O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, avaliou neste sábado os avanços das negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e os possíveis reflexos para o Mato Grosso do Sul. A manifestação ocorreu durante agenda no município de Inocência, onde o parlamentar integrou a comitiva do governador Eduardo Riedel.
Na análise do senador, a implantação do tratado pode representar um acréscimo aproximado de R$ 25 bilhões ao faturamento do agronegócio nacional. Considerando que a economia sul-mato-grossense é fortemente baseada na produção agropecuária, Trad avalia que parte expressiva desse montante tende a beneficiar produtores e empresas instalados no Estado.
Para acompanhar a tramitação e os desdobramentos do acordo, a Comissão de Relações Exteriores aprovou a criação de um grupo de trabalho. O colegiado terá a responsabilidade de monitorar etapas legislativas, consultas técnicas e eventuais ajustes de normas sanitárias, tarifárias ou ambientais exigidas pelos dois blocos econômicos. A intenção, segundo o presidente da comissão, é garantir que as vantagens previstas sejam efetivamente concretizadas nos mercados interno e externo.
O entendimento entre Mercosul e União Europeia vem sendo negociado há mais de duas décadas e envolve a redução progressiva de tarifas de importação e exportação, definição de cotas para produtos sensíveis, harmonização de padrões regulatórios e salvaguardas ambientais. Caso finalizado, o tratado criará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de consumidores.
Investimentos em infraestrutura local
A presença de Trad em Inocência coincidiu com a vistoria de obras de pavimentação, melhorias logísticas e expansão de serviços urbanos financiados por recursos federais e estaduais. O senador destacou que o município passa por um período de transformação socioeconômica impulsionado pela chegada de novos empreendimentos agroindustriais. Para acompanhar esse ritmo, ele defendeu a ampliação do volume de emendas parlamentares destinadas à infraestrutura regional.
Entre os projetos apresentados pela administração municipal estão a construção de anéis viários para o escoamento de grãos, a modernização do terminal rodoviário e a instalação de um polo de armazenamento de fertilizantes. Esses investimentos, de acordo com o governo estadual, pretendem reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das cadeias produtivas de soja, milho e carne bovina.
Agenda ambiental internacional
Além do tema comercial, Nelsinho Trad chamou atenção para a realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), programada para ocorrer entre 23 e 29 deste mês. O evento reunirá delegações de 133 países e terá o Pantanal como principal referência ambiental, projetando o Mato Grosso do Sul no cenário internacional.
O Senado analisa o Projeto de Decreto Legislativo PDL 50/2026, do qual Trad é relator, que ratifica o acordo internacional necessário para oficializar o Brasil como sede da conferência. Segundo o parlamentar, a aprovação do texto consolida o compromisso do País com a proteção de rotas migratórias de aves e mamíferos e confere visibilidade às ações de conservação desenvolvidas no bioma pantaneiro.
A expectativa do governo estadual é que a COP15 movimente setores de hotelaria, transporte e serviços, além de promover intercâmbio científico e tecnológico. Estudos preliminares da secretaria de Turismo indicam que o fluxo de visitantes internacionais deverá gerar incremento relevante na arrecadação local durante o período do encontro.
Convergência entre comércio e sustentabilidade
Para Nelsinho Trad, a coincidência de pautas comerciais e ambientais coloca o Mato Grosso do Sul em posição estratégica. De um lado, a eventual conclusão do acordo Mercosul–União Europeia tende a abrir novos mercados para proteínas animais, celulose e etanol produzidos no Estado. De outro, a conferência da CMS reforça a imagem da região como guardiã de um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.
Nesse contexto, o senador defende que políticas públicas de infraestrutura e logística sejam concebidas de forma integrada a metas de sustentabilidade. Ele argumenta que corredores de transporte devidamente planejados podem reduzir emissões de carbono, agilizar o acesso a portos do Atlântico e atender às exigências sanitárias impostas pelos consumidores europeus.
Embora o cronograma para a assinatura definitiva do tratado comercial ainda dependa de ajustes finais entre os membros dos dois blocos, o grupo de trabalho recém-criado no Senado deverá elaborar relatórios periódicos sobre barreiras tarifárias, oportunidades de investimentos e mecanismos de salvaguarda para segmentos mais expostos à concorrência externa.
No curto prazo, o foco das lideranças políticas sul-mato-grossenses recai sobre a atração de novos empreendimentos ligados às cadeias de valor que podem se beneficiar do acordo, como plantas de processamento de carnes, fábricas de bioinsumos e centros de distribuição de grãos. O governo estadual já estuda concessões rodoviárias e melhorias portuárias no rio Paraguai para garantir maior competitividade frente a outros estados exportadores.
A soma dos fatores – expansão do mercado agropecuário, investimentos estruturantes e visibilidade internacional proporcionada pela COP15 – cria um ambiente que, na visão de Trad, deve ser aproveitado para consolidar a posição do Mato Grosso do Sul como polo de produção sustentável e de comércio exterior. O senador afirmou que continuará atuando no Congresso Nacional para destravar recursos orçamentários e acelerar a implementação de projetos que reforcem essa estratégia.









