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Produção industrial avança 1,8% em janeiro e reverte quatro meses de queda

A produção industrial brasileira cresceu 1,8% na passagem de dezembro de 2025 para janeiro de 2026, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de quatro meses de recuos que, entre setembro e dezembro, havia reduzido o nível de atividade do setor em 2,5%.

Entre os 15 locais pesquisados para a comparação mensal, sete registraram expansão. O Pará liderou o avanço com alta de 8,6%, seguido por São Paulo, que subiu 3,5%, e Minas Gerais, com incremento de 3,2%. Do lado oposto, os maiores recuos ocorreram no Rio Grande do Sul (-4,5%) e no Espírito Santo (-4,3%).

Ainda que o resultado nacional de janeiro seja positivo, o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, observa que fatores macroeconômicos, como juros elevados e restrições ao crédito, continuam a moderar decisões de investimento e de produção. Esses elementos explicam, em parte, o caráter compensatório da alta verificada após os meses de perdas.

No Pará, o desempenho de 8,6% representou a maior taxa mensal desde junho de 2024, quando o estado avançara 9,9%. O movimento foi sustentado pelos segmentos de metalurgia, produtos de madeira e celulose. Antes do resultado atual, a indústria paraense acumulava retração de 13,2% em quatro meses consecutivos de queda.

São Paulo, maior parque industrial do país, exerceu a influência positiva mais relevante sobre o índice geral. A expansão de 3,5% encerrou uma trajetória de quatro meses negativos que havia provocado perda acumulada de 4,5%. Entre os setores paulistas que mais contribuíram estão o extrativo, produtos químicos e máquinas e equipamentos.

Em Minas Gerais, a produção aumentou 3,2%, maior taxa desde agosto de 2024. O resultado foi puxado por metalurgia, máquinas e aparelhos elétricos e produtos do fumo. O avanço vem depois de um recuo de 5,5% em dezembro de 2025, evidenciando também um movimento de recuperação pontual.

As duas quedas mais pronunciadas no mês ocorreram no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, ambos com a segunda retração consecutiva. No estado gaúcho, os setores de derivados de petróleo e de celulose e papel exerceram maior pressão negativa, levando a uma perda acumulada de 5,7% nos últimos dois meses. No Espírito Santo, o resultado de -4,3% refletiu recuos no extrativo e em celulose, papel e produtos de papel, com retração conjunta de 10% em dezembro e janeiro.

Considerando o acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro, a produção industrial nacional apresentou elevação de 0,5%. Oito das 18 áreas pesquisadas registraram variações positivas nesse horizonte. Na comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, a indústria avançou 0,2%, comportamento que também sinaliza retomada gradual após a sequência de resultados negativos observada no fim do ano passado.

Na abertura por unidades da federação, Pernambuco liderou o crescimento anual, com expansão de 27,7%. O salto está associado ao forte aumento, de aproximadamente 648%, na fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, segmento que em janeiro de 2025 havia sido afetado por paralisações pontuais. Outros estados que apresentaram alta na comparação anual foram Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais e Pará.

Entre os recuos em doze meses, destacaram-se Rio Grande do Norte (-24,9%) e Bahia (-10,3%), impactados por menores produções de derivados de petróleo, biocombustíveis, máquinas e equipamentos. Também exibiram variação negativa Ceará (-7,5%), Amazonas (-6,8%), Santa Catarina (-6,5%), Rio Grande do Sul (-6,5%), Goiás (-4,4%) e São Paulo (-1,5%). De forma agregada, a região Nordeste registrou queda de 0,4% nessa base de comparação.

A PIM Regional acompanha, desde a década de 1970, o comportamento mensal da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da federação e na região Nordeste, segmento onde os dados são consolidados. Os resultados completos estão disponíveis no Sidra, banco de dados do IBGE. A próxima divulgação, referente a fevereiro de 2026, está programada para 9 de abril.

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