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Programa municipal reforça saúde mental de servidores da assistência social

Profissionais que atuam diariamente na linha de frente da rede de proteção social em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, contam, desde 2017, com o programa Cuidando de Quem Cuida, iniciativa criada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) para oferecer suporte psicológico contínuo. Concebido como uma rede interna de acolhimento, o projeto procura prevenir o desgaste emocional provocado pelo contato constante com famílias em situação de vulnerabilidade, conflitos domésticos e violações de direitos.

O atendimento ocorre em duas frentes principais. A primeira é o plantão psicológico, voltado a escutas individuais que priorizam privacidade e sigilo. A segunda reúne grupos reflexivos, nos quais os servidores trocam experiências, identificam estratégias de autocuidado e fortalecem vínculos dentro das equipes. Ambos os formatos funcionam de forma complementar, permitindo que cada participante escolha a modalidade mais adequada às próprias necessidades.

Desde que entrou em funcionamento, o programa realizou 6.967 atendimentos. Apenas no último ano foram registrados 764 acompanhamentos, sinal de procura crescente pelo serviço e de confiança dos trabalhadores no suporte oferecido pela gestão. Paralelamente, a SAS conduz uma pesquisa institucional para mapear o estado de saúde mental dos servidores e direcionar novas ações de prevenção.

A rotina desses profissionais combina forte demanda por resultados, contato com realidades complexas e situações emocionalmente exaustivas, como insegurança alimentar, violência doméstica, situação de rua, proteção de crianças e idosos. Segundo a pasta, esse cenário torna indispensável a existência de mecanismos permanentes de acompanhamento psicológico, capazes de evitar adoecimento, absenteísmo e queda de produtividade.

A assistente social Jozemara Socorro Neri Amorim, que aderiu às atividades, relata que o grupo reflexivo se tornou um espaço de escuta e partilha de vivências, contribuindo para a compreensão dos próprios sentimentos e o fortalecimento coletivo. Na avaliação dela, muitos colegas costumam se colocar em segundo plano diante das urgências do público atendido; ao acessar o programa, encontram ferramentas para equilibrar vida pessoal e trabalho.

Para a secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, investir no bem-estar das equipes é passo essencial para garantir qualidade no atendimento à população. A dirigente afirma que tratar a saúde mental do servidor como política permanente, e não como ação pontual, repercute positivamente na escuta qualificada e na sensibilidade com que cada caso é conduzido.

Com inscrições abertas o ano inteiro, o Cuidando de Quem Cuida amplia agora sua estrutura física. A nova sede da SAS passa a contar com sala exclusiva para atendimentos individuais, ambiente projetado para assegurar conforto, reserva e confidencialidade. O objetivo é tornar o acolhimento mais ágil e favorecer a continuidade dos acompanhamentos, independentemente da agenda externa dos profissionais.

Além do suporte imediato, o programa propõe ações educativas que reforçam a importância do autocuidado. Oficinas, rodas de conversa e material informativo integram o calendário de atividades, estimulando hábitos saudáveis, gestão do estresse e valorização do trabalho em equipe. A secretaria avalia que a combinação de escuta individual, reflexão coletiva e informação sistemática contribui para reduzir índices de exaustão e para criar um ambiente institucional mais saudável.

Os números acumulados em seis anos permitem avaliar resultados. Segundo dados oficiais, houve diminuição de afastamentos motivados por sobrecarga emocional e maior procura espontânea por acompanhamento psicológico, demonstrando que o estigma em torno da saúde mental vem perdendo força. A própria adoção de pesquisas internas aponta para um monitoramento constante, capaz de ajustar o programa às demandas que surgem.

Ao priorizar quem está na linha de frente, o município busca fortalecer toda a rede de assistência social. A expectativa da gestão é manter o ritmo de atendimentos, ampliar parcerias com instituições de ensino e saúde e, assim, consolidar um modelo de cuidado que possa ser replicado em outras políticas públicas. Enquanto isso, os servidores seguem contando com um espaço institucionalizado de apoio, elemento considerado decisivo para enfrentar os desafios diários do trabalho social.

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