A 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam) de Campo Grande conduz investigação sobre a morte de Ludmila Pedro de Lima, 25 anos, ocorrida entre a tarde de sexta-feira, 6, e a manhã de sábado, 7, no bairro Paulo Coelho Machado, zona sul da capital sul-matogrossense. A Polícia Civil trabalha para esclarecer as circunstâncias do caso e não afasta a possibilidade de feminicídio.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Polícia Militar foram acionadas para prestar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em uma residência do bairro. Ao chegarem, os socorristas encontraram a vítima inconsciente e em quadro de convulsões. A jovem recebeu atendimento emergencial no local, porém não resistiu e teve a morte confirmada posteriormente.
O namorado de Ludmila, que estava na casa no momento da chegada das equipes, relatou ter discutido com a companheira pouco antes do episódio. Conforme seu depoimento, após o desentendimento e já dentro da residência, ela teria ingerido, por iniciativa própria, uma mistura de cocaína com água. Ele ainda declarou que os ferimentos observados no rosto da vítima teriam sido causados por uma queda durante as convulsões.
Versões preliminares em apuração
Essas informações compõem a versão inicial registrada no atendimento da ocorrência. Apesar do relato do namorado, a Delegacia da Mulher instaurou inquérito para verificar todos os elementos disponíveis. Testemunhas que estavam na vizinhança foram ouvidas e voltaram a ser chamadas para novos esclarecimentos, a fim de confrontar horários, barulhos ou eventuais pedidos de socorro vindos do imóvel.
Peritos criminais realizaram inspeção detalhada no local, coletaram amostras e examinaram indícios de eventuais agressões físicas. Fotografias, objetos pessoais e vestígios encontrados em diferentes cômodos foram recolhidos para análises laboratoriais. Os laudos cadavérico e toxicológico, requisitados no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), deverão apontar a causa formal da morte e confirmar, ou não, a presença de substâncias entorpecentes no organismo de Ludmila.
De acordo com a polícia, o caso chegou a ser registrado inicialmente como suicídio, classificação baseada nas informações fornecidas no primeiro atendimento. Contudo, diante de contradições identificadas entre depoimentos e vestígios materiais, a investigação permanece em aberto e o enquadramento pode ser alterado. A hipótese de feminicídio — crime motivado por violência de gênero — passa a ser considerada sempre que há morte de mulher em contexto de discussão conjugal ou histórico de relacionamento.
Andamento do inquérito
Agentes da 1ª Deam informaram que o namorado permanece em liberdade, mas segue na condição de investigado. Ele foi ouvido formalmente e pode ser reconvocado caso surgirem novos pontos a esclarecer. Até o momento, não há relatos de medidas protetivas nem registros de boletins anteriores envolvendo o casal, porém os investigadores apuram se existiam episódios não oficializados de violência doméstica.
A polícia também requisitou imagens de câmeras de segurança instaladas em imóveis vizinhos e vias próximas, com o objetivo de mapear a movimentação na região nos horários aproximados da morte. Além disso, ligações recebidas pela central de emergências nas horas que antecederam o acionamento do Samu estão sendo analisadas.
Conforme procedimento padrão, o corpo da vítima passará por exames complementares para verificação de traumas internos, marcas de violência e possível intervalo entre o uso de drogas e o óbito. O resultado laboratorial, somado aos laudos periciais de local de crime, será determinante para indicar se houve participação de terceiros, eventual omissão de socorro ou se a causa foi autointoxicante.
Próximos passos
Finalizada a fase pericial e reunidos todos os depoimentos, a delegada responsável deverá definir o enquadramento definitivo do inquérito. Caso seja constatada violência motivada por gênero, o caso será tipificado como feminicídio, crime hediondo com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão. Se a morte for atribuída exclusivamente ao consumo voluntário de substância entorpecente, o processo poderá ser arquivado ou encaminhado como suicídio, dependendo de eventual indiciamento por omissão.
Enquanto aguarda a conclusão dos laudos, a 1ª Deam reforça que qualquer informação complementar pode ser apresentada de forma anônima pelo Disque-Denúncia da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. A colaboração da comunidade é considerada essencial para elucidar o caso, sobretudo sobre possíveis episódios de violência doméstica anteriores ou movimentações estranhas na residência entre os dias 6 e 7.
O prazo legal para término do inquérito é de 30 dias, podendo ser prorrogado mediante necessidade de novas diligências. A Polícia Civil afirma que todas as linhas de investigação permanecem abertas até que os fatos sejam completamente esclarecidos.









