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Governo estuda incluir Aeroporto de Três Lagoas em pacote de concessão liderado pelo terminal de Brasília

O Aeroporto Plínio Alarcon, em Três Lagoas (MS), poderá integrar o novo pacote de concessões aeroportuárias que o Ministério de Portos e Aeroportos prepara para o segundo semestre de 2026. A proposta vincula dez terminais regionais ao leilão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, utilizando a movimentação da capital federal como garantia de sustentabilidade financeira aos aeroportos de menor porte.

Modelo de concessão

De acordo com informações divulgadas recentemente, o edital prevê que a empresa vencedora da disputa por Brasília assuma simultaneamente a administração dos aeroportos regionais de Três Lagoas, Bonito e Dourados, em Mato Grosso do Sul; Alto Paraíso e São Miguel do Araguaia, em Goiás; Cáceres, Juína e Tangará da Serra, em Mato Grosso; Barreiras, na Bahia; e Ponta Grossa, no Paraná. O desenho segue a lógica de “aeroporto âncora”, na qual um terminal de grande fluxo subsidia economicamente unidades com tráfego mais limitado.

O processo aguarda análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do governo é obter o aval do plenário em abril; com essa etapa concluída, o leilão deverá ocorrer no segundo semestre de 2026. O principal objetivo é ampliar a conectividade aérea regional, atraindo investimentos privados para modernização, manutenção e expansão desses terminais.

Situação do terminal de Brasília

Atualmente, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é operado pela concessionária Inframérica, responsável pela gestão desde 2012. O contrato em vigor registra insatisfação da administradora quanto à rentabilidade, e a empresa busca reequilíbrio econômico-financeiro junto ao poder concedente. Nesse contexto, o governo pretende aplicar o mecanismo de venda assistida, que permite a entrada de um novo operador sem a necessidade de rescindir formalmente o contrato em vigor.

Pelo modelo proposto, a Inframérica será obrigada a apresentar lance no leilão, mas o Executivo federal projeta a participação de pelo menos três concorrentes. Somente em 2025, o terminal brasiliense movimentou cerca de 8,17 milhões de passageiros, consolidando-se como o terceiro maior hub doméstico do país. Esse volume deverá funcionar como contrapeso à menor atratividade econômica dos dez aeroportos regionais incluídos no pacote.

Operações em Três Lagoas

Em Três Lagoas, não há voos comerciais regulares desde março do ano passado, quando a companhia Azul Linhas Aéreas encerrou as operações na rota para Campinas (SP). A ausência de ligações aéreas diretas tem impactado empresas do polo industrial local, além de limitar alternativas de deslocamento para o turismo e para a cadeia do agronegócio que gravita em torno do município.

O aeroporto sul-mato-grossense já figura em outra frente de estudos. No fim de 2023, a Infra S.A., em parceria com o Escritório de Parcerias Estratégicas de Mato Grosso do Sul, apresentou na B3, em São Paulo, um estudo de pré-viabilidade que avaliou nove terminais do Estado para eventual concessão estadual. Além de Três Lagoas, constam Campo Grande (Estância Santa Maria), Bonito, Dourados, Chapadão do Sul, Coxim, Porto Murtinho, Naviraí e Nova Andradina.

Investimentos projetados

A estimativa é que esses projetos possam captar mais de R$ 150 milhões em recursos privados destinados à modernização de pistas, terminais de passageiros, sistemas de segurança e sinalização. Os estudos defendem que a melhoria da infraestrutura aérea fortalece o turismo regional, amplia a competitividade do agronegócio e estimula a diversificação industrial no Estado.

Paralelamente, o governo de Mato Grosso do Sul executa desde 2021 o Plano Logístico Aeroviário, que contempla obras de ampliação de pistas, instalação de cercas operacionais e construção de terminais em diferentes municípios. Esses investimentos públicos buscam preparar os aeródromos para uma eventual transferência à iniciativa privada, oferecendo condições mínimas de operação e segurança exigidas por órgãos reguladores.

Se confirmada a inclusão de Três Lagoas no pacote federal vinculado ao Aeroporto de Brasília, o terminal passará a disputar recursos com uma carteira de ativos mais robusta, fator que, segundo técnicos do ministério, pode acelerar melhorias estruturais e favorecer a retomada dos voos comerciais. A decisão final dependerá do parecer do TCU e do interesse manifestado por potenciais operadores no certame previsto para 2026.

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