O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande, promove neste sábado, 21, um mutirão de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) direcionado a cuidados ginecológicos e a outras demandas femininas. A mobilização faz parte do projeto Dia E – Ebserh em Ação e integra o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.
Ao longo do dia, cerca de 300 procedimentos serão ofertados a pacientes previamente agendadas pelo sistema de regulação. A estratégia busca reduzir filas de espera e ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias especializadas, sem atendimento por demanda espontânea.
Serviços oferecidos
Entre os procedimentos destinados especificamente à saúde da mulher estão:
- Cirurgias de laqueadura tubária;
- Ultrassonografias obstétricas;
- Inserção de dispositivos intrauterinos (DIU);
- Exame preventivo de câncer do colo do útero (colpocitologia oncótica).
Além dos serviços voltados ao público feminino, o mutirão inclui exames complementares, como espirometria, ecocardiograma e tomografia. Também estão programadas cirurgias ortopédicas e bucomaxilofaciais, ampliando o alcance da ação a diferentes especialidades.
Atendimento à população indígena
Parte das vagas foi reservada a moradores de comunidades indígenas, medida que procura garantir acesso equitativo a serviços de média e alta complexidade. O Humap-UFMS tem histórico de atuação junto a esse público, e a inclusão das pacientes indígenas ocorre por meio de articulação com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e com a atenção básica dos territórios.
Mobilização nacional
A iniciativa ocorre simultaneamente em 45 hospitais universitários federais administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A rede concentra hospitais de ensino vinculados a universidades federais, que colaboram com a formação de profissionais de saúde e com o atendimento pelo SUS.
No planejamento do Dia E, cada unidade definiu as especialidades priorizadas conforme a demanda regional identificada nos sistemas de regulação. Em Campo Grande, o foco recaiu sobre saúde da mulher e procedimentos de imagem, considerados gargalos locais.
Resultados anteriores
Em 2023, o Humap-UFMS realizou 798 atendimentos durante edições anteriores do mutirão nacional. No mesmo período, a Ebserh contabilizou quase 100 mil procedimentos em três jornadas de trabalho concentrado:
- Julho: mais de 12 mil atendimentos;
- Setembro: acima de 34 mil;
- Dezembro: superior a 52 mil.
Segundo a empresa pública, os resultados confirmam o potencial dos mutirões para reduzir tempos de espera, alcançar pacientes que aguardam procedimentos eletivos e otimizar a utilização da estrutura hospitalar em períodos de menor demanda regular.
Logística e equipes
Para a edição deste sábado, o Humap mobilizou equipes multidisciplinares, envolvendo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, dentistas, profissionais de diagnóstico por imagem e administrativos. Os atendimentos estão distribuídos entre centro cirúrgico, ambulatórios, salas de exame e setores de apoio, respeitando protocolos de segurança assistencial e de controle de infecção.
O hospital disponibilizou ainda espaços de acolhimento e orientação para as pacientes, especialmente para os procedimentos ginecológicos, que exigem preparo prévio e acompanhamento pós-exame. Na área de diagnóstico por imagem, aparelhos de ultrassom, tomografia computadorizada e ecocardiografia operam em regime estendido para atender à demanda extra.
Processo de seleção das pacientes
As usuárias contempladas foram escolhidas com base na lista de espera do SUS, parametrizada pelos sistemas de regulação municipal e estadual. A convocação foi feita por telefone e mensagem eletrônica, informando data, horário e orientações de jejum ou documentação necessária. Quem não pôde comparecer teve a vaga redirecionada a outra pessoa na fila, evitando ociosidade nas salas de procedimento.
Perspectivas
Com a nova edição, autoridades de saúde projetam impacto imediato na redução das filas locais, especialmente para laqueaduras e exames de imagem, cuja espera chega a ultrapassar seis meses em alguns casos. A Ebserh e o Ministério da Saúde avaliam repetir o formato em 2025, ajustando a oferta conforme indicadores regionais de demanda represada.
No encerramento do mutirão, cada hospital participante enviará relatórios consolidados à Ebserh, detalhando número de atendimentos, especialidades, perfil dos pacientes e tempo médio de internação, quando houver. As informações servirão como subsídio para definir próximas etapas do plano nacional de ampliação de acesso a procedimentos eletivos pelo SUS.
O Humap-UFMS reforça que, fora das datas de mutirão, o hospital mantém atendimento regular pelo sistema de regulação e orienta as pacientes a procurarem as unidades básicas de saúde para encaminhamento e agendamento de consultas, exames ou cirurgias.









