão e Estados Unidos. Em diversos segmentos industriais, os índices nacionais permanecem abaixo dos patamares verificados nessas economias. No campo, a diferença se reflete em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e pecuária de corte, onde variações na eficiência podem resultar em perdas financeiras relevantes.

O dirigente mencionou a instalação de quatro usinas de açúcar em Mato Grosso do Sul no último ano como exemplo de planejamento baseado em leitura antecipada do mercado internacional. Para ele, investidores que analisam tendências com pelo menos dois anos de antecedência conseguem identificar oportunidades nas bolsas de Nova York e Londres, adequando a produção às perspectivas de preço e demanda futuras.

Pekelman explicou que, nesse contexto, a decisão de ampliar a capacidade industrial no Estado levou em conta a conjuntura favorável das commodities, a disponibilidade de matéria-prima regional e os incentivos logísticos locais. Ele acrescentou que a diversificação de produtos derivados da cana, como etanol e bioeletricidade, reforça a competitividade do setor sucroenergético sul-mato-grossense.

Ao abordar a gestão do capital, o dirigente salientou que a alocação eficiente de recursos permite enfrentar oscilações cambiais, variações de juros e mudanças regulatórias. Ele argumentou que empresas com fluxo de caixa organizado se posicionam melhor para investir em tecnologia, treinamento de equipes e expansão de mercado, fatores considerados essenciais para sustentar ganhos de produtividade no longo prazo.

Sobre o fator humano, Pekelman enfatizou programas de capacitação contínua, políticas de remuneração compatíveis com o desempenho e práticas de segurança no trabalho como elementos que impactam positivamente a eficiência. De acordo com ele, profissionais bem treinados reduzem desperdícios, operam equipamentos de forma adequada e contribuem para a inovação dentro das unidades produtivas.

O executivo também chamou atenção para a necessidade de acompanhar indicadores de desempenho, como custo por tonelada produzida, rendimento agrícola por hectare e consumo de insumos por unidade de produto. Essas métricas, avaliadas em intervalos regulares, auxiliam gestores a corrigir rumos e a direcionar investimentos para áreas com maior potencial de retorno.

Além da entrevista, Amaury Pekelman é um dos palestrantes confirmados para o CEO Dinner, encontro promovido pelo Grupo RCN e pela Anshan dentro do calendário RCN Em Ação 2026. O evento tem como tema “Eficiência econômica como estratégia de crescimento” e reunirá lideranças empresariais para discutir práticas de gestão, produtividade e resultados.

Durante o CEO Dinner, executivos de diferentes segmentos devem compartilhar experiências sobre controle de custos, aplicação de tecnologia agrícola e desenvolvimento de talentos. A proposta é fomentar a troca de informações que possam ser aplicadas tanto em grandes plantas industriais quanto em propriedades rurais de menor porte, reforçando a ideia de que eficiência econômica depende de integração entre processos, pessoas e capital.

Com essas iniciativas, a Biosul espera contribuir para que o agronegócio de Mato Grosso do Sul mantenha a trajetória de expansão observada nos últimos anos, ao mesmo tempo em que busca aproximar produtores, indústrias e instituições voltadas ao fortalecimento da competitividade regional. O foco em resultados mensuráveis, segundo Pekelman, permanece como elemento central para enfrentar desafios de produtividade e consolidar o Estado no cenário nacional das bioenergias.

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