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Informação e rede de apoio pautam congresso gratuito sobre proteção a mulheres em Campo Grande

O fortalecimento da rede de proteção a mulheres em situação de violência será o tema central do 1º Congresso Mulheres que Defendem Mulheres, marcado para 7 de março de 2026, das 8h às 12h30, no Auditório da Associação dos Delegados de Polícia (ADEPOL) em Campo Grande. O evento, aberto ao público e sem cobrança de inscrição, reunirá profissionais das áreas jurídica, de segurança pública e de assistência social com o objetivo de difundir informações capazes de salvar vidas.

A delegada Fernanda Barros Piovano, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) da capital sul-matogrossense, integra o grupo de palestrantes. Sua apresentação abordará dois pontos considerados decisivos para interromper ciclos de agressão: a adoção de medidas de proteção imediata e a preservação de provas em casos de violência doméstica.

Subnotificação ainda compromete estatísticas

Apesar da expansão de políticas públicas específicas e do crescimento da estrutura de acolhimento, autoridades locais reconhecem que grande parte dos episódios de violência doméstica permanece fora dos registros oficiais. Entre os fatores que levam à subnotificação estão o medo de represálias, a dependência financeira do agressor, a preocupação com os filhos e a pressão social que responsabiliza a mulher pela manutenção da família. Na avaliação de especialistas, a disseminação de informações confiáveis ajuda a romper essas barreiras e incentiva a busca por ajuda qualificada.

Atendimento integrado na Casa da Mulher Brasileira

Mulheres que decidem denunciar encontram, em Campo Grande, um ponto de apoio considerado referência: a Casa da Mulher Brasileira. O local reúne, em um mesmo endereço, delegacia especializada, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, equipes psicossociais e o Instituto Médico Legal (IML). Essa integração permite que a vítima formalize a queixa, obtenha medidas protetivas, receba orientação jurídica, realize exames de corpo de delito e seja encaminhada para acompanhamento psicológico, tudo sem precisar se deslocar para diferentes órgãos.

Para situações emergenciais, os canais de denúncia permanecem como porta de entrada prioritária. As ligações podem ser feitas pelos números 190 da Polícia Militar, 153 da Guarda Civil Metropolitana ou, em âmbito nacional, pelo Disque 180, que aceita denúncias anônimas. Há ainda a opção de procurar diretamente qualquer delegacia da Polícia Civil. Segundo a DEAM, o primeiro contato da vítima com agentes treinados aumenta a probabilidade de emissão rápida de medidas protetivas e reduz o risco de novas agressões.

Importância de preservar indícios do crime

Em muitos casos, a violência ocorre dentro de casa e sem testemunhas presenciais, o que exige atenção redobrada à coleta de indícios. Mensagens de texto, áudios, fotos, vídeos e capturas de tela podem sustentar investigações e processos judiciais, mesmo que o agressor tente apagar o conteúdo posteriormente. Outro instrumento relevante é o exame realizado no IML, que formaliza laudos sobre lesões corporais. Embora a palavra da vítima tenha valor jurídico, a apresentação de provas materiais costuma acelerar a responsabilização criminal do autor.

Barreiras culturais e necessidade de políticas de apoio

Dados da segurança pública estadual indicam que o machismo estrutural e expectativas sociais sobre o papel da mulher na família continuam a dificultar o rompimento de relações abusivas. Além do risco físico, muitas vítimas temem julgamentos, condenações morais e perdas financeiras. Especialistas reforçam que uma rede de apoio eficaz deve contemplar acolhimento psicológico, qualificação profissional e oportunidades de emprego, permitindo que a mulher se sustente após o afastamento do agressor.

Nesse contexto, o congresso programado para março pretende conectar profissionais que atuam em diferentes frentes: investigação policial, persecução penal, atendimento social e elaboração de políticas públicas. A troca de experiências, segundo os organizadores, busca aprimorar protocolos de atuação e ampliar a capilaridade das informações, alcançando tanto os serviços de ponta quanto a comunidade em geral.

Serviço

1º Congresso Mulheres que Defendem Mulheres
Data: 7 de março de 2026
Horário: 8h às 12h30
Local: Auditório da ADEPOL
Endereço: Rua Dr. Robson Benedito Maia, 312, bairro Carandá Bosque, Campo Grande (MS)
Participação: gratuita e aberta ao público

Profissionais interessados poderão acompanhar exposições sobre legislação específica, fluxos de atendimento, técnicas de coleta de provas, experiências de monitoramento eletrônico de agressores e iniciativas de reinserção social de vítimas. A expectativa é que as discussões contribuam para reduzir índices de violência doméstica e feminicídio no estado, além de fortalecer a cultura de denúncia e proteção.

Responsáveis pela organização ressaltam que, mesmo após o congresso, os canais de emergência e a Casa da Mulher Brasileira continuarão disponíveis para qualquer demanda. A orientação é acionar a polícia diante de qualquer situação de risco imediato e, sempre que possível, registrar evidências, pois cada informação pode ser determinante para interromper agressões e responsabilizar os autores.

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