Campo Grande (MS) – A integração entre políticas públicas, crescimento econômico e mobilização social pautou o evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas” realizado pelo governo de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira, 9, na capital. A iniciativa, inserida nas ações do Mês da Mulher, reuniu autoridades estaduais e lideranças do setor privado para discutir caminhos de prevenção e combate à violência contra a mulher, com ênfase na ampliação da autonomia financeira feminina.
Ao abrir o encontro, o governador Eduardo Riedel (PP) defendeu que fortalecer o empreendedorismo feminino é “estratégia direta de transformação social”, pois reduz vulnerabilidades e amplia oportunidades de renda. Segundo o chefe do Executivo, a pauta não se limita ao calendário comemorativo de março: trata-se de agenda estrutural para o desenvolvimento econômico e social sul-mato-grossense.
Empreendedorismo no centro das ações
A participação de Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, foi apontada por Riedel como inspiração para o crescimento econômico do Estado. A empresária avalia que renda própria contribui para que mulheres se desvinculem de relações abusivas, mas sustenta que a erradicação da violência exige engajamento de toda a sociedade, inclusive dos homens. Para ela, a expansão do crédito a pequenos negócios requer menos burocracia e maior descentralização na liberação de recursos, de modo a chegar com agilidade a quem empreende em territórios periféricos ou rurais.
No âmbito da formação empreendedora, a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, informou que o governo estadual adaptou a metodologia Empretec – programa internacional criado pela ONU para estimular competências de gestão – a fim de alcançar mulheres em situação de vulnerabilidade. A versão local do curso é ofertada diretamente nos territórios, incluindo comunidades indígenas, aliando capacitação técnica, valorização cultural e incentivo à geração de renda.
Além da qualificação, a Secretaria de Cidadania coordena a preparação de gestoras municipais para políticas de igualdade de gênero e apoia 341 grêmios estudantis que desenvolvem campanhas preventivas direcionadas a meninas e adolescentes. O objetivo, segundo Viviane, é criar redes de apoio capazes de identificar situações de risco antes que evoluam para agressões mais graves.
Avanços investigativos e desafios legais
No campo da segurança pública, o vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha) destacou a digitalização de processos policiais e a agilidade nas investigações de crimes de feminicídio. De acordo com ele, não há inquéritos pendentes no Estado e todas as autorias foram esclarecidas, permitindo foco adicional em ações preventivas e educativas.
Questionado sobre o cadastro de agressores – mecanismo que permite inserir o nome do condenado em banco de dados público após sentença transitada em julgado – Riedel observou que a efetivação da medida depende de alteração na legislação federal. O governador afirmou estar aberto a discutir ajustes jurídicos que ampliem a proteção das vítimas e reforcem a responsabilização dos ofensores.
Integração de esforços
Os participantes convergiram na avaliação de que o enfrentamento à violência de gênero requer coordenação entre governo, empresas e sociedade civil. A presença articulada de políticas sociais, programas de crédito e iniciativas culturais foi destacada como condição para reduzir os índices de agressão e promover maior inclusão econômica das mulheres.
Entre as prioridades listadas estão: oferta de capacitação empreendedora adaptada a diferentes contextos regionais; facilitação de acesso a financiamentos; digitalização de procedimentos policiais para acelerar investigações; e campanhas educativas que envolvam homens e jovens na desconstrução de estereótipos que sustentam a violência.
Ao final do evento, a mensagem central reforçou a percepção de que autonomia econômica não é solução única, mas componente essencial de uma estratégia mais ampla. A conjunção de renda própria, suporte institucional e mudança cultural, analisaram as lideranças, pode criar ambiente mais seguro e equitativo para mulheres sul-mato-grossenses.
O governo estadual anunciou que as discussões permanecem ao longo do ano com novos encontros regionais e monitoramento de resultados, garantindo continuidade às ações apresentadas em Campo Grande.









