Marcos Freire, 50 anos, conhecido como “Maricota”, foi morto a tiros no início da noite de segunda-feira, 16 de março, quando se preparava para ingressar no Presídio Semiaberto de Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde deveria pernoitar em cumprimento de pena. O crime ocorreu poucos metros do portão principal da unidade prisional e interrompeu a rotina de recolhimento dos custodiados que retornam ao estabelecimento no período noturno.
Informações preliminares apuradas pelas equipes de segurança indicam que o detento, que possuía diversas condenações, inclusive por participação e liderança em motim, chegava ao local conduzindo uma motocicleta. Antes de concluir o acesso à portaria, ele foi surpreendido por disparos de arma de fogo que o atingiram várias vezes. Freire não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na área externa do presídio, antes de receber qualquer socorro especializado.
Logo após a sequência de tiros, servidores da própria unidade acionaram reforço para atendimento imediato da ocorrência. Policiais penais, responsáveis pela segurança interna e externa do complexo, foram os primeiros a isolar a área. Na sequência, integrantes da Polícia Militar chegaram ao ponto onde o corpo permaneceu caído, adotaram as medidas iniciais de preservação do local do crime e iniciaram o controle do fluxo de pessoas e veículos nas imediações.
A Polícia Civil foi mobilizada para conduzir a investigação. Agentes do órgão compareceram à cena do homicídio, coletando depoimentos dos servidores que testemunharam os momentos posteriores aos disparos e verificando sistemas de monitoramento disponíveis na área próxima à portaria. Ainda segundo a corporação, o inquérito instaurado buscará identificar a autoria, a motivação e a dinâmica exata do ataque contra o detento.
Peritos criminais do estado realizaram os levantamentos técnicos de praxe. Durante os trabalhos periciais, foram recolhidos projéteis, cápsulas deflagradas e eventuais fragmentos de metal capazes de contribuir para o esclarecimento do calibre e do tipo de arma utilizada. Os especialistas também documentaram, por meio de fotografias e medições, a posição do corpo, os pontos de impacto dos tiros e possíveis vestígios deixados pelo atirador, como pegadas ou marcas de pneus.
Concluída a perícia no local, o corpo de Marcos Freire foi removido pelo serviço funerário oficial até o Instituto Médico Odontológico Legal (Imol) de Dourados. No instituto, será realizado exame de necropsia destinado a determinar a trajetória dos projéteis, a quantidade exata de disparos e as regiões atingidas. O laudo cadavérico produzido pelos legistas integrará o processo investigativo conduzido pela Polícia Civil.
Após a conclusão dos exames, o cadáver deverá ser liberado à família para os procedimentos de velório e sepultamento, conforme as normas estabelecidas para casos de óbito violento. Até o encerramento dos trabalhos periciais, não foi divulgada previsão oficial de liberação nem detalhes sobre o local escolhido para o enterro.
A administração do Presídio Semiaberto de Dourados não informou se houve interrupção ou alteração no protocolo de entrada dos demais internos na noite do crime. Também não foram divulgados registros de feridos entre funcionários ou presos, além da vítima fatal.
Marcos Freire era conhecido no meio prisional pela participação em vários episódios de indisciplina e já havia sido condenado por liderar um motim, segundo relatos de fontes ligadas à segurança pública. As demais sentenças que cumpria não foram detalhadas pelos órgãos responsáveis, mas permanecem registradas no sistema judiciário do estado.
Representantes da Polícia Militar lembraram que a presença ostensiva da corporação nas imediações de unidades penais é acionada quando há indicativo de ameaça à integridade física de internos ou servidores. No caso específico, a chegada das guarnições ocorreu poucos minutos após o acionamento via rádio pelos policiais penais, o que, segundo a corporação, evidencia a rapidez do protocolo conjunto de resposta.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre suspeitos identificados, veículos utilizados na ação ou possíveis linhas de investigação relacionadas a disputas internas entre facções ou vingança pessoal. A Polícia Civil destacou que trabalha na coleta de todas as informações cabíveis, incluindo histórico criminal detalhado de Freire, antecedentes de conflitos envolvendo o detento e eventual comunicação de ameaças anteriores.
O homicídio de um albergado na área de jurisdição do estabelecimento penal mobilizou também o setor de inteligência da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, que acompanha a apuração para avaliar medidas adicionais de segurança. Novas informações sobre o andamento das investigações deverão ser divulgadas somente quando não comprometerem a coleta de provas e a identificação dos autores.
A ocorrência segue registrada como homicídio doloso qualificado pelo uso de arma de fogo. O inquérito permanece sob a responsabilidade da Delegacia de Dourados, que concentra casos de crimes contra a vida no município.









