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Escola estadual de MS testará produção de ração animal a partir de sobras da merenda

Uma iniciativa da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED) pretende transformar alimentos não consumidos pelos estudantes em ração para cães e gatos. O projeto piloto será implantado na Escola Estadual Frederico Liebermann, em Campo Grande, e foi anunciado pelo titular da pasta, Helio Daher, durante entrevista a uma emissora de rádio da capital.

A proposta surgiu após a constatação de que parte da comida servida diariamente nas escolas acaba descartada. A experiência, classificada como experimental, avaliará a viabilidade sanitária e operacional dessa conversão antes de qualquer expansão para a restante da rede estadual. Caso os resultados sejam satisfatórios, a SED planeja replicar o modelo em outras unidades.

O reaproveitamento de sobras alimentares integra um conjunto de ações direcionadas à proteção de animais em situação de abandono. Entre as medidas programadas está a distribuição de uma cartilha educativa, elaborada em parceria com o Ministério Público Estadual e com o Conselho Estadual de Educação, que orientará alunos sobre cuidados básicos, formas de denúncia de maus-tratos e a importância da adoção responsável. Algumas escolas já iniciaram campanhas para encontrar lares para animais que aparecem nos pátios atraídos pelo cheiro da merenda.

No mesmo pronunciamento, Daher destacou que a redução da evasão escolar continua sendo um dos principais desafios do ensino público. Para enfrentar o problema, a rede estadual ampliou a oferta de formação profissional dentro das próprias escolas. O número de matrículas em cursos técnicos saltou de cerca de 7 mil para mais de 40 mil nos últimos anos, de acordo com dados apresentados pela secretaria.

Esse crescimento acompanha o Programa de Aprendizagem Profissional (PAP), mecanismo que conecta estudantes do ensino médio a vagas de jovem aprendiz em empresas privadas e órgãos públicos. Mais de mil alunos já passaram pelo programa e parte deles foi efetivada após o período de aprendizagem. A pasta avalia que a combinação de formação acadêmica e experiência laboral contribui para manter o estudante na escola até a conclusão do ciclo.

Além das ações pedagógicas, o governo estadual informou ter destinado R$ 1,2 bilhão a obras de reforma e modernização das unidades da rede. Segundo a secretaria, mais de 60% das escolas já receberam algum tipo de intervenção estrutural, com entrega média de uma escola revitalizada a cada seis dias. As melhorias incluem adequações de acessibilidade, instalação de sistemas de prevenção a incêndios, renovação das redes elétrica e hidráulica, além da implementação de painéis solares e do uso de gás natural em determinadas unidades.

Outro ponto abordado foi a expansão do ensino em tempo integral. Atualmente, 62% das escolas estaduais adotam jornada ampliada, percentual superior à meta nacional prevista no Plano Nacional de Educação. Com isso, todos os 79 municípios sul-mato-grossenses contam com pelo menos uma instituição dessa modalidade, garantindo opção a qualquer aluno interessado.

A secretaria também mantém a restrição ao uso de celulares em sala de aula. Após a adoção da medida, a gestão observa mudanças no clima escolar, com aumento da interação presencial entre os estudantes. A pasta afirma que a iniciativa busca fortalecer vínculos sociais e minimizar distrações durante as atividades pedagógicas.

O impacto da pandemia de Covid-19 no rendimento estudantil permanece em monitoramento. Conforme Daher, a interrupção das aulas presenciais criou lacunas em competências básicas, mas os mais recentes indicadores mostram recuperação gradual. A SED desenvolve estratégias de reforço e recuperação para recompor a aprendizagem comprometida no período de distanciamento.

O secretário relacionou as políticas educacionais ao desenvolvimento econômico do estado, que recebe novos investimentos industriais e logísticos. O objetivo, segundo ele, é garantir que as oportunidades geradas por esse crescimento se reflitam na trajetória dos alunos da rede pública, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas.

Com o início do projeto de reaproveitamento de alimentos na Escola Frederico Liebermann, a secretaria dá o primeiro passo para testar um modelo que pretende reduzir o desperdício, colaborar com protetores de animais e envolver a comunidade escolar em práticas de responsabilidade socioambiental. A avaliação do piloto definirá parâmetros técnicos, sanitários e financeiros para eventual adoção em escala maior.

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