A confirmação de que a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), pretende disputar uma cadeira no Senado por São Paulo provocou ajustes imediatos nas estratégias de diversas lideranças políticas de Mato Grosso do Sul. O anúncio, tornado público no último sábado (21), retirou do tabuleiro sul-mato-grossense um dos nomes mais fortes para a eleição majoritária de 2026, abrindo espaço para novos protagonistas e acelerando negociações partidárias que vinham sendo conduzidas de forma reservada.
Entre os primeiros a responder ao movimento esteve o deputado federal Vander Loubet (PT), detentor de seis mandatos consecutivos na Câmara. O parlamentar declarou que passará a concentrar esforços na consolidação da própria pré-candidatura ao Senado por seu Estado de origem, agora sem a expectativa de eventual composição com Tebet. Segundo ele, a definição da ministra elimina incertezas e permite que o projeto comece a ser colocado “na rua”, com organização de equipe, busca de apoios formais e elaboração de agenda para percorrer municípios ainda neste ano.
No cenário paulista, a sinalização de Tebet também despertou o interesse do Partido Socialista Brasileiro. Lideranças do PSB em São Paulo avaliam que a possível filiação da ministra representaria um reforço importante para a sigla, que procura ampliar sua presença no Senado. As conversas, descritas como avançadas, incluem a discussão de palanques que poderiam envolver o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer ao governo estadual. Dentro desse arranjo, Haddad e Tebet integrariam uma mesma aliança, somando esforço eleitoral em 2026.
Enquanto a movimentação de Tebet reposiciona siglas de centro e centro-esquerda, partidos de direita também analisam cenários futuros em Mato Grosso do Sul. Circulou nos bastidores a hipótese de que a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, pudesse deixar o Partido Liberal e migrar para o Novo a fim de disputar o Senado. O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), porém, descartou publicamente a possibilidade. De acordo com ele, não há tratativas para mudança de legenda e o grupo continuará no PL, apesar das discussões internas sobre formação de chapas proporcionais e majoritárias.
Outra liderança observada de perto é o ex-prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro. Ainda filiado ao PSDB, o ex-gestor recebeu convites de diferentes legendas, inclusive do próprio PL que recentemente acolheu o ex-governador Reinaldo Azambuja. Guerreiro, contudo, não definiu qual rumo tomará. Mantém postura reservada, evita declarações sobre 2026 e, por ora, preserva o vínculo tucano, aguardando desdobramentos tanto no plano estadual quanto na esfera nacional.
As repercussões da cena eleitoral estadual se misturaram a pautas locais durante a sessão mais recente da Câmara Municipal de Três Lagoas. Parlamentares voltaram a cobrar providências do Executivo e de empresas contratadas. A vereadora Sirlene dos Santos chamou atenção para a ausência de médico mastologista na Clínica da Mulher, lacuna que, segundo ela, persiste há vários meses e compromete o atendimento de pacientes que dependem de diagnóstico e acompanhamento especializado. A parlamentar solicitou prioridade na contratação de profissional ou estabelecimento de convênio emergencial para suprir a demanda.
Iluminação pública também ocupou parte dos debates. Vereadores relataram queixas de moradores sobre falhas prolongadas em diferentes bairros e solicitaram maior agilidade ao consórcio responsável pelo serviço em Três Lagoas. Foram registrados pedidos de cronograma detalhado de reposição de lâmpadas, além de revisão técnica nos pontos considerados mais críticos para segurança noturna. As manifestações ocorreram em tom de cobrança, mas sem apresentação de propostas de ruptura contratual neste momento, mantendo o tema sob acompanhamento do Legislativo municipal.
Com a saída de Simone Tebet da disputa em Mato Grosso do Sul, o campo eleitoral local passa a ser redesenhado em ritmo acelerado. Partidos reavaliam candidaturas, possíveis composições e quadros capazes de preencher o espaço deixado pela ministra. Ao mesmo tempo, em São Paulo, a possível filiação de Tebet ao PSB cria novas dinâmicas que poderão influenciar diretamente alianças nacionais em 2026, em especial caso Fernando Haddad confirme a intenção de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Esses movimentos simultâneos indicam que as negociações partidárias tendem a intensificar-se nos próximos meses, tanto no Centro-Oeste quanto no Sudeste, redefinindo estratégias e cartas na mesa para a próxima eleição.








