O diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) de Campo Grande, Sandro Benites, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira, 9 de outubro. A solicitação foi protocolada junto à Prefeitura e confirmada em nota oficial. Conforme o comunicado, a saída foi iniciativa do próprio gestor, que declarou intenção de dedicar-se a “esclarecer fatos de caráter pessoal”.
O desligamento ocorre dois dias depois de o Poder Judiciário determinar uma medida protetiva contra Benites em decorrência de denúncia de violência doméstica. A decisão foi assinada na noite de sábado, 7 de outubro, pelo juiz plantonista José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, com base nos dispositivos da Lei Maria da Penha.
Segundo o registro feito na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), uma mulher relatou ter sido vítima de violência psicológica no contexto de relação doméstica. O boletim de ocorrência não detalha o tipo de vínculo entre a denunciante e o então dirigente da fundação, mas descreve episódios de comportamento que teriam causado abalo emocional e medo à vítima.
A determinação judicial estabelece que Sandro Benites mantenha distância mínima de 500 metros da mulher, além de se afastar de familiares e de eventuais testemunhas arroladas no processo. Também foi proibido qualquer contato direto ou indireto, inclusive por telefone, mensagens, redes sociais ou outros meios de comunicação.
De acordo com a legislação aplicada, a medida protetiva tem caráter preventivo e visa resguardar a integridade física e emocional da parte que se sente ameaçada. O descumprimento de qualquer cláusula pode resultar em responsabilização penal imediata, incluindo possibilidade de prisão em flagrante.
Até o momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre o andamento do inquérito policial nem há informações sobre eventual audiência de conciliação ou depoimento formal do acusado. O processo tramita em segredo de Justiça, condição comum em casos que envolvem violência doméstica e familiar.
Sandro Benites é médico pediatra, major do Exército Brasileiro e possui histórico de atuação em cargos públicos na capital sul-mato-grossense. Foi vereador, secretário municipal de Saúde e, desde o início da atual gestão, comandava a Funesp, órgão responsável por políticas de esporte, lazer e promoção da qualidade de vida em Campo Grande.
Durante a permanência de Benites na presidência, a fundação estruturou projetos como o “Movimenta Campo Grande”, de incentivo a atividades físicas em bairros, e coordenou eventos esportivos de escala municipal. A exoneração deixa a entidade temporariamente sem direção oficialmente nomeada.
Em nota, a Prefeitura informou que um substituto será anunciado “no momento oportuno”, mas não fixou prazo. Enquanto isso, equipes técnicas da Funesp continuam a rotina administrativa e a preparação de competições já previstas no calendário esportivo local, como a fase final dos Jogos Abertos.
Interlocutores do Paço Municipal afirmam que, embora a saída de Benites não paralise projetos em curso, a definição de nova chefia é considerada prioritária para assegurar a execução de convênios e a liberação de recursos federais destinados ao setor.
A exoneração ocorre num período em que a administração municipal enfrenta diferentes desafios nas áreas de esporte e lazer, entre eles a manutenção de centros comunitários, reformas de quadras e ginásios e o fortalecimento de programas de inclusão social por meio do esporte.
Até a publicação desta reportagem, o ex-gestor não havia se manifestado publicamente sobre o teor da acusação nem sobre a medida protetiva. Sua defesa jurídica também não divulgou nota. A situação permanece em avaliação pela equipe legal do ex-dirigente e pelos órgãos competentes.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul mantém plantões para decisões urgentes relacionadas à Lei Maria da Penha, mecanismo que busca garantir rapidez na proteção das vítimas. Em 2023, a Corte tem registrado aumento na concessão de medidas protetivas, tendência que acompanha o crescimento de denúncias formais em delegacias especializadas no estado.
Com a exoneração confirmada, o Executivo municipal deve editar decreto publicado em Diário Oficial nos próximos dias, oficializando a vacância do cargo. A indicação de um novo presidente, que passará por crivos técnico e político, será fundamental para a continuidade das ações da Funesp até o término do atual mandato.
Enquanto o processo judicial segue em sigilo, o caso de Sandro Benites reforça o debate sobre a aplicação de instrumentos legais de proteção às mulheres e a responsabilidade de ocupantes de cargos públicos diante de denúncias de violência dentro do âmbito doméstico.








