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Polícia Civil prende dois suspeitos de “tribunal do crime” que levou à morte de jovem em Três Lagoas

A Polícia Civil de Três Lagoas cumpriu, na manhã desta quinta-feira (20), dois mandados de prisão contra suspeitos de participação no homicídio de Kauã Ferreira da Silva, 18 anos, encontrado morto na zona rural do município. A ação integra a Operação Caronte, conduzida por equipes da Seção de Investigações Gerais (SIG), do Núcleo Regional de Inteligência (NRI) e da 2ª Delegacia de Polícia, com apoio da Polícia Penal.

Localização do corpo e início da apuração

O corpo da vítima, morador de Chapadão do Sul, foi localizado semienterrado em uma cova rasa, de cabeça para baixo e com a calça arriada até os joelhos. O avançado estado de decomposição indicava que a morte havia ocorrido dias antes da descoberta. Mesmo sem informações iniciais sobre motivação, autoria ou circunstâncias, os investigadores abriram inquérito para esclarecer o caso.

Estratégia investigativa

Nas semanas seguintes, dezenas de testemunhas foram ouvidas, imagens de câmeras de segurança foram analisadas e recursos tecnológicos ampliaram a coleta de provas. Entre as medidas adotadas estiveram a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos, que permitiu rastrear ligações, mensagens e a movimentação dos suspeitos na região.

Com base no material reunido, a equipe identificou três envolvidos no crime. Segundo a apuração, a morte está ligada a um acerto de contas entre facções criminosas, prática conhecida como “tribunal do crime”. A vítima teria sido julgada e executada pelos próprios integrantes da organização, em represália a condutas consideradas inadequadas pelo grupo.

Pedidos judiciais e operação

Diante das evidências, a Polícia Civil solicitou à Justiça mandados de prisão e de busca e apreensão. O Ministério Público emitiu parecer favorável e o Poder Judiciário deferiu as ordens. Na manhã desta quinta-feira, as equipes deram início aos cumprimentos.

Um dos suspeitos foi localizado em sua residência, onde foi detido sem resistência. Durante a abordagem, foram apreendidos aparelhos celulares que serão periciados para verificar contatos, registros de conversas e possíveis conexões com outros participantes. O segundo investigado já se encontrava recolhido na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas por outro delito; o mandado foi formalizado na própria unidade. O terceiro suspeito, também apontado como envolvido na execução, morreu recentemente, razão pela qual o processo contra ele será arquivado.

Apreensões e continuidade das diligências

Além dos celulares, os policiais recolheram documentos e outros itens de interesse da investigação. O material passará por análise pericial para mapear rotas, horários e interações dos detidos antes, durante e depois da morte de Kauã Ferreira da Silva. A Polícia Civil não descarta a participação de novos indivíduos e trabalha para identificar possíveis mandantes ou colaboradores.

Contexto criminal

“Tribunal do crime” é a expressão utilizada para designar julgamentos clandestinos organizados por facções. Nessas sessões, suspeitos de descumprir regras internas ou de trair o grupo são sentenciados sem qualquer garantia legal. A pena costuma variar de agressões físicas a execuções sumárias, como a que vitimou o jovem de 18 anos em Três Lagoas.

Conforme a investigação, a prática foi aplicada no caso de Kauã sob a justificativa de “acerto de contas”. O inquérito ainda busca determinar qual foi a suposta infração cometida pela vítima e quem autorizou a sentença. Os dois presos devem responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e por integrar organização criminosa.

Próximos passos

Com os mandados cumpridos, a fase atual concentra-se na análise dos materiais apreendidos e na tomada de novos depoimentos. A Polícia Civil avalia também a possibilidade de solicitar medidas cautelares adicionais, caso surjam indícios de coação de testemunhas ou risco de fuga de outros suspeitos ainda não identificados.

Até o momento, não há previsão de encerramento das investigações. Os dois detidos permanecerão à disposição da Justiça, enquanto o inquérito segue em andamento para elucidar completamente as circunstâncias, a dinâmica e as responsabilidades pela morte de Kauã Ferreira da Silva.

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