O Governo de Mato Grosso do Sul investiu aproximadamente R$ 6,1 milhões em 13 projetos voltados à preservação do Pantanal, maior planície alagável do planeta. Os recursos foram repassados por meio do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Bioma Pantanal, iniciativa considerada pioneira no país por remunerar ações de manutenção da vegetação nativa, proteção de fauna, restauração ecológica e fortalecimento das comunidades tradicionais.
Os projetos contemplados fazem parte do subprograma PSA Brigadas, segmento do PSA Bioma Pantanal que financia atividades de prevenção e combate a incêndios florestais. No total, sete organizações não governamentais foram selecionadas para executar ações integradas de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do bioma. Cada iniciativa pôde pleitear valores de até R$ 500 mil, montante proveniente do Fundo Clima Pantanal.
Entre as entidades beneficiadas, o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP) recebeu pouco mais de R$ 1,4 milhão para implementar três frentes de trabalho na Serra do Amolar. O pacote inclui a manutenção e ampliação do Sistema Pantera, estrutura de monitoramento que apoia a gestão de informações ambientais; a continuidade do resgate técnico de animais silvestres; e o reforço da brigada Alto Pantanal, que atua no combate inicial a focos de queimadas.
Além do IHP, firmaram termos de fomento as organizações SOS Pantanal, Funar, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Instituto Tamanduá, Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAs) e Associação Onçafari. Os contratos têm vigência até dezembro de 2026 e abrangem ações em terras indígenas, unidades de conservação, propriedades privadas e comunidades ribeirinhas.
De acordo com a coordenação do programa na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Semadesc), o PSA Bioma Pantanal é estruturado em dois subprogramas: PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade (PSA Conservação) e PSA Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PSA Brigadas). Enquanto o Conservação remunera produtores rurais que mantêm excedentes de vegetação nativa, o Brigadas apoia financeiramente organizações da sociedade civil, brigadas voluntárias, comunitárias ou particulares e comunidades tradicionais engajadas na redução de riscos de fogo.
No primeiro edital do PSA Brigadas, publicado no ano passado, 28 propostas foram submetidas à análise técnica. Dessas, 17 atingiram pontuação compatível com as exigências do programa e 13 já receberam recursos. As iniciativas selecionadas distribuem-se por Nhecolândia, Nabileque, Serra do Amolar, Porto Esperança, Porto Rolon, Curva do Leque e Salobra, localidades estratégicas tanto pela ocorrência recorrente de incêndios quanto pela relevância socioambiental.
Com o aporte, as organizações contempladas adquiriram equipamentos de proteção individual, ferramentas de aceiro, veículos de apoio terrestre e fluvial, além de promoverem capacitações sobre uso controlado do fogo e educação ambiental. Parte dos projetos também prevê o estabelecimento de núcleos comunitários para monitoramento contínuo de focos de calor, utilizando rádio comunicação e sistemas de alerta via satélite.
Paralelamente ao PSA Brigadas, o Estado vem ampliando o PSA Conservação. Em dezembro de 2025, essa modalidade consolidou a proteção de 126 mil hectares no Pantanal por meio da remuneração a produtores que mantêm áreas excedentes de vegetação nativa além do definido pelo Código Florestal. Na primeira chamada, 71 propriedades rurais se inscreveram; 45 foram aprovadas após aplicação do Índice de Serviços Ambientais (ISA), ferramenta que considera conectividade de habitats, grau de conservação e relevância ecológica.
A segunda chamada do PSA Conservação foi publicada nesta semana com inscrições abertas até 6 de abril de 2026. Podem participar proprietários rurais que possuam áreas no Pantanal sul-mato-grossense em condição de excedente de vegetação nativa. As propostas serão avaliadas de acordo com relevância ambiental, impacto potencial para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, viabilidade técnica e aderência às políticas públicas estaduais.
Segundo a Semadesc, novos editais tanto do PSA Conservação quanto do PSA Brigadas devem ser lançados em 2027, garantindo a continuidade do mecanismo de pagamento por serviços ambientais no bioma. Até lá, o governo estadual trabalha no acompanhamento dos contratos vigentes, na avaliação dos resultados obtidos pelas brigadas financiadas e no aprimoramento dos critérios de seleção para futuras chamadas.
O Pantanal ocupa cerca de 35% do território de Mato Grosso do Sul e, nos últimos anos, vem enfrentando incêndios de grandes proporções que ameaçam biodiversidade, serviços ecossistêmicos e modos de vida tradicionais. Ao direcionar recursos específicos para prevenção e combate ao fogo, bem como para valorização de áreas conservadas, o Estado busca reduzir a vulnerabilidade do bioma, mantendo a integridade da fauna, da flora e das comunidades que dependem diretamente desses ecossistemas.








