Search

Bolsas artesanais do Pantanal ganham vitrines internacionais e destacam empreendedorismo feminino

A combinação entre matéria-prima regional, produção artesanal e compromisso ambiental tem levado a marca sul-mato-grossense Zanir Furtado ao mercado de luxo fora do País. Fundada em 2020, em Rio Negro (MS), pela empresária e designer que dá nome ao negócio, a grife confecciona bolsas de couro bovino pantaneiro com acabamento manual, ferragens banhadas a ouro e design inspirado na biodiversidade local.

Cada peça é produzida por artesãos treinados no próprio município, estratégia que, segundo a marca, contribui para gerar renda, manter saberes tradicionais e reforçar a identidade do Pantanal em produtos de alto padrão. A proposta também inclui uma ação ambiental: para cada bolsa comercializada, uma árvore nativa é plantada em áreas de preservação, numa tentativa de compensar o uso da matéria-prima de origem animal e apoiar a recuperação do bioma.

Visibilidade após visita imperial

O reconhecimento internacional se intensificou depois que a princesa japonesa Kako de Akishino utilizou um dos modelos da grife durante agenda oficial no Brasil. A peça, batizada de Diva e avaliada em aproximadamente R$ 3,6 mil, foi entregue como presente em Campo Grande. De acordo com a fundadora, a integrante da família imperial substituiu a bolsa originalmente prevista para o evento pelo acessório fabricado no interior de Mato Grosso do Sul, atitude que repercutiu na imprensa japonesa e ampliou a procura pelo produto fora do País.

Passarela em Paris

A presença além-fronteiras não ficou restrita ao episódio com a princesa. No segundo semestre do ano passado, a marca participou da Paris Fashion Week em parceria com a Versa Brand. Os modelos pantaneiros compuseram looks apresentados na capital francesa, vitrine estratégica para grifes de luxo e novos criadores. A empresa relata que o convite partiu da marca parceira, interessada em reforçar a narrativa de sustentabilidade e regionalidade junto ao público europeu.

Sebrae Delas e rede de apoio

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, Zanir Furtado esteve em Paranaíba (MS) para o Sebrae Delas, programa que incentiva o empreendedorismo feminino. No encontro, a empresária compartilhou a trajetória da marca e salientou a importância de ter apoio institucional e comunitário. Para ela, iniciativas que conectam mulheres empreendedoras reduzem a sensação de isolamento comum no setor e ampliam a troca de experiências.

Ao longo dos últimos anos, a designer integrou missões organizadas pelo Sebrae no Chile e em Portugal. As viagens possibilitaram contato com potenciais parceiros, expansão da rede de fornecedores e a participação no Chile Fashion Week. Segundo Zanir, essas agendas contribuíram para aprimorar processos produtivos, adequar embalagens e entender exigências logísticas de exportação.

Compromisso com a origem

Apesar da crescente atuação externa, a empresária mantém a base da produção em Mato Grosso do Sul. Ela declara optar por investir no Estado para fortalecer a economia local e valorizar a cultura pantaneira. O couro utilizado nas bolsas provém de gado criado na região, e a mão de obra envolve moradores capacitados em oficinas promovidas pela própria marca, prática que, na avaliação da fundadora, reforça o vínculo social do empreendimento.

Internamente, a empresa opera com lotes reduzidos, o que permite controle de qualidade rigoroso e evita excedentes. A personalização também é um diferencial: parte das peças recebe nomes de animais e elementos característicos do Pantanal, estratégia que reforça a narrativa de origem sem recorrer a produção em massa.

Produtos, preços e sustentabilidade

Os modelos variam de minibolsas a tote bags, com valores que partem de cerca de R$ 1,5 mil e podem ultrapassar R$ 4 mil, dependendo do tamanho, do tipo de couro e do acabamento. As ferragens recebem banho de ouro para aumentar a durabilidade e impedir oxidação, enquanto forros internos utilizam tecidos de fibras naturais. A política de plantio de árvores é monitorada por parceiros ambientais locais, que registram as mudas inseridas em áreas previamente definidas.

Mensagem para outras empreendedoras

Durante o evento em Paranaíba, Zanir ressaltou que o reconhecimento internacional não elimina os desafios cotidianos de gerir um negócio criativo. Para ela, autoconfiança e capacitação contínua são fundamentais para que mulheres avancem em setores tradicionais ou inovadores. A designer defende que o fortalecimento de redes, combinado à visibilidade de casos bem-sucedidos, contribui para inspirar novas iniciativas e, ao mesmo tempo, divulgar a produção regional em mercados competitivos.

Com a marca presente em passarelas estrangeiras e ganhando espaço em publicações de moda, a empreendedora planeja ampliar pontos de venda no exterior sem deslocar o centro produtivo de Rio Negro. A estratégia envolve parcerias com boutiques especializadas, participação em feiras internacionais e investimento em comércio eletrônico. Segundo a empresa, a meta é manter o ritmo de crescimento sem perder o caráter artesanal que diferencia as bolsas pantaneiras no segmento de luxo.

Isso vai fechar em 35 segundos