A enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (6) no Hospital da Vida, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Ela estava internada desde terça-feira (3), quando foi agredida com vários golpes de martelo desferidos pelo marido, o subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte, dentro da residência da família em Ponta Porã, município localizado na fronteira com o Paraguai.
De acordo com informações apuradas pela polícia, o ataque ocorreu por volta do início da tarde de terça. No momento da agressão, dois dos três filhos do casal, adolescentes de 17 e 15 anos, estavam na casa. Ao perceber a violência, Liliane orientou os jovens a saírem correndo para buscar socorro. Os filhos deixaram o imóvel e pediram ajuda a vizinhos e transeuntes que passavam pela rua. Algumas testemunhas entraram na residência e flagraram o militar desferindo o martelo contra a esposa.
Após ser golpeada repetidas vezes, a enfermeira foi socorrida por equipes de emergência e encaminhada em estado grave para o hospital de Ponta Porã. Diante da gravidade dos ferimentos, ela foi transferida ainda na noite de terça para o Hospital da Vida, referência em atendimento de alta complexidade em Dourados, distante cerca de 120 quilômetros. Apesar dos esforços da equipe médica, Liliane não resistiu aos traumatismos cranianos e morreu na manhã de sexta, três dias após a internação.
O suspeito tentou fugir logo depois do crime, mas foi detido em flagrante por policiais militares acionados pelas testemunhas. Conduzido inicialmente à Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, o subtenente teve a prisão formalizada ainda na terça. Dois dias depois, na quinta-feira (5), ele voltou a ser hospitalizado por questões de saúde não detalhadas pelas autoridades. Por esse motivo, a audiência de custódia marcada para a mesma data foi cancelada e deverá ser remarcada assim que houver autorização médica para a liberação do detido.
A Delegacia de Atendimento à Mulher de Ponta Porã instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime. O subtenente será investigado por feminicídio, qualificação prevista no Código Penal para homicídios cometidos contra mulheres em contexto de violência doméstica ou familiar. Se a Justiça confirmar a tipificação, a pena pode chegar a 30 anos de reclusão.
Com a morte de Liliane, Mato Grosso do Sul passa a registrar o quinto caso de feminicídio no ano, segundo dados preliminares das forças de segurança estaduais. Autoridades alertam que a estatística reforça a necessidade de ações de prevenção e de suporte às vítimas de violência doméstica, especialmente nas regiões de fronteira, onde os índices mantêm patamares elevados.
Familiares da enfermeira informaram à polícia que o casal, casado há mais de duas décadas, não apresentava histórico formal de registros de agressão. No entanto, vizinhos relataram ter ouvido discussões frequentes nas semanas que antecederam o crime. Esses depoimentos serão anexados ao inquérito para ajudar a esclarecer se havia episódios anteriores de violência que não chegaram ao conhecimento das autoridades.
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul divulgou nota interna informando que acompanha o caso e que prestará todas as informações solicitadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A corporação também adiantou que abrirá processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do subtenente, que poderá ser excluído das fileiras caso seja condenado pela Justiça comum.
A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que o corpo de Liliane foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Dourados para a realização de exame necroscópico. Após os procedimentos, a família deverá definir local e horário do velório e sepultamento. Os dois filhos adolescentes, que presenciaram parte do ataque, receberam acompanhamento psicológico do Conselho Tutelar e serão ouvidos formalmente pelas autoridades nos próximos dias.
A investigação segue em andamento, com coleta de laudos periciais da residência, análise das armas brancas utilizadas – entre elas o martelo apreendido na cena – e tomada de novos depoimentos de familiares, vizinhos e colegas de trabalho da vítima. Não há previsão para a conclusão do inquérito.
O subtenente permanece sob custódia policial no hospital onde está internado. Assim que receber alta, deverá passar por audiência de custódia e posteriormente ser transferido para estabelecimento prisional. Enquanto isso, a Polícia Civil trabalha para reunir todos os elementos necessários à denúncia que será encaminhada ao Ministério Público.









