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Jovem de 18 anos é morta por enforcamento e caso se torna o primeiro feminicídio de 2026 em Três Lagoas

A cidade de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou o primeiro feminicídio de 2026. A vítima, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi morta por enforcamento na madrugada de terça-feira, 25 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o namorado, Welington Patrezi Batista Pereira, de 20 anos, no Conjunto Habitacional Novo Oeste.

Conforme o boletim de ocorrência, o próprio autor compareceu ao 2º Batalhão da Polícia Militar logo após o crime. No local, relatou que discutiu com Beatriz e, durante a briga, a estrangulou. Após a confissão, equipes policiais foram até o imóvel e encontraram o corpo da jovem em um dos quartos, parcialmente coberto por um colchão.

O Instituto Médico e Odontológico Legal (Imol) de Três Lagoas iniciou a perícia ainda na manhã de terça-feira. Posteriormente, o corpo foi trasladado para Campo Grande, onde o sepultamento ocorreu na quinta-feira, 26 de fevereiro. Segundo informações da investigação, Beatriz e Welington namoravam havia quase um ano e haviam decidido morar juntos apenas três dias antes do feminicídio.

Welington Patrezi Batista Pereira foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil conduz o inquérito para apurar as circunstâncias detalhadas do crime, incluindo a dinâmica da discussão e eventuais antecedentes de violência entre o casal.

O caso amplia a estatística de feminicídios em Mato Grosso do Sul. Nos primeiros 40 dias de 2026, o Estado já soma quatro ocorrências desse tipo. Em 2025, segundo o Monitoramento da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), foram registrados 39 feminicídios em todo o território sul-mato-grossense, um deles em Três Lagoas.

Além das mortes, a violência doméstica apresenta índices elevados. No ano passado, Três Lagoas contabilizou 1.108 ocorrências desse crime. Em 2026, até o momento, o município já registra 171 casos. Em âmbito estadual, foram 22.089 notificações em 2025 e 3.320 nos primeiros meses deste ano, de acordo com a mesma base de dados da Sejusp-MS.

Outro dado que reforça o cenário é o volume de medidas protetivas de urgência. Em 2025, 14.644 mulheres obtiveram decisões judiciais desse tipo em Mato Grosso do Sul. Em 2026, já são 2.807 autorizações. Especificamente em Três Lagoas, 104 medidas foram concedidas desde janeiro, contra 65 no mesmo período do ano anterior.

Para enfrentamento da violência contra a mulher, a Polícia Civil e demais órgãos de segurança mantêm canais permanentes de denúncia. O telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, funciona gratuitamente 24 horas por dia e garante sigilo à denunciante. Em Três Lagoas, a Delegacia de Atendimento à Mulher está localizada na rua Oscar Guimarães, nº 1.655, bairro Vila, e atende pelos números (67) 3521-0227 e (67) 3521-9056.

O inquérito sobre a morte de Beatriz Benevides da Silva seguirá sob responsabilidade da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Três Lagoas. A autoridade policial trabalha com as informações prestadas pelo suspeito, laudos periciais e eventuais depoimentos de familiares, amigos e vizinhos do casal.

Com a prisão de Welington Patrezi Batista Pereira, o processo criminal tramitará na Justiça estadual. Ele poderá responder por feminicídio, crime previsto no artigo 121, §2º-A, do Código Penal, qualificado pela condição de violência contra a mulher em contexto de relação afetiva. A pena varia de 12 a 30 anos de reclusão.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que os dados atualizados sobre feminicídios, violência doméstica e medidas protetivas permanecem disponíveis em relatórios periódicos. Os levantamentos são utilizados para orientar ações de prevenção, fortalecimento das redes de proteção e monitoramento de políticas públicas voltadas à segurança das mulheres em Mato Grosso do Sul.

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