Policiais da Seção de Investigações Gerais (SIG) de Nova Andradina, no sul de Mato Grosso do Sul, esclareceram o furto de gado registrado em uma propriedade rural do município e localizaram parte dos animais levados. Na mesma ação, a equipe encontrou e apreendeu cinco armas de fogo sem registro, que foram encaminhadas para os procedimentos legais cabíveis.
O crime foi percebido pela vítima após divergências na contagem do rebanho realizadas entre o início e o fim de fevereiro deste ano. Ao verificar as anotações, o proprietário notou a falta de exemplares da raça Angus, dando início à comunicação do furto à Polícia Civil. A partir desse relato, investigadores da SIG iniciaram diligências para identificar suspeitos e recuperar o patrimônio subtraído.
Durante a apuração, os policiais descobriram que um homem que trabalhava como capataz em uma fazenda vizinha teria participação direta no desaparecimento dos bovinos. Conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, o suspeito confessou o envolvimento no furto e indicou o destino dos animais. Segundo seu relato, o gado havia sido repassado a dois indivíduos que residem em uma propriedade rural situada no Assentamento Teijin, também no município de Nova Andradina.
Com essa informação, uma equipe foi deslocada até o endereço apontado. No local, os policiais identificaram os bovinos da vítima já misturados ao rebanho existente na propriedade investigada. Ao serem questionados sobre a origem dos animais, os dois responsáveis pela fazenda admitiram ter adquirido os exemplares, cientes de que se tratava de gado furtado. Diante da confissão, ambos foram apresentados como suspeitos de receptação.
Durante as buscas no imóvel, os agentes localizaram cinco armas de fogo que não possuíam documentação ou registro regular. Os armamentos, cujos calibres não foram detalhados, foram apreendidos e seguem sob custódia para perícia e posterior encaminhamento ao Poder Judiciário. A posse irregular de arma de fogo, conforme a legislação brasileira, configura crime e pode resultar em prisão e multa.
A operação contou com apoio de servidores da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO). A equipe técnica realizou fiscalização sanitária e documental do gado presente na propriedade do Assentamento Teijin. Durante a vistoria, foram constatadas irregularidades na identificação dos animais, entre elas indícios de sobreposição de marcas e sinais de adulteração em brincos e tatuagens. Esses vestígios reforçam a hipótese de tentativa de ocultar a verdadeira procedência dos bovinos furtados.
De acordo com as investigações, um dos envolvidos atuou como autor do furto, enquanto os dois moradores do assentamento figuram, em tese, como receptadores. A Polícia Civil prossegue com os levantamentos para confirmar o total de cabeças furtadas, verificar se outros animais foram comercializados e identificar possíveis participantes adicionais na cadeia criminosa. Os bovinos encontrados foram retirados da propriedade examinada, submetidos a verificação sanitária e, em seguida, devolvidos ao legítimo dono.
Os suspeitos podem responder pelos crimes de furto, receptação e posse irregular de arma de fogo. Além das repercussões criminais, a IAGRO deverá instaurar processos administrativos devido às infrações sanitárias e à ausência de documentação adequada para o trânsito e a permanência dos animais. As penas previstas para esses delitos incluem reclusão, multa e apreensão definitiva dos instrumentos utilizados na prática criminosa.
As autoridades destacam que crimes de abigeato — modalidades de furto ou roubo de gado — provocam prejuízos econômicos significativos e comprometem a segurança sanitária dos rebanhos. Por essa razão, a Polícia Civil mantém ações de monitoramento em áreas rurais e incentiva produtores a realizarem a conferência periódica de seus plantéis, registrando de imediato qualquer divergência detectada.
Com a conclusão da fase inicial de apuração e a recuperação parcial do gado, o inquérito seguirá para análise do Ministério Público, responsável por eventual oferecimento de denúncia. A investigação permanece aberta para esclarecer se há mais animais subtraídos, determinar o valor total do prejuízo e averiguar a existência de outros compradores ou facilitadores do esquema.









